Retrospectiva 2025: Marc Márquez volta ao olimpo e Moreira põe Brasil no mapa
A temporada 2025 teve um sabor especial para os fãs do Mundial de Motovelocidade, já que viu o ressurgimento de Marc Márquez, que igualou o número de títulos de Valentino Rossi e deixou para trás a crise desencadeada pela lesão de 2020. No Brasil, o sabor foi ainda mais especial, já que Diogo Moreira se converteu no primeiro brasileiro campeão no certame
2025 FOI UM ANO ESPECIAL PARA O MUNDIAL DE MOTOVELOCIDADE. Aos 32 anos, Marc Márquez colocou um decisivo ponto final no caos desencadeado pela lesão sofrida em 2020 e voltou ao olimpo da MotoGP, igualando Valentino Rossi com nove títulos ― sete deles na classe rainha. Para o fã brasileiro, porém, o ano teve um sabor ainda mais especial, já que o Brasil registrou o primeiro campeão: Diogo Moreira garantiu a coroa na Moto2.
Depois de muito tentar, o Mundial finalmente conseguiu realizar a maior temporada da história: foram 22 etapas, com 44 corridas para a MotoGP, já que todas contam com provas sprint. As novidades na programação ficaram por conta da entrada de Balaton Park, na Hungria, e do retorno de Brno, na Tchéquia.
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Em termos de público nos autódromos, o Mundial de Motovelocidade celebrou um recorde: mais de 3,6 milhões de pessoas acompanharam ‘in loco’ aos eventos. Assim como nos últimos anos, o GP mais lotado foi o da França, com 311.797 espectadores em Le Mans ao longo do fim de semana. A menor audiência, também como de costume, foi registrada no Catar, com 50.321 pessoas em Lusail ao longo de três dias.
O Mundial viu, também, um aumento de 11,56% no número de quedas em relação ao ano passado. No total, foram 965 tombos: 349 na MotoGP, 275 na Moto2 e 341 na Moto3.

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Entre os pilotos, o recordista absoluto de quedas foi Cormac Buchnan, que caiu 35 vezes ao longo da temporada da Moto3. O segundo no ranking de tombos também vem da classe menor, já que David Almansa caiu 31 vezes. Jack Miller sofreu 25 acidentes na temporada da MotoGP, dois a mais do que Álex Márquez. Na Moto2, quem mais se acidentou foi Jorge Navarro, que caiu 21 vezes.
O evento com o maior número de tombos foi o GP da França, com 70 ao longo das três classes, seguido por Países Baixos (54) e Indonésia (59). A etapa menos acidentada foi o GP da Itália, com 29 quedas.
Na Moto3, o ano foi de Jose António Rueda. Correndo com a potente Ajo ― agora comandada pelo ex-piloto Niklas Ajo, que sucedeu o pai, Aki, novo chefe da KTM na MotoGP ―, o espanhol venceu dez das 22 corridas, mas nem a força do #99 tirou o entretenimento da categoria mais inesperada do Mundial.
Ángel Piqueras, que era considerado um favorito ao título às vésperas do início do campeonato, triunfou quatro vezes. David Muñoz deu uma acalmada no jeito estabanado e conseguiu três vitórias, mas foi o novato Máximo Quiles quem roubou os holofotes. Apadrinhado pelos irmãos Márquez, o jovem espanhol mostrou muita força e chegou a sonhar com o vice-campeonato mundial, faturando três vitórias e um total de nove pódios. Taiyo Furusato também estreou no rol dos vencedores, assim como Adrián Fernández.

Mas nem só de coisas boas foi feita a temporada da Moto3. O GP da Malásia viu um acidente pavoroso entre Rueda e Noah Dettwiler. O suíço teve um problema com a moto na volta de alinhamento e foi atingido com tudo pelo já campeão mundial. No acidente, os dois pilotos tiveram paradas cardíacas e precisaram ser reanimados, mas foi o titular da CIP quem levou a pior.
Noah teve de passar por cirurgias, perdeu o baço e segue em recuperação. O suíço não tem previsão de retorno às pistas e já até abriu mão de uma vaga na SIC58, que estava negociada com Paolo Simoncelli. Dettwiler garante, contudo, que vai retornar.
Na Moto2, a temporada foi bem mais disputada e só foi definida em favor de Diogo Moreira na última corrida do ano, o GP da Comunidade Valenciana. Na primeira parte da temporada, Manuel González mostrou força e abriu vantagem, mas, depois das férias, foi o brasileiro quem ganhou terreno.
Os dois fecharam o ano empatados em quatro vitórias, nove pódios e sete poles, mas Moreira garantiu o título com 30 pontos de frente para o espanhol.
Além dos dois, Jake Dixon (3), Denis Öncü (2), Daniel Holgado (2), Senna Agius (2), Arón Canet (1), Joe Roberts (1), David Alonso (1), Celestino Vietti (1) e Izán Guevara (1) também venceram ao longo do ano.

