Da Costa admite “pé atrás” inicial, mas diz que Jaguar é “ambiente certo” na Fórmula E

António Félix da Costa admitiu que chegou a duvidar da mudança durante fase ruim da Jaguar, mas que reação na reta final e postura do time nas conversas foram primordiais para acerto

António Félix da Costa contou detalhes sobre as negociações que o levaram à Jaguar, equipe com a qual vai correr na Fórmula E a partir da temporada 2025/26. A mudança, porém, não foi simples. O português revelou que ficou receoso pelo mau início de campeonato da marca britânica, mas que a postura de deixá-lo tranquilo para refletir e não apressar a decisão pesou para que o acordo fosse fechado.

Da Costa formará dupla com Mitch Evans, substituindo Nick Cassidy, que foi anunciado em setembro pela Citroën para a estreia na categoria elétrica. Em entrevista ao portal The Race, o português contou que as conversas começaram ainda em abril e ganharam força durante a sequência de corridas em Mônaco, Tóquio e Xangai. Mesmo assim, admitiu que a fase ruim vivida pelo time no meio da temporada o fez hesitar.

“Isso pesou, sim. Mas a forma como reagiram me deixou ainda mais certo da decisão. As coisas já estavam bem avançadas quando chegamos a Tóquio. O time sabia que Nick estava de saída, então estavam procurando um substituto”, contou.

“Aquele fim de semana foi ruim para os quatro carros da Jaguar, e fiquei um pouco com o pé atrás. Quando comentei isso com a equipe, disseram: ‘Leve o tempo que precisar, não queremos te forçar a nada’. Isso me fez pensar: ‘É exatamente o tipo de ambiente em que quero estar’”, revelou.

António Félix da Costa foi anunciado pela Jaguar nesta quarta-feira (Foto: Jaguar)

O tom calmo e paciente da Jaguar acabou sendo determinante para convencer Da Costa. O português destacou que, enquanto outras equipes pressionavam por uma resposta rápida, o time britânico fez o oposto. “O fato de terem dado um passo atrás, me deixado o espaço para pensar, foi a demonstração que é exatamente o ambiente certo para ter ao meu redor”, completou.

O acordo só foi encaminhado quando a rescisão com a Porsche foi totalmente concluída. A assinatura marca o início do quarto grande programa de fábrica da carreira de Da Costa, que já defendeu BMW e DS, além da fábrica de Weissach.

Mesmo ciente de que o movimento adiciona uma nova camada à rivalidade entre as duas marcas — duas das maiores fabricantes da Fórmula E na atualidade —, Da Costa disse estar pronto para contribuir com o desenvolvimento do time.

“Quando você traz um piloto de outro time, não é só fortalecer o seu grupo, mas também enfraquecer o adversário. É assim que o automobilismo funciona”, argumentou.

“Aqui, todos são muito abertos. Estão dispostos a ouvir o que aprendi nos últimos três anos na Porsche. Algumas coisas vão poder ser aplicadas, outras não. Vou fazer o meu melhor para ajudar esses caras a evoluírem ainda mais, em uma equipe que já é vencedora em todos os níveis”, concluiu.

Fórmula E inicia as atividades para a edição 2025/26 entre os dias 27 e 30 de outubro, com a pré-temporada de Valência. A primeira corrida do campeonato está programada para o dia 6 de dezembro, no eP de São Paulo.

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