Antonelli enfim estreia na F1 com 1ª bronca pública, mas é menor dos culpados por queda
Andrea Kimi Antonelli é dos melhores pilotos surgidos nos últimos anos e fatalmente estaria na F1 mais cedo ou mais tarde. Foi mais cedo, e talvez cedo demais, e é por isso que a Mercedes não pode ser tirada da equação diante do declínio do jovem no Mundial de 2025
Talvez a questão soe um tanto estranha, principalmente por se tratar de um novato na temporada 2025 da Fórmula 1, mas é inevitável olhar para os resultados recentes de Andrea Kimi Antonelli e não se perguntar o que, afinal de contas, aconteceu com o jovem italiano desde que o Mundial entrou na perna europeia. Mais esquisito ainda se for levado em conta que a passagem pelo Velho Continente é sempre muito aguardada por conta dos chamados circuitos permanentes que também fazem parte dos calendários das categorias de base — traçados muito bem conhecidos, portanto. Acontece que a queda natural de performance da Mercedes também expôs da forma mais cruel como atropelar etapas na preparação da F1 pode custar um alto preço.
É por isso que Kimi é o menor dos culpados, mas tal constatação também não abre precedente para que se passe sempre a mão por sua cabeça. A impressão, aliás, é que a bronca pública de Toto Wolff, o chefão da Mercedes, também simbolizou uma espécie de gota d’água, afinal, não foi o primeiro e nem o segundo erro de Antonelli em 2025. Desde o atropelo a Max Verstappen logo após a largada do GP da Áustria, fazia-se necessário um leve puxão de orelha — que certamente aconteceu nos bastidores, tanto que ele não pensou duas vezes e foi pessoalmente nas instalações da Red Bull se desculpar pela barbeiragem.
Só que não parou por aí. Na Bélgica, Antonelli pôs mais um vacilo na conta ao rodar e terminar a prova em um distante 16º lugar. Antes, na Inglaterra, quando teve a corrida comprometida depois de ser acertado por Isack Hadjar, admitiu que não se sentia confiante ao volante do carro. E quando chegou à área de imprensa em Spa-Francorchamps, não conseguiu esconder os olhos um tanto marejados de lágrimas.
Depois, nos Países Baixos, o atropelado da vez foi Charles Leclerc, que considerou o rapaz “otimista demais” ao tentar ultrapassá-lo em um ponto improvável. Desculpas pedidas, desculpas aceitas, a parada seguinte foi o GP da Itália, em passagem que só não o colocou mais em evidência do que a Ferrari, a dona da festa, mas as rodas postas na brita na largada foram demais para Wolff. “Você não pode jogar o carro na brita e esperar estar na frente”, disparou, resumindo a performance a uma palavra: decepcionante.

Claro que a crítica direta aos microfones da imprensa precisa ser entendida da forma como ela é, sem entrelinhas. Antonelli é o titular de uma das quatro equipes de ponta, time este que disputa ao menos o vice-campeonato no Mundial de Construtores (se é que há alguma glória em ser o melhor do resto). Foi o escolhido para a vaga por ter sido considerado capaz de encarar tal desafio, ainda que ela trouxesse cobranças naturais. Foi assim com todos que um dia chegaram à F1, dos hoje esquecidos aos já consagrados — inclusive, Verstappen foi uma das vozes que saíram em defesa de Antonelli e lembrou que também fazia muitas bobagens quando mal havia deixado a adolescência.
A chamada de Toto, portanto, é completamente compreensível, ainda que Antonelli tivesse total consciência da culpa em cada um dos episódios supracitados. Mas a postura em retardar tanto a crítica merece olhar pouco mais cuidadoso, pois se você não toma as rédeas no momento em que deve ser feito, deixa margem para que outros se sintam no direito de fazer isso, e as palavras vindas de fora raramente são mais gentis. Não há razão para tentar blindar Kimi de opiniões fomentadas pela própria decisão da Mercedes ao colocar um rapaz que dois anos atrás estava na FRECA para ocupar o posto deixado por ninguém menos que o maior vencedor de todos os tempos da F1.
Esse fato, aliás, sempre será posto nas discussões em torno de Antonelli. Era realmente o momento certo? Por que não deixá-lo mais um ano na F2? Ou por que não fazê-lo trilhar o mesmo caminho de George Russell, que primeiro criou casca na complicada Williams? Todos sabiam desde o começo que se Kimi não tivesse estreia meteórica, tal como Lewis Hamilton na McLaren, em 2007, rapidamente sairia de ‘talento geracional’ para ‘piloto comum’ — e aqui, infelizmente, não há nem o argumento do carro da Mercedes não ser tão bom, pois Antonelli não acompanha há tempos o ritmo de Russell.
E Kimi acabou se tornando também responsável pelo declínio da Mercedes na classificação. Da Emília-Romanha até Monza, foram dez corridas e apenas 18 pontos somados. No mesmo período, Russell fez 101. A Ferrari, principal adversária hoje na briga pelo vice entre os Construtores, anotou 186 com Leclerc e Hamilton e assumiu o segundo lugar na classificação. Mas, novamente: o próprio Antonelli se torna o menor dos culpados diante da má condução de sua carreira, que teve, sim, atropelos aqui e ali, por mais que alguém argumente que ele rodou 10 mil km em testes com carros anteriores, portanto chegou aonde chegou muito bem preparado. Não há quilometragem que supere a prática de um fim de semana de corrida.
Mas essa última certificação também oferece importante contraponto pensando em 2026. Passado o susto da estreia, com os choques de realidade e tudo mais, a tendência é vermos um Antonelli muito mais relaxado e em busca da verdadeira performance. O que esse rapaz fez por todas as categorias que compõem a escada da F1 por onde passou não pode em nenhum momento ser descartado. Mesmo na F2, quando apanhou do instável carro da Prema, alcançou uma das performances mais impressionantes ao vencer a sprint da Inglaterra, sobrando no asfalto molhado. Também encheu os olhos de muitos em Spa-Francorchamps — novamente debaixo de chuva — ao efetuar ultrapassagem corajosa na subida da Eau Rouge para cima de Franco Colapinto.
São coisas que, realmente, não é qualquer um por aí que faz. Antonelli é um dos melhores pilotos surgidos nos últimos anos e fatalmente estaria na F1 mais cedo ou mais tarde. Foi mais cedo, e talvez cedo demais, mas o lugar dele definitivamente é entre os ditos melhores 20 pilotos do mundo.
A F1 retorna neste fim de semana, de 19 a 21 de setembro, em Baku, palco do GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 17ª etapa da temporada AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 05:30 | 07:30 | 09:30 | 10:30 |
| Treino livre 2 | 09:00 | 11:00 | 13:00 | 16:00 |
| Treino livre 3 | 05:30 | 07:30 | 09:30 | 10:30 |
| Classificação | 09:00 | 11:00 | 13:00 | 16:00 |
| Corrida | 08:00 | 10:00 | 12:00 | 13:00 |
*Horário de Brasília
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!