Retrospectiva 2025: Martín sofre lesões em série, causa crise e perde espaço na Aprilia

Jorge Martín viu a defesa do título frustrada por uma série de lesões e mal esteve na pista na temporada 2025. As múltiplas lesões, porém, não foram as principais responsáveis por fazê-lo perder terreno para Marco Bezzecchi dentro da Aprilia

EXISTE UM ANTES E UM DEPOIS DE JORGE MARTÍN PARA A MALDIÇÃO DO NÚMERO 1 NA MOTOGP. Vencedor do campeonato de 2024, o espanhol escolheu usar o número do campeão, mas a defesa do título foi assombrosa ― no pior sentido da palavra.

Preterido por Marc Márquez na disputa pela vaga na equipe de fábrica, Martín optou por assinar com a Aprilia, então começou 2025 em um cenário novo. Além de agora ser um piloto de fábrica, o espanhol de Madri tinha de pegar a mão com a RS-GP depois de fazer os primeiros anos da carreira a bordo da Desmosedici satélite da Pramac.

Neste cenário, Martín era a grande aposta da Aprilia para avançar. Ao ostentar o campeão do mundo, Noale não tinha mais desculpas. Se o resultado fosse ruim, a culpa só poderia ser da RS-GP. Afinal, o talento de Jorge estava mais do que provado. Ele foi o primeiro a faturar o Mundial de Pilotos com uma equipe privada!

Só que as coisas começaram ruir cedo. Muito cedo. Ainda no primeiro dia de testes da pré-temporada. Depois de só 13 voltas com o protótipo italiano, Jorge levou um tombo daqueles e acabou lesionado, perdendo todo o restante da fase de testes.

Jorge Martín teve um ano caótico na estreia com a Aprilia (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)

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O espanhol, então, seguiu em recuperação, mas, antes de voltar à ativa, decidiu fazer um teste off-road antes do primeiro GP da temporada. Como azar pouco é bobagem, uma segunda queda resultou em novas lesões, culminando em mais um afastamento. Desta vez, Martín ficou fora das três primeiras corridas do ano.

O retorno aconteceu no Catar, mas o pesadelo ainda estava longe do fim. Martín começou o fim de semana com calma: foi 14º no grid de Lusail, fechou a sprint em 16º, mas, no GP as coisas degringolaram. O #1 caiu e acabou atingido por Fabio Di Giannantonio, que vinha atrás tentando passar.

Foi ali que Martín viveu o pior capítulo de uma temporada pavorosa. Por conta do impacto, o espanhol fraturou 11 costelas e teve um pulmão colapsado. Assustado com as lesões, Jorge chegou a pensar que iria morrer.

O processo de recuperação foi longo. Além de ficar um tempo na UTI, com dreno torácico, Martín precisou esperar antes de poder viajar de volta à Europa e, depois, teve de ser paciente no processo de recuperação.

Nesse meio tempo, porém, a cabeça começou a pesar. O empresário de Martín, Albert Valera, procurou Massimo Rivola, diretor-executivo da Aprilia, para tentar negociar o prolongamento de uma cláusula de performance, para que o piloto ainda pudesse se livrar do contrato no fim da temporada se assim o quisesse.

Ao fim da temporada, em um documentário produzido pela Dorna, Rivola contou que ouviu de Valera que Jorge tinha nas mãos uma oferta “bem boa” da Honda. Noale, porém, defendeu o próprio patrimônio e se manteve firme: não só não cedeu em prolongar a cláusula, como se mostrou disposta a brigar na justiça para manter o piloto.

No fim, Martín teve de ceder. Ao retornar às pistas, apenas no GP da Tchéquia, o espanhol confirmou que cumpriria o contrato, mas teria de reconstruir os laços com a equipe.

Só que o mundo não parou enquanto Martín se recuperava e ameaçava ir ao tribunal. Enquanto isso, Marco Bezzecchi, que também estreava pela Aprilia, baixou a cabeça e trabalhou, não apenas para melhorar a moto, mas também para conquistar o carinho, o respeito e o amor da equipe.

Com a RS-GP evoluindo a olhos vistos, Bezzecchi conquistou o posto de piloto principal, relegando Martín a uma posição acessória. Para piorar, Jorge ainda sofreu mais uma lesão, uma fratura de clavícula, desta vez em um acidente no qual ele atentou contra o próprio companheiro de equipe.

Ao fim e ao cabo, Martín conseguiu voltar e fechar o ano na pista, mas com um resultado muito abaixo do que era esperado de alguém com o currículo com o qual ele chegou. A mudança de posição, porém, é clara. Hoje, a prioridade da Aprilia é renovar o contrato de Bezzecchi. Jorge, por outro lado, ainda terá de provar o próprio valor.

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