“Mais pesado e bem nascido”: Genz testa e descreve novos carros da Stock Car

Vitor Genz teve a chance de pilotar os novos Chevrolet Cruze e Toyota Corolla, que vão compor o grid da Stock Car na temporada 2020. O único gaúcho a vencer na categoria entende que a nova geração de carros da categoria é interessante de guiar, tem uma dianteira melhor e com mais aderência nas curvas de baixa velocidade e é cerca de 50 kg mais pesado que os antigos protótipos

No último 28 de fevereiro, dia em que Ingo Hoffmann, lenda da Stock Car, completou 67 anos, a principal categoria do automobilismo brasileiro mostrou ao público as primeiras voltas da nova geração de carros que vão compor o grid a partir da temporada 2020. Ingo, 12 vezes campeão da Stock Car, teve a chance de completar as primeiras voltas dos novos Chevrolet Cruze e Toyota Corolla no circuito do Velo Città, em Mogi Guaçu — interior de São Paulo. Em seguida, coube aos experientes Beto Monteiro e Vitor Genz a realização de uma sessão de teste para avaliar performance e, principalmente, a confiabilidade dos carros.

 
O conceito da nova geração da Stock Car é bastante diferente na comparação com os antigos protótipos. Há uma mudança na comparação com o chassi tubular que vigorou nos carros até o ano passado. A nova carroceria que envolve a estrutura tubular tem como base os modelos Cruze e Toyota na versão 2020, com adaptações aos componentes de competição da categoria como suspensão, freio, câmbio, por exemplo, mas com uma aparência muito mais próxima a um carro de rua.
 
Dias após o primeiro teste que teve imagens veiculadas ao público, Vitor Genz falou ao GRANDE PRÊMIO. O único gaúcho a vencer uma corrida na Stock Car ganhou boa quilometragem a bordo dos novos carros da categoria e relatou as primeiras impressões sobre os modelos, traçando um paralelo com o JL G09, protótipo que sofreu várias evoluções ao longo dos seus 11 anos de história.

Vitor Genz guiou os novos carros da Stock Car no Velo Città (Foto: Reprodução)
A primeira impressão de Genz foi sobre como os novos modelos parecem muito mais com os carros de rua. “Uma coisa que achei, que a categoria acertou muito, é que, quando você olha para o carro, percebe que ele mudou muito. Tem farol, as portas abrem para o lado… Quem está acostumado com o carro da Stock Car lembra que no modelo antigo a porta abria para cima, não parecia um carro tão de rua…”.
 
“E neste novo modelo, a porta abre para o lado, o capô abre para cima, não sai toda a parte da frente, e isso dá a sensação de que mudou muita coisa. E, de fato, mudou bastante coisa. Mas mesmo assim, a categoria foi bastante inteligente em mudar muito o conceito do carro, mas sem elevar tanto o custo para as equipes. Este foi um grande acerto”, comentou o competidor de 31 anos.
 
Enquanto se prepara para disputar a temporada 2020 do Endurance Brasil a bordo do protótipo AJR como piloto da JLM, de Juliano Moro, Genz ressalta as diferenças em termos de pilotagem do modelo antigo para a nova geração da Stock Car.
 
“A primeira coisa que você percebe que mudou são alguns pontos de freada. Muito eu acredito que seja por causa da questão aerodinâmica, por toda a parte do assoalho, splitter dianteiro, extrator traseiro, que foi mudado um pouco o conceito, e agora há uma chapa reta praticamente por todo o assoalho do carro. Tudo isso faz o carro perder um pouco na aerodinâmica e dificulta um pouco em freadas e curvas de alta. Isso, agregado ao peso que aumentou — não tenho ainda o peso oficial, mas creio que aumentou em cerca de 50 kg —,  fez com que o carro virasse um pouco mais lento, mas é interessante de guiar”, descreveu.

A chegada da Toyota ao grid é a grande novidade do ano na Stock Car (Foto: Duda Bairros/Stock Car)
“Às vezes é um pouco fácil guiar um pouco além do que o carro permite, é fácil passar do limite. É um carro gostoso de guiar, você sente que está guiando um Stock Car, mas numa condição que é um pouquinho mais lento. Em cada lugar, ali, gera um tempo um pouquinho pior”, observou.
 
Um dos pontos que Vitor mais chamou a atenção é para a melhora do carro na parte dianteira. “Nas curvas de baixa, o carro melhorou. Isso tu sente que a frente do carro é um pouco melhor nessas curvas de baixa, muito porque diminuiu o entre-eixo. É uma coisa esperada, óbvia, mas que realmente aconteceu. Você sente que a frente do carro, em curvas fechadas, de 1ª marcha, ela consegue permanecer por mais tempo com aderência, e antes o carro tinha uma tendência nessas curvas de ser dianteiro”, explicou.
 
No fim das contas, Genz ressalta que tudo ainda faz parte do início do desenvolvimento, algo que já vem sendo trabalhado desde o ano passado. E lembra que, quando as equipes tiverem a chance de acelerar com os novos carros a partir de 24 de março, com os testes coletivos em Goiânia — palco de abertura da temporada, cinco dias depois —, a tendência é que o nível de performance seja muito melhor.
 
“Esse um conceito novo que nasceu bem desde o primeiro dia em que foi para a pista. No primeiro dia de treinos eu já falei: se der esse carro na mão das equipes, o pessoal consegue se virar e já aprontá-lo para fazer tempos. Então agora, nesses próximos dias, vai rolar um teste de balanço de performance”, diz Vitor, que se prepara para voltar ao volante dos novos carros.
 
“Os testes que fizemos na semana passada foram mais ligados à parte mecânica e confiabilidade, para ver se está tudo certo. E acredito que, a partir de agora, com o desenvolvimento de setup deste novo conceito, tenho certeza de que os tempos vão começar a baixar para chegar um pouco mais próximo do que era com os protótipos”, complementou Vitor Genz.

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