Superbike

Retrospectiva 2018: Rea domina Mundial de Superbike. Carrasco faz história no Supersport 300

Pelo quarto ano consecutivo, Jonathan Rea faturou o título do Mundial de Superbike e, desta vez, quebrou o recorde ao superar a marca de 60 vitórias na categoria. A série das motos de produção, porém, teve mais um momento histórico, com Ana Carrasco se tornando a primeira mulher a vencer um campeonato solo da FIM (Federação Internacional de Motociclismo)
Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
O Mundial de Superbike pode ser menos badalado que o de Motovelocidade, mas nem por isso deixou de ter um ano histórico em 2018. Além do domínio sem precedentes de Jonathan Rea e sua Kawasaki, a série das motos derivadas de produção também assistiu Ana Carrasco se converter na primeira mulher a vencer um campeonato solo organizado pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) ao assegurar o título do Mundial de Supersport 300.
 
Dominante desde que se juntou a Kasawaki em 2015, Rea teve outro ano glorioso. Apesar da tentativa do certame de tornar o campeonato mais parelho, o norte-irlandês voltou a desfilar sua força a bordo da ZX-10RR. No total, foram 17 vitórias em 25 corridas, uma impressionante média de 68%. Além disso, o piloto de Ballymena conquistou outros cinco pódios, duas poles e registrou por 14 vezes a volta mais rápida da corrida.
Jonathan Rea igualou os quatro títulos de Carl Fogarty (Foto: Provec)
Ainda no início da temporada, durante a passagem por Brno, o piloto de 31 anos alcançou sua 59ª vitória na categoria, igualando a marca de Carl Fogarty, que perdurou por quase 20 anos. Johnny, porém, seguiu vencendo e fechou o ano com um impressionante total de 71 triunfos, cerca de 78,9% deles conquistados com as cores da Kawasaki.
 
Apesar de domínio de Rea, a temporada 2018 teve outros cinco vencedores em 2018: Marco Melandri (2), Chaz Davies (2), Michael van der Mark (1), Tom Sykes (1) e Alex Lowes (1). Ou seja, mais uma vitória da Kawasaki, quatro da Ducati e duas da Yamaha.
 
Rival mais forte nos últimos anos, a Ducati prepara uma revolução para 2019, com a introdução da nova Panigale V4 R. Até aqui, no entanto, a casa de Bolonha não fez o suficiente para parar Rea.
 
Sem rivais à altura, Johnny somou 545 pontos ao longo do ano e selou o tetracampeonato com 189 de margem para Chaz Davies, o segundo na tabela. Assim, Rea deixou Troy Bayliss para trás e igualou o lendário Carl Fogarty em número de títulos, mas é o único a ter conseguido suas vitórias em sequência.
 
A Kawasaki, por sua vez, celebrou a quarta conquista seguida, desta vez com um total de 570 pontos, 111 a mais que a Ducati. A Yamaha ficou com o terceiro posto na tabela, 192 pontos atrás da campeã.
 
Após mais um ano de domínio, a pergunta que fica para 2019 é: alguém pode parar Jonathan Rea?
 
Fazendo história
 
Rea, porém, não foi o único destaque do campeonato promovido pela Dorna. Aos 21 anos, Ana Carrasco entrou para a história como a primeira mulher a conquistar um campeonato solo da FIM. A espanhola foi campeã do Mundial de Supersport 300 em uma final disputadíssima, que teve o vice-campeão Mika Pérez superado por apenas um ponto.
Ana Carrasco é a primeira mulher campeã em um Mundial solo da FIM (Foto: DS Junior)
Muito embora a categoria não seja lá de muito destaque no mundo das duas rodas, o feito de Ana tem importância ímpar por se tratar da primeira vez que uma mulher vence um campeonato misto da entidade máxima do esporte. Com duas vitórias, duas poles e quatro voltas mais rápidas, Carrasco comprova que a igualdade de gêneros é possível no esporte. 
 
Com o feito de 2018, Carrasco se transforma em uma referência para todas as meninas que almejam um futuro no esporte e também cala aqueles que dizem que homens e mulheres não podem competir em condições de igualdade.
 
Ainda que o título de Ana não sirva para enterrar de vez a desigualdade que existe no mundo do esporte a motor, a conquista certamente servirá para atrair mais mulheres e também de argumento para aqueles que buscam condições iguais para competir.
 
Mesmo em uma categoria de pouca expressão, a vitória de Ana é um dos principais feitos do esporte a motor em 2018.