Em tempos de crise e constante redução de custos nas empresas como um todo, ver uma empresa investir no automobilismo é alentador. É o caso da Prati-Donaduzzi que, depois de um ano fora da Stock Car, anunciou neste fim de semana seu retorno à principal categoria do automobilismo brasileiro, resgatando a dupla formada por Antonio Pizzonia e Julio Campos. Depois de um ano fora, a farmacêutica de Toledo vai patrocinar a RX Mattheis, time chefiado por Rodolpho e Xandy Mattheis, que atualmente conta com a Shell como sua apoiadora. Trata-se de um projeto de longo prazo, de pelo menos três anos. Uma base que traz segurança aos pilotos, que confiam em lugar pelo título já a partir de 2017, um ano de muitas mudanças na Stock Car.
O GRANDE PRÊMIO conversou com Pizzonia em Curvelo. Ex-piloto de F1, o manauara de 36 anos volta à Stock Car depois de um ano atípico nas pistas. Depois da vitória ao lado de Marcos Gomes na Corrida de Duplas que abriu a temporada 2016, em Curitiba, o ‘Jungle Boy’ correu as 6 Horas de Nürburgring pela Manor no Mundial de Endurance na classe LMP2 e, neste fim de semana, o experiente Pizzonia corre como convidado da C2 no Brasileiro de Marcas.
Antonio comemorou o retorno da Prati-Donaduzzi à Stock Car e também a chance de correr em uma equipe com uma das principais estruturas da categoria, o que lhe dá a perspectiva de voltar a lutar por títulos e vitórias. Pizzonia soma três vitórias na categoria. Além do triunfo em Curitba neste ano, o amazonense venceu em Santa Cruz do Sul e em Tarumã em 2014, na época em que defendeu a Mico’s, então patrocinada pela Prati-Donaduzzi.
Antônio Pizzonia está de volta à Stock Car para a temporada 2017 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Tudo o que está acontecendo hoje nós vínhamos planejando há mais de um ano. Infelizmente, no ano passado, por uma questão de estratégia, até mesmo por uma estratégia de marketing dentro a empresa, eles decidiram não fazer a Stock Car neste ano. Mas, para a minha felicidade, todos os que estavam envolvidos neste projeto decidiram voltar, com a mesma estrutura de pilotos, mas agora com uma equipe diferente”, disse o piloto, exaltando a estrutura da RX Mattheis.
“Uma equipe que tem um histórico vitorioso, melhor em relação à equipe onde a gente estava. E temos uma esperança muito boa de ter resultados bons no ano que vem. A própria equipe está super empolgada com a nossa chegada. Tenho certeza que vai ser uma parceria de sucesso. Sabemos o quanto a Stock Car é uma categoria apertada, não vai ser fácil, mas vamos brigar por vitórias, sem dúvida nenhuma”, salientou.
Campos, por sua vez, viveu seus melhores momentos na Stock Car correndo com a cor roxa da Prati-Donaduzzi. Julio, curitibano de 34 anos, está há dez anos na Stock Car e, neste período, conquistou três vitórias. Pela Mico’s, chegou a lutar pelo título até o fim do campeonato em 2014 e liderou o começo da temporada passada antes de cair de produção. Em 2016, Campos correu pela C2 e, mesmo em um ano complicado em que teve como missão ser um dos pilares de um time que ainda está se estabelecendo na Stock Car, já venceu corrida, em Tarumã, e foi ao pódio em Cascavel.
Para o paranaense, trata-se de uma mudança bastante grande em termos de estrutura de equipe, o que lhe dá uma esperança de estar sempre entre os primeiros desde o começo da próxima temporada.
“É exatamente o contrário do que fiz neste ano. Vim para uma equipe que sabia que estava crescendo, ainda no seu começo na categoria, uma equipe muito nova, e a gente demorou umas quatro etapas, com muitos problemas no carro, mas nas últimas etapas melhoramos, ficando entre os 15, entre os dez primeiros, às vezes até entre os cinco… Conseguimos andar bem em São Paulo, então a gente vem evoluindo constantemente. E agora estamos indo para um lugar com um banco de dados de equipe que ganha corridas, campeonatos, então é colher os frutos desse trabalho que eles vêm fazendo há tanto tempo”, comentou ‘Julinho’ ao
GRANDE PRÊMIO.
