Guia 2025/26: Citroën aposta em dupla dos sonhos para projeto ambicioso na Fórmula E

Após anos de ruído com Monaco Sports Group, Stellantis assume controle e aposta em Nick Cassidy e Jean-Éric Vergne para liderar nova fase na Fórmula E com Citroën

A entrada da Citroën no grid da Fórmula E marca um dos movimentos estruturais mais profundos do campeonato nos últimos anos. Depois de três temporadas de instabilidade crônica da parceria com o Monaco Sports Group (MSG), o Grupo Stellantis decidiu assumir controle direto do programa elétrico — técnico, político e esportivo — e construir uma equipe com identidade própria, ambição declarada e uma dupla de pilotos escolhida para competir imediatamente no topo. Assim, saiu de cena a Maserati e entrou a marca francesa, com Nick Cassidy e Jean-Éric Vergne, uma das duplas mais pesadas da categoria, pensada para transformar uma operação irregular em um projeto claramente vencedor.

A ruptura com o MSG não foi um gesto impulsivo. Nos bastidores, a Stellantis acumulava frustrações desde o final da temporada 2023/24. Embora a Maserati tivesse desempenho digno em alguns finais de semana, a equipe nunca entregou consistência técnica ou operacional.

O carro oscilava demais entre pistas, havia divergências internas sobre processos de desenvolvimento e, sobretudo, a montadora neerlandesa sentia que tinha cada vez menos controle sobre a tomada de decisões — desde contratações até prioridades de investimento. Para um conglomerado acostumado a gerir diretamente programas esportivos de ponta, essa dependência do instável parceiro se tornou insustentável.

A temporada 2024/25 escancarou esse desalinhamento. A Maserati terminou apenas em nono lugar no Mundial de Equipes, atrás inclusive de estruturas com orçamento muito menor. Vergne, que defendia a outra equipe do grupo, DS Penske, falava publicamente da necessidade de estabilidade para competir por campeonatos. Cassidy, vice-campeão pela Jaguar, foi o grande nome dos felinos em uma temporada muito ruim, que só encontrou competitividade no fim — e Nick soube aproveitar.

Citroën representa busca da Stellantis por projeto sólido na Fórmula E (Foto: Fórmula E)

A Stellantis sabia que essa era a oportunidade perfeita de reconstruir do zero um programa que precisava de identidade, foco e comando. E a Citroën foi a marca escolhida pelo grupo para representar esse novo momento na categoria elétrica.

A chegada de Vergne e Cassidy é a peça final da virada estratégica. O francês, único bicampeão da história da categoria, traz experiência, leitura de corrida acima da média e capacidade de extrair performance mesmo quando o carro não está no ponto ideal. Cassidy, por sua vez, chega como um dos melhores pilotos da atual geração — foi vice-campeão em 2022/23 e 2024/25 — e considerado o maior especialista em gestão de energia.

Os dois formam a dupla mais complementar do grid: o francês garante consistência e profundidade técnica, enquanto o neozelandês entrega velocidade bruta e inteligência estratégica. É exatamente o tipo de formação que uma equipe que busca estabilidade e ambição precisa.

A pré-temporada de outubro, em Valência, reforçou a percepção de que a decisão foi correta. O pacote técnico herdado da Maserati mostrou evolução, mas, principalmente, pela primeira vez em dois anos, a equipe trabalhou com uma cadeia de comando curta, direta e centralizada. O time passou a tomar decisões sem ruídos e sem o desalinhamento crônico que marcou a parceria anterior. Jean-Marc Finot, vice-presidente da Stellantis, chegou a relatar ao portal The Race que o time “parece de verdade uma equipe de fábrica” pela primeira vez em anos.

Cassidy foi atraído pelo projeto da Stellantis: Citroën na Fórmula E, Peugeot no WEC (Foto: Fórmula E)

Em termos de desempenho, os dados brutos dos testes não colocam a Citroën como favorita imediata, mas mostram uma equipe que deu um salto claro de base. O carro tem ritmo forte em voltas de simulação de corrida, com eficiência acima do que a Maserati conseguiu o ano inteiro, e um comportamento muito mais previsível nas entradas de curva — um dos maiores pontos fracos do antigo pacote.

O ritmo em volta única ainda é um desafio, mas os pilotos compensam parte dessa limitação. Na média de stints longos, Cassidy apareceu constantemente entre os cinco melhores, e Vergne oscilou entre sexto e oitavo. Pela primeira vez em anos, a equipe começa um campeonato com uma plataforma sólida e com pilotos capazes de maximizar cada detalhe.

Para 2025/26, o cenário é realista: a Citroën não começa como favorita ao título, mas entra, sim, como candidata legítima a vencer corridas, disputar pódios regularmente e, dependendo da curva de evolução, chegar à reta final da temporada com chances matemáticas nos campeonatos. O objetivo oficial é estabelecer base para o futuro. O objetivo real, porém, é recolocar uma equipe da Stellantis no topo da Fórmula E.

Mais importante do que o passo imediato é a sensação de que, enfim, há um projeto coerente. A Citroën entra com controle técnico, estrutura de fábrica, dois pilotos de altíssimo nível e um carro que deixou de ser um problema crônico para se tornar uma plataforma promissora. Após anos de ruído, instabilidade e frustrações com o MSG, a Stellantis parece ter encontrado o caminho para construir — e não somente sobreviver — na Fórmula E.

Com a pré-temporada devidamente encerrada, a Fórmula E agora volta à ação no início do campeonato, que ocorre no Brasil. O eP de São Paulo está programado para acontecer no dia 6 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, com cobertura completa e IN LOCO do GRANDE PRÊMIO.

GUIA DA FÓRMULA E 2025/26
+ Adeus ao Gen3 Evo promove brigas por presente e futuro na Fórmula E
+ Equipes e pilotos da Fórmula E 2025/26
+ Rowland segue forte, mas depende de Nissan menos oscilante pelo bi
+ Pit Boost é aprovado com ressalvas e encara prova final na Fórmula E
+ Porsche tenta resgatar paz e aposta tudo em Wehrlein por título mundial
+ Quem chega favorito, em alta, neutro ou em baixa na Fórmula E
+ Jaguar vira página de ano estranho e retoma favoritismo na Fórmula E
+ Mahindra cumpre missão na Fórmula E e indica mudança de patamar

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Formula E direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!