Por que mercado de pilotos da Indy está travado além de enigma da Penske
Will Power ou David Malukas? Enquanto a Penske demora para definir o futuro do #12, pilotos pagantes ocupam vagas e a silly season da Indy segue travada
Will Power e Penske contribuem para o marasmo que se tornou o mercado de pilotos da Indy para a temporada 2026, mas não são os únicos responsáveis por isso. Com o aumento recente dos custos na categoria, pilotos pagantes como Nolan Siegel, Kyffin Simpson, Devlin DeFrancesco, Sting Ray Robb e Jacob Abel ganham importância para as equipes e, muitos deles, ocupam vagas sem o devido mérito.
A situação de Power na Penske parece cada vez mais encaminhada para a saída do australiano, cujo assento seria ocupado por David Malukas, atualmente na Foyt. Caso aconteça uma reviravolta e o bicampeão consiga uma sobrevida no carro #12, o piloto norte-americano com ascendência lituana permaneceria na equipe chefiada por Larry Foyt. Embora não haja uma decisão oficial, o cenário se resume a uma dessas duas possibilidades.
Com Dennis Hauger e Caio Collet pedindo passagem na Indy NXT, a indefinição sobre Power contribui para a estagnação, mas não é o único motivo pelo qual as equipes não se movimentam para contratar novos talentos. Alguns times esperam o fim da temporada para negociar com o australiano, mas os pilotos pagantes ocupam vagas que poderiam ser melhor aproveitadas por jovens promessas ou por competidores mais qualificados.
Pilotos pagantes sempre existiram no automobilismo, mas o cenário atual traz casos semelhantes ao de Lance Stroll — cujo pai comprou uma equipe para o filho correr na Fórmula 1. O montante que Siegel, Simpson, DeFrancesco, Robb e Abel investem para bancar a participação na Indy é equivalente ao valor de um charter da categoria.

Dos cinco mencionados, Simpson é o único que, ao menos, não tem um forte motivo para ser demitido. A chegada do piloto das Ilhas Cayman à Indy foi bastante contestada, mesmo com a Ganassi adicionando um quinto carro para a temporada 2024, pois seus resultados nas categorias de base sempre foram discretos. Novas críticas surgiram quando a equipe o confirmou para 2025, especialmente ao repassar Marcus Armstrong para a Meyer Shank e dispensar Linus Lundqvist, o novato do ano. Pelo menos, no campeonato atual, Simpson mostra um desempenho honesto — com um pódio em Toronto, dois top-5 e cinco resultados entre os dez primeiros —, apesar de estar distante na tabela de pontuação de seus companheiros, Álex Palou e Scott Dixon.
Pela McLaren, Siegel não chega perto do desempenho de Pato O’Ward e Christian Lundgaard, que chegaram a disputar posições com Palou. O piloto do carro #6 não conseguiu terminar nenhuma corrida entre os cinco primeiros e tem somente dois top-10. Os outros três mencionados — Robb, DeFrancesco e Abel — ocupam as três últimas posições entre os 27 competidores da temporada, e o fraco desempenho reforça a tese de que mantêm seus lugares pelo dinheiro que injetam nas equipes.
O dinheiro aportado por esses pilotos não beneficia apenas seus próprios carros. Parte do valor é usada para manter a estrutura geral da operação. Com os custos dos charters e dos motores híbridos, os times buscam recursos de todas as formas para fechar as contas no azul.
No último ano, após fechar com Robb para 2025, Ricardo Juncos, sócio da Juncos Hollinger, admitiu que precisava de pilotos pagantes para cobrir esses custos e usou como exemplo Siegel e Simpson, na McLaren e Ganassi. “Se as equipes grandes precisam, imagine nós”, disse à época, em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO.

Dos cinco, Abel é quem tem a presença mais ameaçada para 2026. Seu desempenho geral está distante do penúltimo colocado na maioria das corridas, e o montante que ele investe na Dale Coyne poderia ser coberto por outro piloto ou patrocinador. No fim de 2024, a Ganassi tentou alugar o charter da equipe, mas o valor pedido foi considerado alto. A Andretti, que não tem vaga para Hauger, poderia negociar o mesmo tipo de parceria.
Zak Brown já confirmou a permanência de Siegel, assim como Simpson está alinhado com a Ganassi. Robb e a Juncos também devem continuar a parceria, enquanto a situação de DeFrancesco, apesar de um contrato multianual, ainda depende de ajustes para ser confirmada — o que faz alguns pilotos rondarem a RLL na esperança de uma possível vaga.
Sob esse panorama — e com a Andretti reforçando a continuidade de Marcus Ericsson, apesar do desempenho decepcionante em 2025 —, as vagas estão escassas na Indy. Ao mesmo tempo, caso Power de fato saia da Penske, a oportunidade na Foyt se torna valiosíssima. O time virou uma espécie de ‘Penske B’ após a aliança técnica entre as equipes. A ida de Malukas para lá foi, de fato, para formar um piloto para a esquadra de Roger Penske, o que está prestes a acontecer.
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Se o intuito da parceria é também desenvolver pilotos, o encaixe de Collet na equipe seria ideal. Seria um indicativo de que ele teria a chance de crescer na IndyCar e se desenvolver em uma disputa interna com Santino Ferrucci, que, embora não confirmado, está bem próximo de continuar.
O mistério fica em torno da Prema. Robert Shwartzman, pole nas 500 Milhas de Indianápolis, e Callum Ilott, que vem de dois top-10, fazem um bom papel, mas sofrem com as dores de crescimento de uma equipe com patrocínio limitado. A expectativa é pela continuidade do projeto, que tem apenas um ano, mas os italianos podem ser seduzidos pelos milhões de dólares de um piloto pagante — algo que tem se tornado cada vez mais comum na categoria.
A Indy retorna no dia 24 de agosto para o GP de Milwaukee, no oval localizado em West Allis, no Wisconsin. Será a penúltima etapa da temporada e terá cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.
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