Marc Márquez lembra lesão e assume: “Há 2 anos, não poderia imaginar esta forma”

Perto de alcançar o nono título mundial da carreira, Marc Márquez lembrou as dificuldades que enfrentou com a fratura no braço direito e recordou tudo que fez para recuperar a competitividade na MotoGP

Às vésperas de conquistar o nono título mundial da carreira ― o sétimo deles na MotoGP ―, Marc Márquez reconhece que, há dois anos, não imaginaria estar na forma atual. O espanhol destaca que está curtindo o atual momento, mas sem tirar os pés do chão, já que hoje tem ciência que as coisas podem mudar de uma hora para outra.

Marc enfrentou uma verdadeira epopeia por causa de uma fratura no braço direito e chegou a cogitar encerrar a carreira no Mundial de Motovelocidade.

“Há dois anos, não poderia imaginar que estaria nessa forma”, disse Márquez ao site oficial da MotoGP. “Estou aqui, pois estou desfrutando e a forma que desfruto é vencendo. Agora, estamos vencendo muito. Por isso, me sinto relaxado e com muita confiança, mas sei, por que tenho experiência, que, de um dia para o outro, tudo pode mudar”, continuou.

Marc lembrou a lesão de 2020, quando fraturou o braço direito em um acidente em Jerez de la Frontera na abertura da temporada, e reconheceu que o erro foi ter tentado acelerar o retorno às pistas. O #93 chegou a fazer flexões ainda no hospital para tentar voltar às pistas na mesma semana da primeira operação.

Marc Márquez recordou o esforço que fez para voltar ao auge na MotoGP (Foto: AFP)

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O estresse físico, porém, acarretou uma série de problemas. O primeiro problema surgiu dias depois da lesão, quando o esforço de tentar recuperar a forma física culminou com danos à placa de titânio colocada para estabilizar a fratura, o que levou a uma segunda cirurgia.

A recuperação, contudo, não acontecei como previsto, o que resultou em uma terceira intervenção. Ao voltar para a pista, Marc seguia incomodado, que resultou na quarta e definitiva intervenção médica.

“Você vem de quatro campeonatos seguidos e se sente invencível, como se nada pudesse te acontecer. O maior erro vou voltar rápido demais”, assumiu. “Por que voltei tão rápido? Com a confiança extra que eu tinha naquele momento, sentia que nada poderia acontecer. Estava em casa tentando me recuperar. Isso foi duro, mas o pior momento foi quando voltei em 2021, comecei a correr e não me sentia bem”, contou.

“Meu corpo estava estranho, não estava correndo bem, sentia o meu braço de uma forma estranha. Então percebemos que havia uma rotação no meu braço, porque insisti dizendo que havia algo ali. Sentia meu braço em uma posição e, de repente, sentia em outra. Tinha muita dor todo isso. Isso foi o mais difícil, pois não tinha motivação nenhuma para continuar”, relatou. “Estive perto de me aposentar. Inclusive, me fazia essa pergunta: ‘Por que não paramos e pronto?’. Mas tinha algo dentro de mim que me dizia: ‘Por que não? Por que preciso parar?’. Queria mostrar a mim mesmo e responder essa pergunta dizendo se era competitivo e, quando respondi, foi a hora de buscar a melhor moto do grid, que era a Ducati. Esse foi o meu objetivo. Esqueci das relações, do dinheiro, da história, pois só queria responder essa pergunta”, justificou.

Marc lembrou, ainda, a transferência para a Gresini e frisou que a temporada 2024 era decisiva para ele. No time de Nadia Padovani, o #93 formou dupla com o irmão, Álex Márquez.

“Tinha comentários muito bons do meu irmão, e Álex me ajudou a tomar essa decisão. Eu disse: ‘Vou tentar por um ano e ver se sou competitivo. Se não fosse competitivo naquele ano com a Gresini, estava certo de que a minha carreira terminaria”, contou. “Deixar a Honda e ir de graça para uma equipe como a Gresini só para mostrar a mim mesmo que eu era competitivo foi um grande desafio, no qual arrisquei um montão de coisas”, ponderou.

A aposta, porém, deu certo. Com a GP23 nas mãos, Marc conquistou três vitórias, dez pódios e duas poles, fechando o ano com o 392 pontos e a terceira colocação no Mundial de Pilotos.

“Reforcei a minha confiança e o sentimento de vencer outra vez foi muito especial, mas, no momento em que cheguei à fábrica da Ducati, soube que estava no lugar certo para brigar pelo campeonato. Preparei a minha pré-temporada e a minha temporada com um só objetivo, que era vencer o Mundial. Mas, claro, a forma como estamos lutando pelo campeonato é algo que ninguém poderia prever. Ganhar muitas corridas, em circuitos onde eu normalmente sofria, é algo incomum e difícil de repetir”, reconheceu.

Por fim, Marc concluiu que, com ou sem título, entende que conseguiu um êxito, já que, quando encerrar a carreira, saberá que fez tudo que estava ao alcance dele.

“Se você tenta, não significa que vai conseguir. Mas, de toda forma, isso já é um êxito, porque se você não tenta, não tem como saber”, indicou. “Quando me aposentar algum dia, saberei que tentar mais do que tentei, era impossível”, encerrou.

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