Minimiza e respira, mas há algo por trás da leveza: a quinta-feira de Norris em Interlagos

Lando Norris, líder da Fórmula 1, distribuiu sorrisos e mostrou uma leveza do ser que, embora não seja mentirosa, deixa a impressão de esconder alguma coisa

Foram meses de sofrimento e críticas que Lando Norris teve de aturar desde ser superado por Oscar Piastri, companheiro de equipe e dotado de muito menos experiência na Fórmula 1. Com a McLaren a nadar de braçada, conforme Piastri abria, Norris se via distante. Mas os ventos mudam, batem e voltam, circulam sem se dissipar. Roda mundo, roda-gigante e rodou para Norris, que chega ao GP de São Paulo líder do campeonato a quatro corridas do fim. E a serenidade desta quinta-feira (6), quando falou à imprensa em Interlagos, não era mentirosa. Sequer falseada. Mas a sensação era de que tentava ser mais e afastar a realidade da tensão ríspida que corta os postulantes de primeira viagem ao título.

Norris chegou tranquilo para falar. Uma questão é perceptível há muito tempo — alguns anos, na verdade —: já não é mais aquele jovem que entrou na Fórmula 1 no mundo ostensivamente mais distante da realidade pré-pandêmica. Aquele Lando que vivia fazendo piada, troçava da própria vida pessoal, que tinha a carreira inteira pela frente e escolheu ser o mais leve dos pilotos de F1 já não existe. Sem deméritos quanto a isso. Não se trata mesmo duma crítica. Cresceu. Tinha 19 anos quando chegou ao grid e vai completar 26 nos próximos dias. Ainda é muito jovem, é evidente, mas viveu uma vida longa na F1 desde então. De jovem promissor a postulante a títulos, de joia a refugo que nega fogo, como foi tratado tantas vezes mundo afora nos tempos recentes.

As risadas ainda existem. São mais comedidas, nem sempre precedidas ou seguidas por brincadeiras, mas um mero instrumento de expressão corporal. Lando tenta ser leve, sabe ser leve, mas na situação atual é difícil. De campeonato perdido, da ameaça do tubarão Max Verstappen que se preparava para emboscá-lo tanto quanto ao companheiro de equipe, à ponta. Não é brincadeira.

Norris chegou a São Paulo há um ano tentando uma virada improvável para cima de Verstappen. Tinha ótimo carro, mas enorme desvantagem. Venceu categoricamente na corrida sprint, fez a pole e alinhava o começo de um ataque definitivo para evitar o tetra do rival. Aí, o domingo e uma das atuações mais marcantes de Max. O campeonato se esfarelou. Ficaria para 2025.

Lando Norris é o líder do campeonato com quatro corridas pela frente (Foto: McLaren)

O futuro chegou. Em 2025, aterrissa na capital paulistana como líder do campeonato. Embora somente 1 ponto à frente de Piastri, um empate técnico praticamente, está em viés de alta após a maior corrida da carreira no México, enquanto Oscar sofre, cai e não tem respostas. Verstappen até tenta a virada milagrosa, mas com 36 pontos de desvantagem a quatro corridas do fim a tarefa é um colosso à parte.

“Não é uma coisa em que fico pensando”, falou durante a entrevista que contou com a participação do GRANDE PRÊMIO quando questionado sobre o fato de morar na liderança da tabela de pontos tão perto do fim. “Mas acabo sendo lembrando porque meus amigos e outros pessoas falam”, falou.

E continuou na mesma linha. “Sorri por um dia e segui em frente [após a vitória no México]. Foi bom na hora em que aconteceu, mas quando eu entro no voo para casa tento esquecer o máximo possível”, disse.

“Não muda nada no meu processo. Os bons momentos em nada influenciam meus sentimentos ou minha abordagem. Em outros tempos, as coisas ruins eram mais dolorosas [do que a felicidade pelo que era bom]. Estou bem e uma das coisas que faço é isso de tentar esquecer o mais rápido possível, curtir as folgas e começar de novo”, concluiu.

Lando Norris (Foto: McLaren)

Nada de errado com o que Norris disse ou mesmo com o fato de estar, sim, a lidar com a tensão descomunal da luta por um título da Fórmula 1. Tão normal quanto isso é o reflexo — humano, nada mais — de tentar esconder os sentimentos que você não gostaria de ter. Ou que preferiria poder ejetar para lugar nenhum, para um vácuo da existência.

Se pudesse escolher, está claro que Norris deixaria toda a bagagem da Fórmula 1 apenas para os momentos de entrar na pista. Infelizmente, não dá. É muita coisa, muito peso. O líder da F1 e, hoje, grande favorito ao título, tenta esconder a tensão, mas ela está ali. Norris sabe tanto quanto qualquer um o tamanho da oportunidade. Não há água salgada o suficiente no mundo para fazer alguém flutuar numa situação assim.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 7 a 9 de novembro, em São Paulo, 21ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações, sprint e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Interlagos para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Pedro Henrique Marum, Evelyn GuimarãesLuana Marino e Daniel Balsa.

GP de São Paulo de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre11:3013:3015:3016:30
Classificação sprint15:3017:3019:3020:30
Corrida sprint11:0013:0015:0016:00
Classificação15:0017:0019:0020:00
Corrida14:0016:0018:0019:00

*Horário de Brasília

McLAREN PREFERE TÍTULO DE VERSTAPPEN A PRIORIZAR NORRIS OU PIASTRI NA F1 | TTGP #204
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