CEO da McLaren nega destruição de provas em Caso Palou: “Nunca prometi assento na F1”

CEO da McLaren, Zak Brown foi acusado de apagar mensagens e iludir Álex Palou com chance na Fórmula 1. Equipe britânica pede cerca de R$ 118 milhões por rompimento de contrato

O CEO da McLaren, Zak Brown, foi acusado pela defesa de Álex Palou, durante o processo judicial que opõe o time britânico ao tetracampeão da Indy, de ter destruído provas e enganado o espanhol com uma falsa promessa de vaga na Fórmula 1 — alegação negada pelo dirigente. A equipe cobra US$ 20,7 milhões (cerca de R$ 118 milhões) em indenização por rompimento contratual, após o espanhol desistir de se transferir para a equipe papaia em 2024 e permanecer na Ganassi. Julgamento começou no fim de setembro e se estenderá pelos próximos dias.

O julgamento, realizado na Alta Corte de Londres, ganhou novos capítulos quando os advogados de Palou apresentaram mensagens de WhatsApp que indicariam o uso da função de mensagens temporárias por parte de executivos da McLaren — supostamente para evitar o registro de conversas internas sobre o caso.

As mensagens incluíam um trecho em que Gavin Ward, ex-diretor do time da Indy, dizia que o uso do recurso servia para “se proteger em processos judiciais”. Em outro momento, Brown aparece orientando funcionários a manter as conversas sobre Palou somente no WhatsApp e apagar os registros após o envio.

Questionado pelo advogado Nick De Marco, representante de Palou, Brown negou qualquer tentativa de apagar provas. “Segui a política da empresa. Às vezes, o recurso se desativa sozinho”, disse o dirigente, reforçando que cumpriu a ordem judicial de preservar as comunicações. “Você destruiu provas porque temia as consequências, não foi?”, insistiu o advogado. “Não“, respondeu Brown.

Álex Palou assinou com a McLaren e chegou a testar carro da F1 em 2022, mas voltou à Ganassi (Foto: McLaren)

O executivo também foi acusado de “enganar Palou com promessas falsas de glória na Fórmula 1”, o que teria motivado o piloto a assinar com a McLaren em 2022. Segundo De Marco, o espanhol acreditava que o contrato previa uma vaga garantida na F1. Brown, porém, negou a acusação.

“Jamais o enganei. Nunca prometi 100% um assento na Fórmula 1”, afirmou o dirigente. “Havia apenas uma possibilidade, e sempre deixei isso claro a ele. Trabalhei, inclusive, para manter as expectativas sob controle”, seguiu.

A história de Palou e McLaren teve início em 2022, quando o espanhol veio a público desmentir um comunicado da Ganassi, que anunciava a renovação de contrato para mais uma temporada. Rapidamente, foi anunciado também um acordo com a McLaren para 2023. Após ameaça de processo da CGR, Palou permaneceu na equipe com a intenção de se juntar ao time papaia em 2024.

Álex chegou até a participar de um treino livre da Fórmula 1 guiando pela McLaren em 2022, mas acabou desistindo do acordo na metade de 2023, o que gerou ira da equipe, que alegou já ter feito investimentos que não poderiam ser revertidos. Pela Ganassi, Palou venceu os últimos três campeonatos da Indy e triunfou pela primeira vez nas 500 Milhas de Indianápolis este ano.

O julgamento segue em andamento, com Zak Brown ainda prestando depoimentos e o próprio Álex Palou programado para ser ouvido nesta quinta-feira (9).

Indy retorna no dia 1 de março de 2026, com o GP de São Petersburgo, que acontece no circuito de rua montado na cidade localizada na Flórida.

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