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Stock Car

Patrocinador some (literalmente) em história que virou caso de polícia. E Tuka corre para garantir temporada

Dono de uma vitória e com experiência de mais de 100 corridas na Stock Car, Tuka Rocha tem ameaçada sua sequência na temporada 2018. O piloto da Vogel tem de lidar com um fato novo na sua carreira: o desaparecimento do seu principal patrocinador. O misterioso sumiço de Hélio Caxias Filho, dono da Híbridos Club — empresa de marketing multinível com atuação em criptomoedas — fez Tuka correr atrás de novos patrocínios para bancar os custos e se manter no grid

Warm Up, do Velopark / FERNANDO SILVA, do Velopark

A busca por patrocínio não é necessariamente uma novidade para Tuka Rocha. Aos 35 anos, o experiente piloto, que desde 2011 faz parte do grid da Stock Car, luta para permanecer na categoria. Uma luta que nunca é fácil e muitas vezes mostra uma faceta inglória e inesperada. Como a que o paulista vive neste momento em que vê sua sequência na temporada de retorno à Vogel bastante ameaçada. Isso porque seu principal patrocinador desde o ano passado, Hélio Caxias Ribeiro Filho, dono da Híbridos Club — empresa de marketing multinível com atuação em criptomoedas —, desapareceu no último dia 5 de abril.
 
O sumiço foi registrado em Boletim de Ocorrência pela sua esposa, Thalia Alves de Andrade. No documento, Thalia relata que “a gestão financeira e administrativa da empresa era realizada exclusivamente pelo meu marido, onde nenhum dos funcionários da empresa, prestadores de serviço ou eu possuímos senhas ou acesso a contas bancárias ou Bitcoins para qualquer tipo de movimentação, investimento ou pagamento”. O empresário sofria ameaças de clientes que alegavam ter sofrido prejuízos com os negócios.
 
O envolvimento da Híbridos Club como marca apoiadora do esporte a motor não se resumia apenas a Tuka Rocha, num contrato de patrocínio que começou no ano passado, quando o piloto fazia parte da RCM e se estendeu para 2018, na Vogel: a empresa de Hélio Caxias também patrocinava a equipe de Alex Barros na Superbike Brasil e, neste ano, também estampava sua marca no macacão de Thiago Camilo.
Tuka Rocha corre sem a marca da Híbridos Club já neste fim de semana no Velopark (Foto: Denis Ribeiro/Vicar)
O desaparecimento de Caxias deixou Tuka sem seu maior patrocinador. Agora, o experiente piloto da Stock Car corre contra o tempo para se garantir nas próximas etapas da temporada. Para o fim de semana da rodada dupla do Velopark, sua participação está garantida. Contudo, não mais estampa a marca da Híbridos Club no seu carro roxo. Para a etapa deste fim de semana, Tuka corre com o patrocínio principal da H-Medic, empresa distribuidora de medicamentos, e também da Full Repel, marca de repelentes. 
 
Pouco depois do segundo treino livre no Velopark, Tuka Rocha falou ao GRANDE PRÊMIO. E revelou que ainda não sabe como lidar com a situação, a não ser que é preciso seguir em frente e procurar meios de se manter competindo na principal categoria do automobilismo brasileiro.
 
“É uma situação complicada. Já vivi várias situações de patrocínio. A gente sempre busca patrocínio, e ficar sem não é uma novidade, sempre enfrentei isso na minha carreira. Mas o sumiço de um patrocinador que estava tudo certo para toda a temporada... A gente estava com um ‘budget’ bom para a temporada, investindo bem com a equipe. E ser pego por uma notícia dessa é até difícil de comentar. Porque não sei o que aconteceu. Se soubesse o que aconteceu talvez até poderia comentar melhor o que está se passando. Mas como se trata de um caso de polícia, de sumiço, não sei, realmente. Tenho até de prestar respeito pela situação e não comentar muito”, comentou o dono do carro #25 da Vogel.
Tuka Rocha busca se manter na Stock Car e trava procura por novos patrocinadores durante a temporada (Foto: Divulgação/MS2)
“O que não posso é ficar esperando as coisas caírem do céu. É correr atrás, e como o contrato não foi cumprido, inclusive já foi rescindido, já estamos procurando novos patrocinadores. Graças a Deus, sempre tive pessoas que me apoiam e que estão me ajudando nessa etapa. E vamos, se Deus quiser, fechar até o fim do ano”, afirmou Rocha, confiante num desfecho positivo.
 
O paulistano contou que a Híbridos Club está com as parcelas do pagamento — cujo valor não foi revelado — em atraso desde a etapa de Curitiba, realizada há duas semanas. Foi justamente um dia antes da prova que Hélio Caxias desapareceu. Rocha lembra como foi seu último contato com o empresário.
 
