Indy anuncia órgão fiscal independente com participação da FIA para 2026
Depois da polêmica em torno dos casos dos atenuadores durante Indy 500, Indy terá órgão independente de arbitragem a partir de 2026
A Indy anunciou nesta quinta-feira (11) que terá um órgão independente de fiscalização a partir da temporada 2026 — foi criada uma empresa autônoma e sem fins lucrativos, a IndyCar Officiating, que também cuidará da Indy NXT. A entidade será governada pelo Conselho Independente de Arbitragem (Independent Officiating Board, IOB), composto por três membros, sendo um deles indicado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
O clamor por uma arbitragem independente ganhou força no paddock durante as 500 Milhas de Indianápolis deste ano, quando a Penske foi flagrada competindo com atenuadores modificados — algo proibido pelo regulamento. A situação se agravou quando imagens revelaram que as peças já estavam alteradas em outras etapas, incluindo a Indy 500 de 2024, vencida por Josef Newgarden. Como Roger Penske é dono tanto da equipe quanto da categoria, o conflito de interesses foi amplamente questionado, acompanhado de pedidos por um sistema de fiscalização e arbitragem realmente independente.
A Honda, fornecedora de motores da Indy, esteve entre as vozes mais contundentes quanto ao conflito de interesses. Em junho, o Los Angeles Times visitou a sede da Honda Racing Corporation nos Estados Unidos e informou que a permanência da fabricante na categoria dependia da “habilidade de Penske em se desvincular da função de fiscalizar a categoria que possui e na qual também compete”. O contrato entre Honda e Indy vence no fim de 2026.
O trio que compõe o IOB foi selecionado da seguinte forma: os donos de equipe que possuem charters na Indy elegeram dois nomes — Ray Evernham, antigo chefe de equipe de Jeff Gordon na Nascar, cofundador da categoria SRX e proprietário da Evernham Motorsports; e Raj Nair, ex-diretor técnico e vice-presidente executivo de desenvolvimento de produto da Ford, além de ter sido responsável por programas da montadora na Nascar, IMSA e FIA WEC.

O terceiro membro foi nomeado pela FIA — uma movimentação histórica para a categoria que, apesar de seguir normas de segurança da entidade (como capacetes, macacões e o HANS), sempre se manteve distante da federação em assuntos de arbitragem. O indicado é Ronan Morgan, que possui cerca de 50 anos de experiência no automobilismo, ex-diretor esportivo do GP de Abu Dhabi de F1 (entre 2009 e 2021), ex-presidente da Comissão de Pilotos, membro do Conselho Mundial do Esporte a Motor e conselheiro de Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA.
O IOB selecionará um diretor-geral de arbitragem e estabelecerá o orçamento anual do novo órgão. O responsável atuará de forma totalmente independente da Indy e da Penske Entertainment, proprietária da categoria, e terá autonomia para contratar pessoal para a direção de prova e para a inspeção técnica, além de ser o encarregado de aplicar os regulamentos da Indy e da Indy NXT.
“Estamos comprometidos com uma arbitragem independente para 2026, e satisfeitos em anunciar este próximo passo. Os donos de equipes da Indy e a FIA selecionaram um conselho de classe mundial, com grande caráter, conhecimento extraordinário e uma paixão intensa pelo automobilismo e pela Indy”, disse Doug Boles, presidente da categoria.
“Estamos empolgados em lançar essa nova estrutura de arbitragem da Indy e sabemos que o conselho de arbitragem desempenhará essa responsabilidade com diligência e senso de missão compartilhada. Eles trabalharão de forma independente para contratar a pessoa certa para levar essa missão adiante e garantir uma implementação bem-sucedida para as temporadas de 2026″, comentou Mark Miles, CEO da Penske Entertainment.
Por fim, Ben Sulayem também manifestou a visão da FIA sobre essa parceria. “A Indy é um ícone americano, e tenho orgulho da relação que estamos construindo juntos. A expertise independente da FIA em fornecer supervisão consistente de arbitragem em nossos campeonatos mundiais, combinada com a inovação e o espírito competitivo da Indy, apoiará o crescimento contínuo da categoria. Estou ansioso pelo trabalho que temos pela frente.”
A temporada 2026 da Indy tem início no dia 1 de março, com o GP de St. Pete, no circuito de rua montado na cidade localizada na Flórida.
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