Por que Ben Sulayem caminha para ser reeleito presidente da FIA por aclamação

Estatuto da FIA prevê que candidatos à presidência tenham vices representando todas as regiões do mundo. Falta de candidatos elegíveis na América do Sul, onde apenas Fabiana Ecclestone pode ocupar cargo, deve tornar Mohammed Ben Sulayem único nome válido para o pleito

Mohammed Ben Sulayem deve ser reeleito por aclamação para um segundo mandato à frente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nas eleições marcadas para dezembro. Os estatutos da federação determinam a necessidade de vice-presidentes representando todas as regiões do mundo. Porém, a presença de apenas uma pessoa elegível na América do Sul — já alinhada ao atual mandatário — impedirá a validação das chapas de Tim Mayer, Laura Villars e Virginie Philippot no pleito.

Segundo informações do PlanetF1, o regulamento eleitoral da FIA determina que cada candidato à presidência apresente uma lista de vice-presidentes representando Oriente Médio e Norte da África (MENA), África, América do Norte, América do Sul e Ásia-Pacífico, além de dois nomes para a Europa. Essas indicações precisam ser feitas entre membros nomeados ao Conselho Mundial de Esporte a Motor (WMSC).

O problema está na representação sul-americana. Somente Fabiana Ecclestone, atual vice-presidente esportiva da região e integrante da atual gestão, foi indicada ao conselho. Por já ser integrante da chapa de Ben Sulayem também para o próximo ciclo, a brasileira inviabiliza novas candidaturas, já que nenhum opositor cumpre os requisitos para o cargo.

Dessa forma, Mayer, Villars e Philippot deverão ser desconsiderados por não atenderem às exigências estatutárias. O período para registro das listas segue aberto até 24 de outubro, mas, sem outro nome elegível da América do Sul, essas chapas não poderão ser homologadas.

Virginie Philippot foi última a lançar candidatura à presidência da FIA (Foto: Reprodução/Instagram)

Ben Sulayem enviou sua relação no dia 10 de setembro, mantendo Ecclestone como vice-presidente para a América do Sul e incluindo nomes como Anna Nordkvist e Manuel Avino Roger (Europa), Lung-Nien Lee (Ásia-Pacífico), Rodrigo Ferreira Rocha (África), Shaikh Abdulla bin Isa Al Khalifa (MENA) e Daniel Coen (América do Norte). Todos já estão habilitados pelo WMSC.

Fontes consultadas afirmam que o cenário atual garante a reeleição automática de Ben Sulayem, embora algumas das candidaturas barradas considerem a possibilidade de contestar o processo sob alegação de “supressão democrática”.

Em julho, Mayer criticou publicamente o emiradense por concentração de poder na entidade e chegou a dizer que “pessoas têm medo de apoiá-lo” contra o atual presidente. No mês anterior, Carlos Sainz, que havia declarado interesse em disputar o cargo, anunciou a desistência do pleito. À época, alegou que “as circunstâncias não eram ideais” para concorrer — apesar de não deixar claro se havia relação com os requisitos para homologação da chapa.

Procurada, a FIA declarou que clubes e candidatos tiveram mais de três meses — entre 13 de junho e 19 de setembro — para apresentar inscrições ao Conselho Mundial. Segundo a entidade, “todas as informações e documentos necessários estavam disponíveis no site oficial” e o departamento administrativo “se manteve à disposição para esclarecimentos”.

Tim Mayer confirmou candidatura à presidência da FIA em julho (Foto: Reprodução)

A situação expõe uma fragilidade dos estatutos da FIA, já que o requisito de representação completa por regiões impede novas candidaturas quando há falta de nomes elegíveis em alguma delas. Além disso, o modelo obriga cada chapa a declarar publicamente o apoio de federações nacionais, o que pode desestimular clubes a se posicionarem por medo de retaliação caso o candidato apoiado perca. Em maio, Ben Sulayem recebeu apoio de 35 entidades ao redor do mundo — incluindo a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) — para a reeleição.

O sistema foi concebido para permitir, no máximo, duas candidaturas válidas, mas acabou produzindo um cenário em que Ben Sulayem caminha para a reeleição sem concorrência. Qualquer mudança nas regras, porém, só poderá ocorrer após o pleito deste ano — em tempo para as eleições seguintes, previstas para 2029.

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