“Full ataque” e “leque aberto”: Pilotos revelam estratégia para sábado do Milhão

Como se preparar para um treino classificatório totalmente especial? De acordo com quatro pilotos que conversaram com o GRANDE PRÊMIO, as ideias são diversas. O leque de possibilidades está aberto, como falou Denis Navarro

Com um treino classificatório todo especial para a Corrida do Milhão da Stock Car neste fim de semana – onde há até quem considere o sétimo lugar, não o primeiro, como pole -, em nada espanta que os pilotos tenham estratégias bastante diferentes do comum. Há quem pense no sétimo lugar e há quem esteja com planos de ataque total. 
 
Durante a sexta-feira de treinos livres para a Corrida do Milhão, o GRANDE PRÊMIO conversou com alguns pilotos que, ao menos em tese, são beneficiados pela regra especial. Mas nem todo mundo pensa na mesma direção. Rafael Suzuki, por exemplo, não quer saber de especular antes do Q3.
 
"Nossa estratégia é 'full ataque' na classificação. Passar do Q1 e tentar crescer gradativamente. Tudo bem, o Thiago Camilo, que fez cinco poles, pode pensar em algo diferente. Mas não é nosso caso. Eu acharia muito bom largar em sétimo, não vou ser hipócrita, mas daí a não querer largar em terceiro ou quarto, não. Prefiro largar na frente, até porque essas coisas voltam para você. Acho até meio antidesportivo largar em sétimo, apesar do regulamento ser assim", comentou. 
Sexta-feira da Corrida do Milhão em Interlagos (Foto: Duda Bairros/Stock Car)

Pedro Cardoso avaliou que a grande que ele e a Hot Car recebem é não pela possibilidade de contar com mais combustível que os rivais, mas de neutralizar o formato natural de treinos classificatórios, que andam sendo problema.

 
"Na verdade, não faz muita diferença, é um treino a mais para todo mundo. Mas pode ajudar a gente, não muito por questões individuais e mais por conta do setup. Nosso carro sofre mais na classificação desde a primeira etapa, mas em compensação é rápido na corrida – nossa corrida 2 é geralmente muito boa. Acho que esse formato de ter que largar igual terminou a classificação pode ajudar a gente por equilibrar os carros de corrida", pontuou.
 
Denis Navarro foi um pouco além na explicação. Apesar da confusão criada pelo formato, crê que a estratégia ganha enorme força, algo incomum em fins de semana de apenas uma corrida.  
 
"É um pouco confuso para todos, é uma regra nova. Por ser uma corrida diferente, com um treino longo, acho que a intenção é exatamente dar uma mesclada. Acho que vai acontecer num treino desses, mas não é tão justo com quem largar na frente. Cria uma bagunça nas posições, mas sem dúvida quem tiver mais rápido não vai gostar. 
 
"Eles abriram um leque para ter estratégia, né? Normalmente, quando é uma corrida só, não tem estratégia, todo mundo é igual. Mas ter que classificar com pneu e combustível que você vai largar com certeza abre um leque para quem for largar de trás assumir uma estratégia diferenciada para dar um pulo.
Denis Navarro (Foto: Cauê Moalli/Grande Prêmio)

E ainda apontou que há um benefício na questão do patrocínio, especialmente para os pilotos que não costumam andar tão na frente e terão a oportunidade de exposição potencializada no domingo.

 
"A estratégia faz isso: alguns pilotos serão beneficiados em uns momentos e outros serão beneficiados em momentos diferentes. Sem dúvida nenhuma categoria convive como um todo, não só os carros. Claro que na questão de desempenho quem anda rápido fica no prejuízo. Vamos ver o que vai acontecer, começamos bem nos treinos", falou.
 
Diego Nunes ponderou sobre as possibilidades que os primeiros colocados terão nas voltas iniciais, ainda que com menos combustível no tanque e pneus mais gastos.
 
"Eles vão tirar uma certa quantidade de combustível do tanque, vão avisar um pouco antes da corrida [a quantidade que será retirada] e vão deixar o carro em Parque Fechado. Vai ter muita estratégia diferente, mas ao mesmo tempo até o pessoal que for para o Q3 e o Q4 fica com a vantagem de ter pista limpa. Vai faltar combustível para eles? Sim. Mas será que se abrirem uma vantagem para ter folga não vale a pena", argumentou. 
Diego Nunes (Foto: Cauê Moalli/Grande Prêmio)

"Acho que vai embolar tudo, muita gente vai virar rápido na classificação e, como não dá para mexer até a largada, vai ficar rápido na corrida também. São duas situações: é possível fazer um carro para classificar bem e durar dez voltas na corrida, ou fazer um carro mais conservador e ele durar na corrida, então será a surpresa do treino. Não tem como calcular. Alguns vão largar na frente por tirar peso do tanque, mas na corrida vão ficar a pé. Vai ser meio louco", avaliou.

 
"A estratégia vai ser fazer um carro conservador, não muito, um que seja intermediário para largar o mais para frente possível com um carro pesadão, e buscar o sétimo lugar. Se conseguir isso, é bala", finalizou.
A novidade prevê Q1 e Q2 em situação igual ao restante da temporada, mas o Q3 terá todos os seis pilotos classificados da fase anterior na pista ao mesmo tempo. O sexteto terá direito a três voltas rápidas cada um. Os três pilotos que ficarem com a melhor média da trinca de voltas avançam para o Q4. Nessa última fase, cada um terá uma volta lançada – com um de cada vez na pista – para definir a pole. Depois, terão uma quantidade ainda não-definida de combustível retirada. 
 
Mas há um porém: os pilotos serão obrigados a começar a prova com o mesmo jogo de pneus utilizado na classificação e também com o mesmo nível de combustível com que encerraram o sábado – os carros serão colocados em Parque Fechado. A intenção com isso é aumentar a importância do jogo estratégico. Haverá ainda um jogo de pneus mais macio que o normal.

GRANDE PRÊMIO cobre tudo da Corrida do Milhão in loco em Interlagos com os repórteres Felipe Noronha, Pedro Henrique Marum e Cauê Moalli. A corrida começa às 11h30 do domingo. Acompanhe tudo aqui.
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