Voltando de suspensão, Gomes e Feldmann aprovam medidas antidoping na Stock Car

Marcos Gomes e Alceu Feldmann deixaram a temporada 2012 da Stock Car na metade do ano após serem suspensos por casos de doping na categoria

De acordo com as penas divulgadas inicialmente pelos tribunais do automobilismo brasileiro, nem Marcos Gomes nem Alceu Feldmann poderiam disputar as primeiras provas da temporada de 2013 da Stock Car. No entanto, recursos interpelados pelos pilotos foram aceitos, e os dois estarão no grid neste domingo (3), em Interlagos na abertura do novo campeonato com um objetivo: obter bons resultados na pista para deixar a polêmica do doping para trás.
 
Foi em 6 de maio de 2012, no Velopark, que as histórias começaram. Gomes e Feldmann foram punidos por motivos distintos. O primeiro teve maconha e outras duas substâncias acusadas em seu exame antidoping; o segundo se recusou a fazer o teste.
 
Após cumprirem suas penas e se acertarem para competir pela Carlos Alves e pela Full Time, respectivamente, em 2013, os pilotos se mostraram favoráveis às medidas antidoping praticadas na Stock Car. Medidas que, diante de seus exemplos, devem ser levadas mais a sério no futuro.

Feldmann foi punido para se negar a fazer exame antidoping no Velopark (Foto: Fernanda Freixosa/ Vicar)

“Acho normal, correto. Você tem que ter o doping para não deixar ninguém correr com vantagem ou desvantagem”, falou Feldmann ao Grande Prêmio. “Tipo, o cara está correndo bêbado, vai machucar alguém, ou o cara está correndo com alguma substância que melhora a performance e fica injusto”, avaliou.
 
Marcos até deu a entender que ‘relaxou’ diante da irregularidade da realização dos exames. "Não vinha sendo levado muito a sério até o ano passado, quando eu e o Alceu tivemos o problema”, declarou Gomes ao GP. “Acredito que agora ele vai ser levado mais a sério por todos os pilotos e que não vai ter mais ninguém com problemas”, opinou.
 
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Gomes admitiu que, quando foi avisado de que deveria se submeter ao exame antidoping após a corrida do Velopark, “imaginava” que poderia ser flagrado. “Mas não tem como. Acho que tem que fazer [o exame]. Caso seja punido, tem que pagar. Depois, a vida continua. Óbvio, ninguém quer passar por uma situação dessas, mas se você foi sujeito a isso, tem que ser punido e buscar uma forma de dar a volta por cima”, disse.
 
Ao dizer que “tem que fazer” o exame, Gomes citou Feldmann. O paranaense disse que o motivo de sua recusa foi um desencontro de informações. “Eu não sabia que tinha a TUE [isenção para uso terapêutico], então foi uma conexão de desinformações”, falou, sem detalhar aquele 6 de maio. “Não vou entrar nessa… já foi bastante falado. Fiquei seis meses falando sobre isso, agora quero falar sobre coisas boas. Não quero falar coisa ruim, entendeu?”
 
À época, Dino Altmann, diretor-médico da CBA, negou que a TUE de Alceu já estivesse pronta. Em entrevista à Revista Warm Up, Altmann disse que defenderia Feldmann nos tribunais desde que o piloto fizesse o exame.
 
Sobre a volta, Feldmann afirmou que a suspensão acabou lhe fazendo bem, tanto para resolver algumas pendências profissionais quanto pessoais – ele não sabia mais se queria continuar no automobilismo. “Nesse tempo fora, estava abrindo uma empresa, voltei a jogar squash e ganhei dois campeonatos”, contou. “Achava que estava um pouco cansado das corridas, o que não é verdade. Longe das pistas, percebi que eu, realmente, amava tudo isso e que isso faz parte da minha vida. Estava cansado e agora estou voltando muito mais estimulado. Me deu um ‘hello’ e eu pensei que é isso que eu amo”, continuou.
 

Marcos Gomes ficou fora das seis últimas provas de 2012 na Stock Car (Foto: Duda Bairros/ Vicar)

Como lição desta suspensão, Gomes destacou o amadurecimento: “Tem algumas coisas pelas quais a gente tem que passar na vida para aprender a lição, para levar mais a sério algumas coisas. É difícil falar em arrependimento, mas, como eu disse, tem certas coisas que a gente precisa passar. Se eu voltasse atrás, não prestaria atenção e não mudaria nada. Depois disso, mudou muito a minha cabeça. No futuro, as coisas vão ser diferentes”.
 
O piloto tem a consciência de que vai precisar dos resultados de pista para não ficar marcado, mas quer evitar pensar nisso. “Procuro não pensar nisso. Se eu pensar, estarei dando um tiro na minha própria cabeça. Acredito que se a gente tiver bons resultados, isso não vai ser problema para mim. Se as pessoas me marcarem, ou se alguém quiser me marcar por isso, sinceramente, não vou estar muito preocupado”, minimizou. Gomes revelou que fez um antidoping surpresa em janeiro, em sua casa.
 
Igualmente perguntado sobre ficar rotulado por este caso, Feldmann, confiante, disse que não receia. “Vou temer as coisas? Estou aí para viver, né? Não adianta ficar temendo. Vou fazer o melhor possível. Nunca tomei nada fora dos padrões normais, então não temo nada, não”, respondeu.
 
O regulamento desportivo de 2013 da Stock Car informa que pelo menos dois exames antidoping serão realizados nas 12 etapas do campeonato deste ano. O Grande Prêmio entrou em contato com a CBA para pedir esclarecimentos a respeito do doping surpresa, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

O Grande Prêmio cobre ‘in loco’ a primeira etapa de 2013 da Stock Car, em Interlagos, com os repórteres Felipe Giacomelli e Renan do Couto.

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