Tal qual na Moto3, a Moto2 deu pistas de candidatos fortes ao título do próximo ano, especialmente a dupla da Aspar, que foi competitiva mesmo no ano de estreia.
Na classe rainha, Marc Márquez passeou. O espanhol venceu 11 dos 22 GPs e levou a melhor em 14 sprints. O #93 faturou o título com muita antecedência, no GP do Japão, e fechou o ano com 78 pontos de vantagem para Álex Márquez, o vice-campeão. A diferença entre os dois, contudo, foi reduzida pela ausência do multicampeão nas provas finais do campeonato, já que ele sofreu uma lesão no ombro em um acidente com Marco Bezzecchi na Indonésia, precisou de cirurgia e ainda está em recuperação.
Além de Marc, outros seis pilotos venceram no ano: Álex Márquez (3), Marco Bezzecchi (3), Francesco Bagnaia (2), Johann Zarco (1), Fermín Aldeguer e Raúl Fernández (1). Nas sprints, os triunfos vieram também de Álex Márquez (3), Bezzecchi (3) e Pecco (2).
A força de Marc Márquez no primeiro ano do casamento com a equipe de fábrica da Ducati, contudo, não foi a única coisa que chamou a atenção em 2025. Álex Márquez fez, de longe, o melhor ano da carreira e, em muitos momentos, foi único a desafiar o irmão. A performance foi tão boa que rendeu um prêmio da marca de Borgo Panigale: uma moto do ano para a temporada 2026.

Mas não foi só isso. Vindo de dois títulos e um vice, Francesco Bagnaia esteve irreconhecível. O italiano não encaixou com a GP25 e a Ducati tampouco conseguiu ajudar o #63 a encontrar uma solução. Pecco chegou a ter fins de semana dominantes, como aconteceu no Japão, mas teve outros em que sequer conseguiu pontuar, como aconteceu em Indonésia e Austrália, por exemplo.
Quem também teve um 2025 para esquecer foi Jorge Martín. Campeão vigente, o espanhol quase não conseguiu usar o #1. O piloto de Madri se machucou depois de apenas 13 apenas voltas no primeiro dia de testes com a RS-GP. Depois, às vésperas da primeira corrida do ano, voltou a se lesionar.
O ex-Pramac voltou à ativa no Catar, mas tampouco escapou ileso. E, desta vez, as lesões foram ainda mais sérias. Jorge teve até uma perfuração de pulmão e já admitiu que chegou a temer pela vida.
Em meio ao caos, Martín tentou executar uma cláusula de performance para se livrar do contrato com a Aprilia na metade do ano. A fábrica chefiada por Massimo Rivola, porém, bateu o pé e o manteve preso. Enquanto isso, Marco Bezzecchi trabalhou duro não só para desenvolver a moto, mas também para conquistar Noale.

Martín até voltou no fim da temporada. Mas, além de ainda não ter obtido resultados no nível do companheiro de equipe, viu Bezzecchi se instalar como o legítimo número 1 da Aprilia. Agora, é Marco quem tem a prioridade para renovação de contrato. E Martín vai ter de lidar com a nova situação.
Do lado da KTM, a fábrica austríaca conseguiu escapar da falência, mas as dificuldades financeiras se fizeram sentir e trouxeram incertezas para a MotoGP. Ainda assim, Pedro Acosta cresceu na reta final do campeonato e mostrou o motivo de ser um dos pilotos com o passe mais valorizado no próximo ciclo de renovação de contratos ― que, aliás, acontece em 2026.
A Honda, por sua vez, partiu para as férias com razões para comemorar. A montadora japonesa mostrou um crescimento expressivo ao longo do ano e avançou no ranking das concessões, se juntando a KTM e Aprilia no grupo C. Assim, perde, entre outras coisas, o direito de desenvolver motores ao longo do ano e testar com os titulares, um prejuízo relativamente calculado tendo em vista o congelamento do desenvolvimento em vigor para 2026.

A Yamaha, todavia, não acompanhou o ritmo da conterrânea. Ainda que tenha apresentado alguma melhora em relação ao ano anterior, a gigante dos três diapasões se embrenhou em um projeto de motor V4, decidiu abrir mão da tradição do propulsor de quatro cilindros em linha e vai encarar 2026 em um rumo completamente novo. Em 2025, a M1 ficou devendo. De novo.
Nesse cenário, a Ducati reinou soberana, mas, especialmente após o afastamento de Marc Márquez por lesões, ficou evidente que a Desmosedici GP25 era mais frágil do que as antecessoras e colocou a casa de Bolonha em um cenário ligeiramente mais perigoso. Desde o afastamento do #93, o time de fábrica somou apenas 20 pontos no Mundial de Equipes, contra 111 da Aprilia, que é amplamente dependente de Bezzecchi neste momento.
Assim, a Ducati vai para 2026 precisando acertar a mão na moto para recuperar Bagnaia. A história recente mostra que os italianos não precisam se preocupar em desagradar Marc Márquez, Álex Márquez e nem tampouco Fabio Di Giannantonio. Afinal, Gigi Dall’Igna costuma saber fazer motos que atendem a todos. O desafio está lançado.
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
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