Mercedes assume choque com domínio de Russell em Singapura: “Caixa de surpresas”
Toto Wolff reconheceu que nem mesmo a Mercedes esperava a vitória de George Russell em Marina Bay e disse que imprevisibilidade da atual geração de carros permite surpresas
Toto Wolff reconheceu que nem mesmo a Mercedes esperava vencer o GP de Singapura, disputado no domingo (5). George Russell dominou a etapa de Marina Bay, conquistando a segunda vitória na temporada 2025 e encerrando um longo jejum do time nas ruas do circuito asiático — onde não vencia desde 2018. O chefe da equipe alemã disse que essa era a última corrida que esperava triunfar, admitindo que a pista nunca foi favorável ao desempenho dos carros prateados na era do efeito solo.
Russell largou da pole-position e manteve o controle absoluto da prova, resistindo a Max Verstappen — que partiu de pneus macios. A Mercedes mostrou força incomum no calor e na complexidade do traçado de Marina Bay, ponto fraco da equipe nos últimos anos.
“Se fizesse uma lista de todas as corridas que achava possível vencer neste ano, esta estaria no fim”, disse Wolff. “Se alguém tivesse me dito que dominaríamos do jeito que fizemos, não teria acreditado”, seguiu.
Há, porém, fatores que ajudam a explicar o bom desempenho. As temperaturas da pista em Singapura se mantiveram mais baixas do que esperado, entre 33°C e 34°C, o que beneficiou o equilíbrio térmico dos pneus. Além disso, o traçado urbano, com poucas curvas longas e rápidas, reduziu a carga lateral sobre os compostos, algo semelhante ao que ocorreu em Montreal, palco da outra vitória de Russell neste ano.

Outro ponto destacado foi o desempenho abaixo do esperado dos principais rivais. A Red Bull, ainda em fase de recuperação, se surpreendeu com a boa forma de Verstappen e terminou satisfeita com o segundo lugar. A McLaren, por sua vez, teve desempenho abaixo do esperado, enquanto a Ferrari segue sem forças para lutar por vitórias.
Para o dirigente da Mercedes, o resultado também ilustra a natureza imprevisível dos carros da geração atual. “Esses carros são uma verdadeira caixa de surpresas. Se perguntar à McLaren por que as últimas corridas não foram boas, eles provavelmente não saberiam responder. O mesmo vale para Max, que vinha forte e hoje perdeu rendimento, ou para a Ferrari, que oscila entre bons e maus fins de semana”, afirmou.
“As margens são muito pequenas. Tudo depende de colocar o carro na janela aerodinâmica certa, extrair o máximo de aderência mecânica sem destruir os pneus e acertar o ponto ideal dos Pirelli. Nem sempre o que se vê na simulação se reflete na pista. Mas neste fim de semana, carro, piloto e pneus estavam em perfeita sintonia — e, assim, ninguém pôde nos bater”, concluiu.
A Fórmula 1 retorna de 17 a 19 de outubro, em Austin, palco do GP dos Estados Unidos.
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