Opinião GP: Stock Car acerta e tem bom início de 2014 com corrida de duplas, mas peca com prova curta

A Stock Car promoveu um grande evento para abrir a temporada 2014 em Interlagos, com pilotos-convidados e uma boa disputa na pista. Só faltou uma prova mais longa para que os visitantes da categoria pudessem se apresentar por mais tempo para o público brasileiro


A PRIMEIRA DAS NOVIDADES INTRODUZIDAS PELA STOCK CAR NA TEMPORADA 2014 DEU MAIS DO QUE CERTO. A corrida de duplas que movimentou Interlagos no último domingo (23) gerou um grande interesse em torno da etapa que inaugurou o calendário deste ano em um evento bastante interessante e repleto de pilotos de alto nível. Foi uma boa maneira encontrada pela Vicar para promover o campeonato, com apenas um fator jogando contra: a curta duração da prova.

A Stock Car já surpreende por conseguir um grid de mais de 30 carros, algo não muito comum no automobilismo mundial em uma fase de dificuldades econômicas ao redor do planeta. E essa corrida especial foi uma boa forma de, além de chamar a atenção do público brasileiro, mostrar o que acontece por aqui para os estrangeiros.

A vinda de nomes importantes de outros países divulgou a categoria além de nossas fronteiras, ganhou manchetes em veículos de comunicação de fora do país e também fará os pilotos que vieram do exterior contarem como foi a experiência que tiveram – falem bem ou falem mal, estarão falando da Stock.

Mas, ao menos enquanto estavam no Autódromo José Carlos Pace, os gringos não falaram mal. Pelo contrário.

“Só quando cheguei pude ver o quão profissional é a categoria”, disse o holandês Jeroen Bleekemolen, terceiro colocado. O australiano Dean Canto elogiou a estrutura interna dos boxes da RC, com suas divisões e as salas de reunião e para convidados e falou: “Não temos isso na Austrália.” E mesmo Augusto Farfus, que não é gringo, mas corre no maior campeonato de turismo do mundo e nunca tinha acompanhado a Stock Car tão de perto, teceu elogios. “Eu me admirei. O nível técnico dos pilotos é altíssimo. E a Full Time é uma equipe grande, de porte europeu”, comparou.

Reunir 66 pilotos em Interlagos não é pouca coisa (Foto: Rodrigo Berton | Grande Prêmio)

As comparações de Farfus não entram no âmbito do carro. Aí é como se fosse “futebol e vôlei”, nas palavras do curitibano, lembrando que os modelos usados no DTM são muito mais avançados. Mas a categoria alemã conta com um apoio pesado de grandes montadoras. Por outro lado, os pilotos da V8, que também competem com marcas renomadas, mas não têm um carro tão refinado quanto o do DTM, disseram que o bólido usado no Brasil é até mais fácil de pilotar.

Voltando a falar da boa sacada que foi essa corrida de duplas, a Stock Car levou um público de razoável para bom a Interlagos. As arquibancadas não estavam lotadas, mas havia muito mais gente nelas do que na abertura da temporada passada.

E o povo da categoria estava animado. No geral, a impressão que se tem é que o evento foi aprovado e pode ser até melhor em sua segunda edição.

Pesou contra a pouca duração da corrida: 50 minutos.

Deve-se ressaltar que a prova foi promovida a partir de um acerto da Vicar com a TV Globo, que gostaria que a categoria lhe oferecesse um produto diferente justamente para ajudar a criar um interesse maior no público e atrair mais audiência. E a emissora carioca fez suas exigências para encaixar a corrida na grade.

Às vezes, os prós e contras levam a decisões que inevitavelmente possuem tantos pontos positivos quanto negativos. Do ponto de vista esportivo, seria bem mais interessante uma disputa mais longa. Tomem o exemplo dos australianos, que viajaram milhares de quilômetros e cruzaram 13 fusos horários para correr 25 minutos. Uma bateria mais longa, de 70 ou 80 minutos, pelo menos, compensaria mais esse esforço.

E uma outra falha do evento de domingo, mas que não compete à organização e, sim, à CBA foi decretar a largada atrás do safety-car. Não chovia tanto, e os times sequer foram obrigados a largar com pneus para pista molhada – só o fizeram porque a chuva apertou cinco minutos antes da volta de apresentação.

A largada em fila dupla com os 33 carros dividindo cada metro da reta seria o momento mais interessante para quem comprou ingresso e foi às arquibancadas ver. O automobilismo é um esporte que tem seu momento de maior emoção, na maioria das vezes, nos primeiros segundos da batalha. Para quem está na pista, onde a visão é limitada na maioria dos pontos, aquele sem dúvida seria o grande momento.

No mais, fica a torcida para que esse evento marque o início de uma boa temporada da Stock Car. Aliás, a primeira etapa já envolveu uma excelente história, a vitória do estreante Felipe Fraga. A partir de Santa Cruz do Sul, veremos como vai funcionar outra novidade introduzida em 2014: rodadas duplas. Pouco a pouco, a categoria parece entrar nos eixos, e o automobilismo brasileiro só tem a ganhar com isso.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.


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