Julio Campos voltará a defender as cores da Prati-Donaduzzi depois de um ano pela C2 (Foto: Vanderley Soares)
“Sabemos que é uma equipe que já vem pronta, com muitas vitórias e títulos. E estou honrado por vestir a camisa da Prati novamente e por defender uma das maiores equipes da Stock Car, se não for a maior. Estou muito feliz com o projeto, por eles terem me escolhido como piloto, e vou fazer de tudo ano que vem para que esse campeonato seja muito bom e que venham vitórias e títulos. Lutamos pelo título até à última etapa, em 2014, ano passado lideramos até à sexta, sétima etapa. Sabemos que o campeonato é muito difícil, cada vez mais acirrado, mas vamos com muita vontade e determinação para ganhar títulos”, comemorou.
Pizzonia destacou a estabilidade que um projeto de longo prazo traz, mas reforçou a responsabilidade e a cobrança por bons resultados desde o começo por estar em um time com melhor estrutura. “A segurança [pelo projeto de longo prazo] não diminui a responsabilidade que nós temos. Claro que a gente tem a segurança de trabalhar olhando lá na frente, mas ao mesmo tempo, quando o campeonato começar, vamos querer ganhar corridas logo de cara. Tem um lado bom, lógico, de ter mais tranquilidade, de fazer as coisas com mais calma, sem atropelar etapas, mas não diminui nossa responsabilidade e vontade de vencer.”
Por sua vez, Campos salientou a chance de voltar a ter Pizzonia como companheiro de equipe e reforçou a harmonia e o profissionalismo entre os dois. “É um companheiro de equipe que já tive nos últimos anos. Sabemos bem a qualidade um do outro. Vamos nos ajudar um ao outro. Um cara que tem uma experiência enorme, com qualquer tipo de carro, e conhece muito bem a Stock, então sei que ele vem para acrescentar ao máximo, fazermos todos os ajustes possíveis para brigarmos por vitórias, títulos. Temos dois pilotos para andar na frente”, comentou o paranaense, endossado pelo novo-velho colega de equipe.
“A gente trabalha de uma maneira muito unida, em benefício da equipe. Em primeiro lugar, a equipe, depois os resultados individuais. O importante é a gente levantar a equipe e, de preferência, chegar com os dois na última etapa do ano com chances de chegar ao título, como já aconteceu há dois anos. Só tenho coisas positivas. Quando vem um piloto novo, você nunca sabe se vai dar certo, então, no nosso caso, sabemos que a nossa parceria deu certo, e fico feliz em continuar porque sabemos que vai dar certo de novo”, destacou.
Antônio Pizzonia e Julio Campos vão defender novamente as cores da Prati-Donaduzzi (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Rodolpho Mattheis, ex-piloto de rali, inclusive com participação no Dakar, chefia uma das equipes do grupo comandado pelo pai, o icônico Andreas Mattheis. Depois de trabalhar neste ano com Átila Abreu e Ricardo Zonta, o carioca vai ter ao seu lado uma nova dupla de pilotos e uma estrutura completamente diferente. Na equipe do pai, sai a Red Bull com Cacá Bueno e Daniel Serra para a chegada de Thiago Camilo e Galid Osman, patrocinados pela Ipiranga. A mudança se completa com a vinda da Prati-Donaduzzi no lugar da Shell e da chegada de Pizzonia e Campos em 2017. Uma esquadra completamente renovada.
“É um ciclo novo para a nossa equipe, com um novo modelo de negócio nas nossas equipes, investindo muito para 2017, então estamos reestruturando os times para buscar mais tecnologia, mão-de-obra em termos de engenharia, patrocinadores novos”, disse o chefe da RX Mattheis ao GP, bem feliz com a chegada da Prati-Donaduzzi à sua equipe em 2017.
“Sabemos o quanto é difícil encontrar um patrocinador novo na categoria, então vamos reforçar nosso batalhão, nossa linha de frente, então vamos entrar fortes em 2017. É um prazer muito grande entrar com a Prati, que tem tradição no automobilismo, com o Julinho e o Pizzonia, dois pilotos renomados na categoria. Então é motivo de alegria e de querer começar logo a temporada e mostrar nosso trabalho”, festejou o carioca, de olho seguir a tradição de vitórias e títulos para os Mattheis na Stock Car.
“A ideia é buscar estar entre os ponteiros desde o início da temporada. A gente sabe que vai levar tempo para se adaptar, mas outras equipes também vão ter esse tempo. Vamos buscar fazer tudo o mais rápido possível para estar logo na frente desde o início do campeonato e lutar pelo título”, completou.
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