Pilotos aprovam chance de aumento de sprints na F1, mas rejeitam grid invertido

As estrelas da Fórmula 1 foram questionadas durante as entrevistas desta quinta-feira (18), em Baku, sobre o possível aumento no número das sprints e a adoção de um grid invertido. Apesar das provas curtas receberem aprovação por parte dos pilotos, a ideia de inverter o pelotão não agrada a muitos

A Fórmula 1 divulgou nesta última semana o calendário das corridas sprint da temporada 2026. Mesmo com algumas mudanças, o formato segue igual e o número de fins de semana especiais também, com seis etapas com corridas mais curtas aos sábados. Porém, a possibilidade desta quantidade aumentar já para 2027 movimenta o paddock, que reagiu a possíveis ajustes no formato em um futuro próximo.

Nico Hülkenberg se mostrou favorável às sprints e disse gostar do formato, mas destacou que a escolha dos circuitos é fundamental para o sucesso do modelo. O alemão ainda ressaltou que a F1 precisa encontrar um equilíbrio entre o lado do entretenimento e a busca pela performance máxima.

“Pessoalmente, sou fã das sprints. Não me incomodam. Acho que depende um pouco da escolha das pistas. Sobre o grid invertido, honestamente, não sei. Tenho sentimentos mistos quanto a isso. É um desafio que a F1 enfrenta. O esporte é popular e, claro, você sempre quer reforçar e melhorar o lado do entretenimento, mas também precisa equilibrar com o lado da performance. Para nós, como esporte, buscamos a performance máxima. Encontrar esse equilíbrio não é fácil. Também precisamos dos treinos, porque buscamos perfeição e desempenho absoluto. Então, com certeza, é preciso equilíbrio, mas estou sempre aberto a mudanças”, explicou o alemão da Sauber.

Pierre Gasly foi mais uma a se posicionar contra mudanças radicais, embora tenha brincado que não se importaria com grids invertidos neste ano, já que a Alpine amarga o fundo do pelotão. Ainda assim, destacou que o atual formato já é bastante eficiente, permitindo aos pilotos e engenheiros otimizar o carro ao longo das sessões e entregar o melhor desempenho possível no domingo.

Pierre Gasly aprova o formato atual das sprints (Foto: AFP)

“Eu não me importaria com grid invertido neste ano. Acho que primeiro temos de olhar para a performance no ano que vem, e aí eu teria uma resposta mais precisa. Mas concordo totalmente com Nico. Temos de manter parte do DNA do esporte. Os formatos atuais são muito bons. Do ponto de vista do piloto, temos três sessões para trabalhar no carro. Para a engenharia, também é ótimo otimizar e aperfeiçoar o carro para a classificação. E aí temos a corrida principal, que é o evento mais importante. Acho válido testar, mas, ao mesmo tempo, acredito que já temos um produto excelente, formatos fortes, que os fãs gostam. Eu ficaria feliz em deixar como está. Mas tenho certeza de que ainda vamos experimentar, e talvez eu mude de ideia no futuro”, reconheceu Gasly.

Oscar Piastri reforçou que ter mais corridas sprint pode ser positivo, mas rejeitou a ideia de grids invertidos. O australiano argumentou que, diferente da F2 e F3, onde esse formato serve para dar visibilidade a jovens pilotos, na Fórmula 1, o foco está sempre nos resultados finais.

“Acho que adicionar mais sprints não é necessariamente uma má ideia. Mas não acho que deva ser todo fim de semana. Sobre o grid invertido, pode parecer óbvio vindo de mim, mas acho uma péssima ideia. Do ponto de vista esportivo e competitivo, o que menos queremos é que resultados decisivos sejam definidos em corridas de grid invertido ou coisas assim. Na F2 e F3 funciona porque não é necessariamente sobre quem vence. Na Fórmula 1, não há nada acima de conquistar o título. Na F2 e F3, você está basicamente mostrando por que merece chegar à F1, e acho que esse formato ajuda a destacar algumas coisas. Então, mais sprints, tudo bem, mas grid invertido não é uma boa ideia”, ponderou o atual líder do Mundial de Pilotos

Andrea Kimi Antonelli classificou os finais de semana de sprint como um grande desafio e, ao mesmo tempo, divertidos. O novato também destacou a adaptação rápida que o formato exige, já que há apenas um treino livre antes da classificação, e disse que gostaria de ver mais provas desse tipo no futuro.

Andrea Kimi Antonelli gosta dos desafios de um fim de semana sprint (Foto: AFP)

“Acho os finais de semana de sprint bem emocionantes, porque é um desafio ter só um treino livre e depois já ir direto para a classificação. Em apenas uma sessão, você precisa coletar muitas informações, tanto para a classificação quanto para a corrida. Mesmo tendo a sprint depois, ainda tentamos aprender mais nesse aspecto. É intenso, muito desafiador, e isso é bom. São animadas. O fim de semana fica bem mais ativo, é divertido. Tenho gostado bastante dos finais de semana de sprint este ano, então não me importaria em ter mais no futuro”, opinou Antonelli. 

Titular da Aston Martin, Lance Stroll também se mostrou favorável às sprints, apontando que elas tornam os finais de semana mais emocionantes tanto para pilotos quanto para torcedores, além de relembrar a regra antiga de parque fechado e como ele embaralhava o grid.  

“Eu gosto dos finais de semana de sprint. Toda vez que entra no carro há algo pelo que lutar, e isso torna o fim de semana muito mais emocionante para as equipes, os pilotos e os fãs. Eu gostava de como fazíamos há alguns anos, quando fechavam o parque fechado já após o primeiro treino, porque muitas vezes víamos equipes acertando ou errando completamente, e isso embaralhava bastante o grid. Hoje, em fins de semana normais, e até mesmo reabrindo o parque fechado, você vê as equipes ajustando o carro para classificação e corrida, e no fim quase todos terminam de acordo com o ritmo. Quando temos menos tempo para trabalhar no carro, às vezes algumas equipes acertam, outras erram, e isso mexe com o grid, deixa tudo mais interessante. Gostaria de ver mais corridas sprint. Seria interessante ter menos tempo e ver o que cada equipe consegue fazer”, comentou Stroll em Baku. 

Pro fim, Liam Lawson concordou com a visão de Stroll e destacou que o grande atrativo das sprints é oferecer aos pilotos mais oportunidades de competir.

Liam Lawson aprova a ideia de ter duas corridas em um fim de semana (Foto: Gabriel López/Grande Prêmio)

“Concordo. Ter mais finais de semana de sprint é mais emocionante. Como Lance disse, com sprints, praticamente toda vez que entra no carro está competindo. O TL1 ainda é uma sessão de treinos, mas já serve de preparação para a classificação, e você precisa resolver tudo o mais rápido possível. Isso é empolgante. Além disso, temos duas oportunidades de correr. Como pilotos, adoramos correr, e isso deixa o fim de semana bem mais animado. Eu não me importaria em ver mais sprints”, disse o titular da Racing Bulls.

F1 retorna neste fim de semana, de 19 a 21 de setembro, em Baku, palco do GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 17ª etapa da temporada AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP do Azerbaijão de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 105:3007:3009:3010:30
Treino livre 209:0011:0013:0016:00
Treino livre 305:3007:3009:3010:30
Classificação09:0011:0013:0016:00
Corrida08:0010:0012:0013:00

*Horários de Brasília

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