Rea anuncia aposentadoria do WSBK: “Se não posso correr para vencer, é hora de parar”

Piloto mais bem sucedido da história do Mundial de Superbike, Jonathan Rea anunciou nesta segunda-feira (25) que vai encerrar a carreira no fim da temporada 2025. Norte-irlandês de 38 anos soma seis títulos, 119 vitórias e 264 pódios na série das motos de produção

Uma era vai chegar ao fim no Mundial de Superbike. Piloto mais bem sucedido da história da categoria, Jonathan Rea anunciou nesta segunda-feira (25) que vai encerrar a carreira no fim da temporada 2025.

Rea, de 38 anos, é o piloto de maior sucesso da história do Mundial de Superbike. Nas 459 etapas que disputou, o norte-irlandês conquistou 119 vitórias, 264 pódios, 45 poles e seis títulos. Desde que trocou a Kawasaki pela Yamaha no ano passado, porém, viveu uma série de lesões e não conseguiu performar a contento. Jonathan chegou até a ser especulado em uma Ducati satélite no próximo ano, mas escolheu parar.

Em um vídeo postado nas redes sociais, Rea explicou que sempre correu para vencer e disse que, se não pode mais fazer isso, então é hora de parar.

“Tenho pensado sobre esse dia há muito tempo e, finalmente, decidi me afastar das corridas em tempo integral e me aposentar”, anunciou Rea. “Este esporte foi tudo para mim. De crescer na Irlanda do Norte, sonhando com motos de corrida, até alcançar o topo do Mundial de Superbike, vencendo corridas e campeonatos. Ao longo da minha carreira, só tive uma meta: vencer. Esta mentalidade definia quem eu era. Nunca corri para fazer número. Corri para ser o melhor. Chegou a hora de ouvir o meu corpo, minha mente e, mais importante, o meu instinto. Se não posso correr para vencer, é hora de parar”, seguiu.

Jonathan Rea vai se aposentar no fim da temporada do WSBK (Foto: Yamaha)

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“Tenho o mesmo amor pelo esporte desde o primeiro dia. Sou incrivelmente orgulhoso do que conquistei durante a minha carreira. Seis mundiais, mais de 100 vitórias e tantos outros reconhecimentos ao longo do caminho. Esses são alguns recordes que nunca imaginei que seriam possíveis”, comentou.

Rea aproveitou para agradecer equipes, engenheiros, familiares e rivais e garantiu que não vai se afastar do esporte, mesmo que deixe de competir.

“Não são os recordes, os troféus ou as vitórias. São as pessoas e as memórias que vou levar comigo para sempre. Tive a sorte de trabalhar com equipes, patrocinadores e engenheiros incríveis durante a minha carreira. Todos vocês foram parte desta jornada e eu estou incrivelmente grato por vocês terem me permitido viver o meu sonho”, começou. “À minha família, mãe e pai, irmão e irmãs, muito obrigado por todos os sacrifícios no início da minha carreira. Para a minha esposa, Tarsh, e os nossos filhos, Jake e Tyler, muito obrigado por serem minha âncora e minha rocha nos bons e maus momentos”, continuou.

“Aos meus rivais e competidores durante a minha carreira, obrigado por terem me feito cavar mais fundo. Fui um piloto muito melhor por causa de vocês. A todos os meus fãs, obrigado pelo incrível apoio e lealdade. Todo o apoio durante os bons e maus momentos realmente me ajudaram e me deram a carreira com que sonhei”, falou. “Ainda que esteja me afastando das corridas em tempo integral, isso não é um adeus. Serei sempre parte deste esporte, apenas de uma maneira diferente. Do fundo do meu coração, obrigado por tudo. Foi uma jornada e tanto. Vejo vocês no paddock”, encerrou.

Nascido em Ballymena, na Irlanda do Norte, Rea chegou à categoria principal do WSBK em 2009, correndo com a Honda. Na temporada de estreia, o norte-irlandês fechou em quinto na classificação, avançando para quarto no ano seguinte. Em 2011, o ano foi mais difícil, com Johnny fechando a campanha em nono. O #65 seguiu com a montadora da asa dourada até 2014, conquistando mais um quinto, um nono e um terceiro no campeonato.

A grande virada, contudo, aconteceu em 2015, quando Rea migrou para a Kawasaki. Na primeira campanha, somou 14 vitórias e um total de 23 pódios, faturando o primeiro título da carreira. No ano seguinte, a campanha foi igualmente vitoriosa, com nove triunfos.

Em 2017, mais um passeio de Rea: com 16 vitórias, 24 pódios e seis poles, chegou ao tricampeonato. O tetra veio no ano seguinte, acompanhado por 17 vitórias e 22 pódios. Em 2019, assegurou o quinto título em uma campanha com 17 vitórias e 34 pódios. A derradeira taça foi conquistada no ano seguinte, com 11 vitórias e 17 pódios.

Em 2021, Rea ficou com o vice, derrotado por Toprak Razgatlioglu por só 13 pontos. No ano seguinte, a temporada terminou com um terceiro posto, atrás de Álvaro Bautista e do turco.

No ano seguinte, Rea partiu parta um novo desafio: a Yamaha. Mas o casamento com a R1 não trouxe nem sucesso esportivo e nem tampouco sorte, já que foi marcado por lesões. Em 2024, o #65 fechou o ano em 13º, com um único pódio na conta. Agora, é o 18º, com só 37 pontos.

Atual casa de Rea, a Yamaha também se manifestou e falou em seguirem lutando juntos até o fim da temporada.

“Jonathan é um piloto extremamente talentoso que fez coisas notáveis ao longo dos 17 anos correndo no nível mais alto das motos de produção”, disse Andrea Dosoli, chefe da divisão de esporte a motor da Yamaha Motor Europe. “Ele deve ficar muito orgulhoso de olhar para trás e ter conquistado tudo que conquistou durante a carreira dele, já que é improvável que qualquer outro piloto chegue perto dessas estatísticas por um longo tempo”, destacou.

“Por muitos anos, Jonathan foi um duro rival para nós, um rival que nos pressionou e nos fez melhorar. Lutar contra um piloto do nível dele pelo Mundial foi uma honra para todos nós”, apontou. “Nos últimos dois anos, Jonathan não era mais nosso competidor, mas nosso piloto. Não é segredo que a nossa jornada juntos não aconteceu nem como Jonathan e nem como nós esperávamos, mas, apesar dos momentos difíceis, Jonathan seguiu comprometido e dedicado ao nosso projeto. Vamos seguir trabalhando duro nas nossas últimas quatro corridas juntos, já que nada nos daria mais satisfação do que ver o campeão voltar ao pódio antes de encerrar a mais maravilhosa carreira no WSBK. Agradecemos a Jonathan por todo o esforço dele, profissionalismo e dedicação, o parabenizamos pelas conquistas e desejamos a ele todo melhor para o futuro”, encerrou.

Com a aposentadoria de Rea, o Mundial de Superbike vai perder duas estrelas de uma só vez, já que Toprak Razgatlioglu está de mudança para a MotoGP para correr pela Pramac Yamaha.

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