Ducati divide “culpa” entre Rossi e Marc Márquez e pede: “Chega de falar de 2015”

Chefe da Ducati, Davide Tardozzi disse que quem ainda se prende no debate sobre o polêmico desfecho da temporada 2015 não é um fã de verdade da MotoGP. Dirigente lembrou a defesa que fez de Marc Márquez após vaias em Mugello e assumiu que ficou verdadeiramente incomodado com os fãs

Chefe da Ducati, Davide Tardozzi não aguenta mais falar da polêmica em torno do desfecho da temporada 2015. O dirigente dividiu a culpa igualmente entre Valentino Rossi e Marc Márquez e avaliou que quem ainda se prende no debate não é um verdadeiro fã do motociclismo.

Há dez anos, Rossi teve a chance de conquistar o sonhado décimo título mundial, mas o campeonato ganhou um contorno inesperado na Malásia, quando o italiano acusou o #93 de atuar em favor de Jorge Lorenzo na disputa pelo Mundial de Pilotos. Na corrida, os dois travaram um duelo intenso, que culminou em um toque que resultou em uma queda de Márquez. Até hoje, tem quem acuse Valentino de ter chutado o rival.

Na época, a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) não viu chute, mas puniu Rossi com ponto de punição por direção irresponsável ― um sistema que ainda estava em uso na época. O #46, porém, já tinha pontos resultantes de um lance anterior, o que fez com que ele tivesse de largar no fundo do grid no GP da Comunidade Valenciana, o derradeiro da temporada. O caso foi parar na Corte Arbitral do Esporte, mas não foi julgado a tempo.

Valentino até fez uma prova de recuperação, mas Lorenzo venceu a corrida e faturou o campeonato com cinco pontos de vantagem. A partir dali, a relação entre Rossi e Márquez nunca mais foi a mesma. Os dois até chegaram a ensaiar uma reconciliação no ano seguinte, com um aperto de mãos público na esteira da morte de Luis Salom, mas as coisas desandaram mais uma vez e o filho mais famoso de Tavullia nunca escondeu a mágoa que carrega em relação ao prodígio de Cervera.

Davide Tardozzi se disse cansado de falar da polêmica de 2015 (Foto: Ducati)

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A chegada de Márquez à Ducati tampouco serviu para aplacar a ira de parte da torcida italiana. Em meados do ano, o irmão de Álex foi vaiado em Mugello após vencer o GP da Itália, o que irritou Tardozzi. O chefe da escuderia de Borgo Panigale passou a gesticular em direção à torcida, gritando: “É vermelho!”, lembrando que o #93 agora era um deles.

No documentário ‘Volver’, produzido pelo streaming espanhol DAZN, Tardozzi recordou o momento, que classificou como “difícil”.

“Porque no momento em que vejo a tribuna de Mugello, onde mais de 50% estava com a camiseta do Pecco [Bagnaia], um piloto do calibre de Marc, que piloto uma Ducati e que venceu, não pode ser vaiado”, defendeu.

O incidente de Mugello, porém, não foi o único de 2025. Em Misano, Márquez caiu na sprint, o que resultou em comemoração de parte da torcida, incluindo um grupo de amigos que acompanhavam Rossi na pista.

“Estou realmente cansado da recordação de 2015. Chega! Você não é realmente um fã de motociclismo se ainda se apega àquilo”, avaliou Tardozzi. “Por isso, fiquei realmente muito incomodado. Primeiro, porque é uma falta de respeito com quem vence. Segundo, porque estamos em Mugello, você está com uma camiseta do Pecco e não pode vaiar Marc. Então foi um gesto instintivo por essas razões”, justificou.

Diferente de Tardozzi, a MotoGP não quer esquecer 2015 e aproveitou o aniversário de dez anos da polêmica para lançar um documentário sobre o caso. Bagnaia, aliás, criticou publicamente o vídeo, onde chega a aparecer mesmo depois de recusar a participação.

“Insisto: chega de falar de 2015. Depois de dez anos, chega. Pois já disse, repeti e tenho de dizer de novo: a verdade é que não é culpa só de Marc. A verdade é que é preciso dividir a culpa em 50%. Marc errou e Valentino Rossi se equivocou. Então chega”, encerrou.

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