Mundial de Superbike muda regras e inicia 2015 mais barato e com maior paridade entre fábricas e times privados
Como novo regulamento técnico em vigor, Mundial de Superbike abre temporada 2015 neste fim de semana, na Austrália. Nova regra permite maior liberdade de ajustes, mas assegura paridade entre as motos de produção
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A cobertura do Mundial de Superbike no GRANDE PRÊMIO |
A temporada 2015 do Mundial de Superbike terá seu pontapé inicial neste fim de semana, quando as 26 motos do grid se reúnem em Phillip Island para a disputa da etapa da Austrália. Além das muitas mudanças nos quadros das equipes, o novo ano do certame também traz um regulamento novinho em folha, um código que garante o desenvolvimento da moto, enquanto defende a paridade de condições.
A ideia inicial da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e da Dorna, promotora do Mundial, era adotar integralmente o regulamento EVO, introduzido em 2014, neste ano, mas a proposta acabou descartada por pressão de algumas das fábricas, que queriam mais liberdade para mexer no motor do que o regulamento proposto da Superstock permite.

Antes do início do Mundial, pilotos visitaram escola na Austrália (Foto: Divulgação/WSBK)
Assim, a Comissão de Superbike, órgão que rege o certame e reúne representantes de Dorna, FIM e MSMA [a Associação de Fábricas de Motocicletas Esportivas, na sigla em inglês], chegou a um acordo que garante maior liberdade de desenvolvimento, mas que também assegura uma maior paridade entre as motos.
O regulamento foi feito com base no código EVO, mas teve suas opções de aperfeiçoamento aumentadas. Os motores, por exemplo, terão opções limitadas de modificações, com os times obrigados a utilizarem válvulas, pistões e a maioria dos principais componentes do propulsor padrão.
A biela, por outro lado, pode ser substituída por um material similar, mas, por segurança, as partes têm de ter pesos iguais. Os times também terão a liberdade de trocar a cabeça do cilindro, mas sem solda. O cárter, entretanto, deve ser padronizado.
Além disso, as equipes terão um conjunto de relação de marchas por ano e o balanceamento não mais será feito por meio da adição de peso. Para alguns times, como a Ducati, por exemplo, a adição de carga sempre foi um problema, o que encorajava os pilotos a perderem o peso que foi acrescido ao equipamento, uma prática não muito saudável.
Novo regulamento garante liberdade das fábricas, mas assegura paridade entre as equipes (Foto: Aprilia)
“A principal mudança acontece nos motores”, explicou Scott Smart, diretor-técnico do Mundial. “Os motores serão muito mais próximos dos das motos de rua e vão representar mais aquilo que você pode comprar nas lojas. Entretanto, vamos permitir mais ajustes do que a classe EVO permitia”, continuou.
A parte eletrônica, entretanto, é a que tem mais novidades, com o Mundial de Superbikes se convertendo no único campeonato onde o desenvolvimento de software é permitido. Em comparação com a MotoGP, essa possibilidade faz muito mais sentido para as fábricas, já que a tecnologia desenvolvida com as motos de produção pode ser diretamente transferida para as motos que vão ganhar as ruas.
Para conter os custos, o regulamento estipula um preço máximo de € 8 mil (cerca de R$ 25,9 mil) para os kits da ECU e obriga que as fábricas entreguem seu software para todas as equipes clientes três vezes ao longo da temporada, uma tentativa de conter a disparidade entre as estruturas oficiais e satélites.
O chamado ‘Superbike Kit System’ deve incluir todos os componentes eletrônicos e ser completamente funcional (exceto pela fiação).

Superbike passa a ser único campeonato onde desenvolvimento de software é permitido (Foto: Suzuki)
A nova medida facilita bastante o controle de gastos, uma vez que, com pouca margem para evolução dos motores, não há muito a ser ganho com o desenvolvimento do software.
“Os times de fábrica tinham uma grande vantagem com a eletrônica, porque eles trabalham bastante para desenvolvê-la, e isso era uma desvantagem para os times menores no paddock. Isso significava que, se você é um dos times menores, você nunca teria tecnologia o bastante para competir”, lembrou o diretor-técnico. “Em 2015, cada fábrica vai poder fornecer um kit e nele você vai ter toda a eletrônica necessária na moto. E esse kit tem de estar disponível — ele tem um limite de custo bastante apertado —, para todo time do paddock que tenha a mesma máquina”, continuou.
“Algumas vezes no ano, o software tem de ser entregue pela fábrica para todos os times menores. Então agora todos os times menores vão saber que têm o mesmo equipamento que os caras de fábrica”, frisou Smart.
Para 2015 e também para 2016, regulamento vai continuar permitindo o uso do acelerador eletrônico (Ride by Wire), mas, assim como o ‘Superbike Kit System’, esse sistema também tem de estar disponível para todos os times que utilizam o mesmo maquinário. Este recurso teve um preço máximo estabelecido em € 2,5 mil (aproximadamente R$ 8,1 mil).
“Nós vamos continuar permitindo que os times que não têm o Ride by Wire modifiquem a moto para tê-lo e isso é válido por dois anos. Depois disso, na temporada 2017, todas as fábricas terão de rodar com um sistema padrão homologado. Então, em 2017, as motos que você ver na pista serão basicamente as motos que você pode comprar na concessionária”, detalhou Smart.

Novas regras miram tornar o campeonato mais barato e mais competitivo (Foto: Suzuki)
Com o novo código, o Mundial de Superbike volta a ter um único formato, com um regulamento elaborado para reduzir custos, padronizar recursos e nivelar as equipes de fábrica e satélites.
“Será um campeonato mais barato, com menos coisa a garagem, mas, acima de tudo, vai permitir que os times menores estejam em um esforço muito mais parelho ao dos times de fábrica”, encerrou o diretor-técnico.
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