F1 diz que valor histórico “não é suficiente para manter pistas clássicas no calendário”
CEO da F1, Stefano Domenicali disse que o valor histórico de pistas tradicionais não é o suficiente para se manterem no calendário, já que os novos fãs não se importam. O italiano ressaltou que os circuitos precisam seguir investindo na infraestrutura para continuarem na categoria
Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, acredita que os circuitos clássicos precisam investir na infraestrutura para se manterem no calendário. Para o italiano, apenas o valor histórico das pistas não é o suficiente para seguirem na categoria, já que os novos fãs do esporte não fazem distinção entre traçados antigos e novos.
O maior exemplo da declaração do CEO da F1 é o GP da Bélgica, que entrou em sistema de rodízio. A partir de 2027, Spa-Francorchamps, uma das pistas favoritas do público e de pilotos, não fará parte do calendário anual da categoria e terá uma prova a cada dois anos.
Além do rodízio do circuito belga, outras pistas clássicas vão dizendo adeus ao calendário da F1: Ímola não teve o contrato renovado e Zandvoort vai sediar o GP dos Países Baixos pela última vez em 2026.
Desde que o Liberty Media assumiu a F1 em 2017, a categoria continuou a se afastar dos palcos europeus tradicionais para novas pistas no Oriente Médio e nos Estados Unidos. Aliás, os circuitos de rua ganharam muita força nos últimos anos, como Jidá, Las Vegas e Miami. Em 2026, o circuito urbano de Madri vai estrear na categoria.

Questionado se o valor histórico dos circuitos clássicos da F1 é o bastante para garantir que continuem nos calendários futuros, Domenicali disse ao podcast BSMT: “Não, no sentido de que, obviamente, se um GP tem esse valor histórico, isso é um ponto positivo na tabela de considerações, mas não é suficiente”, afirmou.
“É um elemento que conta a história e é importante para aqueles que, como eu, acompanham a Fórmula 1 desde criança”, destacou.
“Mas para os novos fãs que passaram a acompanhar a Fórmula 1 agora – pode parecer estranho, mas se você observar, e temos esses dados porque são fundamentais para nós, a capacidade de virar a página, rolar pelas notícias e esquecer quem ganhou no ano passado é muito alta”, salientou.
“Então, para muitos jovens que acompanham a F1 hoje, correr em Monte Carlo em comparação com o novo circuito de Las Vegas não faz diferença para eles. Portanto, este não é um elemento fundamental para nós”, admitiu.

“Só para se ter uma ideia, a história deve ser apoiada por uma estrutura voltada para o futuro, que permita investimentos em infraestrutura para melhorar – já que os ingressos não são exatamente baratos – a prestação de serviços aos fãs em todos os níveis. E para permitir que os países estejam financeiramente presentes em um calendário que, na minha opinião, não crescerá além do número [de etapas] que temos hoje”, encerrou Domenicali.
A Fórmula 1 retorna entre os dias 17 e 19 de outubro no Circuito das Américas, em Austin, que é sede do GP dos Estados Unidos, a 19ª etapa da temporada 2025.
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