Singapura ensaia armadilha para McLaren e põe Red Bull na rota da disputa do título

A sexta-feira de treinos livres do GP de Singapura terminou com mais perguntas do que respostas. A McLaren liderou com Oscar Piastri, mas não pareceu tão dominadora quanto em outros tempos. Por outro lado, Max Verstappen fez valer as atualizações do carro da Red Bull e deve se tornar o fiel da balança na disputa com os papaias. E tudo isso ainda cercado por gente que deseja também tirar uma casquinha, como a Racing Bulls e a Aston Martin

A Fórmula 1 desembarcou em Singapura tentando o que parecia impossível antes da pausa das férias do verão europeu. Ou seja, criar um clima de disputa real e que vá além dos muros da McLaren. E até aqui, o plano parece funcionar. É que, embora Oscar Piastri tenha liderado a sexta-feira (3) de treinos livres, a sensação é de que o carro papaia sofreu mais do que se imaginava nas ruas de Marina Bay. Aliado a isso, ainda existe aí também uma brecha interessante, porque Max Verstappen terminou o dia muito satisfeito com o comportamento do RB21 e, mais que isso, a pouco mais de 0s1 do líder australiano, na terceira posição da tabela. Entre eles, surgiu um intrépido Isack Hadjar, o que apenas torna tudo ainda mais promissor, diante da expectativa de uma reviravolta em 2025.

A impressão geral de que a equipe laranja flerta com o perigo se dá, claro, após as derrotas para Verstappen na Itália e no Azerbaijão. Mas esse ponto é reforçado pelo fato de que o GP de Singapura passou a ser considerado um divisor de águas no que diz respeito à briga pelo campeonato. Quer dizer, se o tetracampeão taurino for capaz de vencer novamente, mas em um circuito tão próprio para a McLaren quanto o de Marina Bay, o cenário passa a ser totalmente diferente na reta final da temporada.

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Por isso, a ideia de que a etapa asiática pode se transformar em uma grande armadilha. A McLaren ainda é favorita à taça e à vitória neste domingo. Afinal, o traçado urbano de Singapura se adapta muito bem aos caprichos do MCL39. As curvas de baixa velocidade, a natureza que pede um ajuste de alta carga aerodinâmica e o extremo cuidado com os pneus são os pontos fortes. Só que o time chefiado por Andrea Stella terá de lidar com o avanço de Verstappen e a própria disputa interna entre Piastri e Lando Norris. E é aí que mora o perigo, de fato.

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Até em função disso, o australiano tratou de liderar o dia e tem muito claro em mente o que realmente vale em Singapura. Como toda a pista travada na F1, o circuito é de difícil ultrapassagem, o que coloca a classificação como o ponto determinante. “Peguei o jeito com os pneus médios no final e, depois, os macios pareceram bons. Obviamente não tivemos uma simulação de corrida muito representativa, mas o carro esteve em um bom lugar”, começou Piastri.

“E aqui, a classificação é parte fundamental do fim de semana — é importante em todos os lugares, mas especialmente aqui é uma das mais decisivas”, reforçou. “Então, é melhor se classificar mais à frente e lidar com o desconhecido na corrida do que largar mais atrás sabendo exatamente o que vai acontecer, porque isso realmente não vai te ajudar”, completou.

De fato, os treinos falaram pouco sobre o ritmo de corrida, uma vez que a maioria dos pilotos se dedicou à simulação de volta única. E um segundo agravante foram as bandeiras vermelhas ao longo do dia, que tornaram tudo mais problemático. Ainda assim, a McLaren saiu mais preocupada do que qualquer outra coisa, principalmente porque, além de uma tabela mais parelha, Norris enfrentou dificuldades. “Um dia ruim. Nunca encontrei um bom equilíbrio. A boa sensação que tive aqui no ano passado ainda está longe. Temos muito trabalho a fazer”, disse.

“Um primeiro dia de pista com sentimentos mistos em Singapura, com várias interrupções causadas por bandeiras vermelhas, o que gerou diversos desafios para a equipe, incluindo uma colisão no pit-lane, que obviamente não é o ideal neste estágio do fim de semana”, reconheceu o chefe da McLaren.

“Apesar de uma segunda sessão que não foi das mais simples, conseguimos cumprir a maior parte do programa, mas, assim como o restante do grid, ainda estamos carentes de voltas para obter uma compreensão mais ampla do acerto ideal do carro e do comportamento dos pneus neste fim de semana”, detalhou o italiano. “E como sempre, a disputa está extremamente acirrada.”

Enquanto a McLaren se viu às voltas com um dia de incertezas, a Red Bull celebrou “a melhor sexta-feira em anos em Singapura”, como descreveu o consultor Helmut Marko. Aqui está o perigo também. A equipe austríaca não esconde que também vislumbra a chance de entrar, ainda que tardiamente, na luta pelo título e seguiu investindo em desenvolvimento. Depois de trabalhar melhor no acerto geral do RB21 em Monza e em Baku, os engenheiros taurinos levaram para Marina Bay uma nova versão da asa dianteira, na tentativa de ampliar a performance em um traçado tão exigente e longe das caracterísicas do carro — que costuma apreciar mais trechos e curvas de alta velocidade. Acontece que a revisão da configuração tornou o modelo azul-marinho bem mais eficiente, especialmente nas curvas de baixa velocidade e no ataque às zebras — ponto forte também da McLaren.

“Os carros não saltam mais sobre as ondulações. O desequilíbrio desapareceu. E pela primeira vez, Max não reclamou”, contou Marko, que teve a declaração corroborada por Verstappen. “O carro não apresentou problemas. Acho que o TL1 foi bom, o carro estava bem. Como nos últimos finais de semana, sem grandes questões”, explicou Max. “No TL2, tentamos algumas coisas. No geral, estou bem feliz, mas precisamos de um pouco mais de velocidade para brigar na frente do grid.”

“Há algumas coisas que ainda queremos fazer melhor. Veremos amanhã se será bom o suficiente para brigar pela pole”, emendou o neerlandês.

Então, dá para imaginar já um cenário de disputa acirrada entre McLaren e Verstappen, mas não é prudente também descartar a presença de penetras. Afinal, a sexta-feira revelou a versatilidade da Racing Bulls nas mãos de Hadjar — segundo colocado na folha de tempos, 0s1 atrás de Oscar e apenas 0s011 à frente de Max. “Nosso carro aguenta qualquer pista, mesmo que ainda sejamos um pouco melhores em curvas rápidas do que em curvas lentas”, disse o francês. É um fato: o carro branquinho da equipe B da Red Bull é um foguetinho e pode desempenhar um papel interessante ao lado do tetracampeão.

Mas há ainda a Aston Martin. Fernando Alonso foi o quarto, 0s163 pior que o líder do dia. O carro inglês parece gostar realmente de circuitos de baixa velocidade. O senso de oportunidade do espanhol também deve fazer a diferença. Enquanto isso, Ferrari e Mercedes, que brigam pela vice-liderança do Mundial de Construtores, viveram um dia conturbado e parecem ainda longe de algum patamar competitivo. Terão trabalho pela frente.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 306:3008:3010:3011:30
Classificação10:0012:0014:0015:00
Corrida9:0011:0013:0014:00

*Horários de Brasília

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