Retrospectiva 2025: Bezzecchi sai da sombra de Martín e comanda reação da Aprilia
Marco Bezzecchi chegou à Aprilia para ser escudo do então campeão Jorge Martín, mas viu o jogo virar ao seu favor com as constantes lesões e confusões do espanhol. Agora, o italiano chega para 2026 como prioridade na equipe após excelente 3º lugar na MotoGP
MARCO BEZZECCHI FOI O CARA DA APRILIA DURANTE NA TEMPORADA 2025 DA MOTOGP. Caiu no colo do piloto a responsabilidade de comandar o time de Noale graças às recorrentes lesões de Jorge Martín, campeão de 2024. E ele matou no peito com a tranquilidade de um volante italiano clássico para fechar o campeonato em um surpreendente terceiro lugar, com 353 pontos, superando o compatriota Francesco Bagnaia (e não só ele).
A Aprilia ousou em assinar com o então #1 do Mundial de Motovelocidade, mas não contava, claro, com o conturbado ano que viveria com Martín, inclusive antes mesmo de o campeonato começar. O espanhol sofreu três rodadas de lesões, duas delas de maior importância, e esteve presente em apenas oito das 22 etapas neste ano.
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Nos testes de pré-temporada, foram apenas 13 voltas com a nova moto antes de sofrer uma forte queda na Malásia, com fraturas na mão direita e no pé esquerdo. Às vésperas da abertura do campeonato, na Tailândia, Martín sofreu um acidente em um treino off-road que resultou em quatro fraturas na mão esquerda e o deixou afastado até o Catar. Porém, em Lusail, Martín voltou a cair e, desta vez, sofreu a pior rodada de lesões, com fraturas de costelas e uma perfuração de pulmão.
Desta forma, só teve o primeiro contato real em ritmo de corrida com a RS-GP na volta às pistas, em Brno. Ainda deu tempo de mais um afastamento no campeonato, no Japão, graças a um erro cometido na corrida curta, que carregou o companheiro Bezzecchi junto. O italiano sofreu escoriações, mas Jorge teve uma fratura na clavícula direita e precisou de nova cirurgia.

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Se ainda faltava algum tempero neste início conturbado entre Aprilia e Martín, ele ficou completo com o imbróglio em relação ao contrato. Em maio, o espanhol ameaçou executar a cláusula de performance para se livrar do acordo com o time italiano para 2026. De acordo com ele, esta foi uma condição-chave para aceitar o contrato que lhe foi oferecido no ano anterior e, sem a possibilidade de ampliar a validade deste ponto contratual ― já que estava impedido de correr e, portanto avaliar a performance da moto por causa das recorrentes lesões ―, optaria pela execução. A treta pública foi contornada apenas em julho, quando Jorge confirmou que seguiria para a próxima temporada ― depois, claro, de a casa de Noale fincar o pé e a Dorna colocar a bola no chão e ameaçar não inscrever o espanhol no campeonato.
Bezzecchi também foi contratado no início de 2025 na expectativa de ficar na escolta de Martín, porém, o jogo virou e para melhor. Em meio a este caos todo, o italiano seguiu trabalhando forte e assumiu o protagonismo da equipe com grandes resultados. Ao todo, foram cinco poles – Áustria, San Marino, Indonésia, Portugal e Valência – com seis vitórias no ano – três em corridas curtas e outras três nas principais: Grã-Bretanha, Portugal e Comunidade Valenciana.
Calmamente, foi ganhando a confiança de todos dentro da equipe e fez com que os problemas vividos no outro box da Aprilia fossem contornados aos poucos. O suficiente para diminuir a margem de distância para a Ducati visando o campeonato de 2026.
“Gostaríamos de rivalizar (com a Ducati), mas cada ano é uma história nova. É preciso manter essa mentalidade de seguir trabalhando. Eles vão começar como favoritos. Mas não poderia ter terminado a temporada melhor. Vamos celebrar”, disse Bezzecchi após a corrida em Valência.
O esforço de Marco foi exaltado pelo diretor-executivo da equipe, Massimo Rivola, que já declarou publicamente que é prioridade da Aprilia a renovação de contrato com o #72.
“Esperava que ele fosse rápido, mas não que ele fosse um homem tão de equipe e tão trabalhador. Esses dois aspectos fizeram a diferença. A abordagem foi crescer e trabalhar. Acreditar no trabalho e melhorar. No fim das contas, ele merece ser considerado prioridade e isso significa que a nossa meta é mantê-lo, seria uma pena rompê-la”, defendeu o dirigente.

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É neste cenário que a Aprilia inicia a temporada 2026, a última antes da mudança de regulamento. A dupla de pilotos é historicamente boa, com Bezzecchi em alta e um campeão Martín sob muitas dúvidas e incertezas após as múltiplas lesões. A ver se será o suficiente para se aproximar ainda mais da Ducati e fazer um campeonato mais acirrado.
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
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