“Quinta-feira da corrida de Curitiba a gente se falou, e ele tinha planejado o pagamento para a sexta-feira. E desde então a gente não se falou mais. E ninguém mais conseguiu falar. Eu era mais a parte de relacionamento com o patrocinador. A parte de pagamento era mais a equipe que fazia. Tinha mais uma relação profissional, de ser a imagem da Híbridos”, esclarece.
Entre Mauro Vogel e Gualter Salles, Tuka Rocha ressalta o esforço da equipe para mantê-lo (Foto: Divulgação/MS2)
“Ele patrocinava o Alex Barros, o Thiago Camilo... hoje ele não patrocina ninguém. Sei que tanto eu como ele estamos numa situação delicada. Mas me preocupa muito saber exatamente o que aconteceu. Vai dar tudo certo, mas isso foge um pouco daquilo que a gente planejou. Mas é aquilo: se fosse fácil...”, comentou.
 
Dentre tantos aspectos a lamentar, Tuka lembrou que o cenário inesperado prejudica todo o planejamento e vem na esteira de uma fase movimentada na Stock Car, com uma maratona de etapas semana sim, semana não, até a pausa após a etapa de Santa Cruz do Sul, no dia 20 de maio.
 
“É uma situação bem diferente do que você tem no fim da temporada. Quando você tem tempo, está tranquilo para trabalhar, para procurar patrocínio. E isso me pegou numa época ruim, com uma etapa a cada 15 dias. É uma situação muito, muito difícil, e vamos precisar de bastante sorte e apoio para poder passar essas duas próximas etapas. Vamos ter o descanso da Copa do Mundo, e tenho certeza que a gente vai conseguir se alinhar. Enquanto isso, a gente vai ter de sobreviver”, alertou.
Tuka Rocha comemora vitória na corrida 2 de Ribeirão Preto em 2015 (Foto: Gabriel Pedreschi/Grande Prêmio)
Por enquanto, Tuka é realista. Em que pese ter a confiança de que tudo vai se resolver da melhor forma, o piloto também entende que tem sua continuidade no campeonato ameaçada em razão do fim do patrocínio com a Híbridos Club. E destacou também o trabalho feito pela Vogel para garanti-lo no time. Rocha falou em gratidão e deixou claro que quer retribuir os esforços da equipe chefiada por Mauro Vogel.
 
“Acho que fica complicado. A equipe está fazendo um esforço enorme. A gente tem tudo para continuar. Só estou pensando que a gente vai continuar, que a gente vai até ao fim da temporada. Os esforços estão sendo feitos dos dois lados, o que é importante. Ninguém desistiu, ninguém jogou a toalha. A equipe vem conseguindo bons resultados com o Gabriel [Casagrande], a gente vai conseguir ter bons resultados, a gente vai crescer. Então estamos com um nível muito bom para jogar a toalha”, disse.
 
“É um complemento do dinheiro e de todo o trabalho, da experiência minha, de tudo o que a gente pode contar para o que planejou para a temporada. Acho que vai dar certo”, comentou.
Tuka Rocha corre contra o tempo para garantir novos patrocinadores (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
Tuka ressaltou o apoio que vem recebendo da Vogel para continuar na equipe durante a temporada e lembrou que enfrentou grandes dificuldades com patrocínios sobretudo num ano em particular: 2004, quando correu por várias equipes na F3000 Europeia. 
 

“É uma fatalidade o que aconteceu, mas acho que se a gente está aí até hoje, a equipe do Mauro, uma equipe guerreira, e eu, que sempre tive dificuldades com patrocínio... Pô, quando estava na Europa ia correr de F3000, corri com cinco equipes diferentes, não sabia se ia correr, cheguei a perder treino porque não sabia se ia poder correr, aí chegava lá e ficava sabendo... Estou encarando isso como um novo desafio”, ressaltou. 
 
“O que me deixa triste é não saber o que está acontecendo, de uma pessoa que estava aí com a gente, cumprindo desde o ano passado. Caíram algumas verdades que não sabia, sobre investimentos ou pessoas tendo prejuízos. Era uma relação total de patrocinador, sem vínculo de outra coisa que não fosse patrocínio. Então, para mim, estava tudo certo. Foi uma surpresa, fico bem triste, e fico preocupado porque quero saber exatamente o que aconteceu. A gente tem um lado humano, e é difícil acreditar que isso esteja acontecendo”, lamentou Tuka Rocha.
 
O GRANDE PRÊMIO cobre 'in loco' a etapa do Velopark com os repórteres Fernando Silva e Vitor Fazio. Acompanhe todo o noticiário da Stock Car aqui.
 
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