Retrospectiva 2025: Fraga conquista bicampeonato em ano sólido na Stock Car

Felipe Fraga não foi o piloto que mais venceu corridas na temporada 2025 da Stock Car. Porém, foi o piloto mais consistente ao longo do ano e somou bons pontos para conquistar o bicampeonato de forma antecipada

A conquista do bicampeonato de Felipe Fraga na Stock Car aconteceu durante a corrida sprint da última etapa, realizada em Interlagos. O título, no entanto, foi ligeiramente ofuscado por uma decisão da direção de prova que, após a bandeira vermelha acionada na décima volta, reiniciou a corrida com as posições dos pilotos baseadas em duas voltas antes, o que jogou Gaetano Di Mauro, líder da prova e rival na briga pelo campeonato, para o fundo do grid. O movimento causou revolta, mas, analisando friamente, teve pouco impacto no título do #88, que fez uma campanha excelente ao longo de toda a temporada.

Fraga foi escolhido pela Eurofarma RC como substituto de Ricardo Maurício em 2025 e, desde a etapa de abertura, mostrou que a parceria tinha tudo para dar certo. Em um ano de reformulação técnica, no qual a categoria enfrentou inúmeros problemas, a equipe liderada por Rosinei “Meinha” Campos conseguiu resultados sólidos logo no início do campeonato, com destaque para a dobradinha liderada por Felipe em Interlagos.

Depois de começar o ano com o pé direito, Fraga não foi o piloto que mais venceu corridas, mas apresentou uma consistência invejável. Na segunda etapa, por exemplo, realizada em Cascavel, não triunfou, mas foi o piloto que mais somou pontos no fim de semana ao terminar em quinto na sprint e em segundo na corrida principal. Ao todo, foram 112 pontos marcados.

Um dos poucos pontos baixos aconteceu logo na terceira etapa do campeonato, no Velopark. Fraga teve um fim de semana para esquecer e, além de abandonar a sprint, terminou apenas em 17º na prova principal. Com o resultado, caiu para a quinta posição na classificação do campeonato e viu Guilherme Salas e o companheiro Di Mauro dispararem na frente. Contudo, com o sistema de descartes — ampliado para cinco após os diversos problemas de confiabilidade —, o dano foi mínimo para o #88.

Felipe Fraga venceu a primeira corrida da Stock Car 2025 (Foto: Marcelo Machado de Melo)

Fraga não demorou a reagir e voltou a marcar bons pontos na etapa seguinte, no Velocitta. É verdade que a combinação de resultados não foi suficiente para retomar a liderança do campeonato, mas serviu para aproximá-lo do companheiro Di Mauro, que àquela altura ocupava o topo da tabela.

Em Curvelo, Fraga viu Di Mauro enfrentar dificuldades e terminar apenas em 22º na corrida principal, o que lhe permitiu entrar de vez na disputa. A retomada da liderança só foi possível após a rodada de Cascavel, quando foi muito bem nas duas corridas e somou 116 pontos.

Desde então, Fraga se manteve soberano, sempre pontuando bem ao longo dos fins de semana e beliscando pódios quando possível. O jejum de vitórias, porém, persistia.

A seca só terminou no fim de semana em Brasília, quando teve seu melhor desempenho na temporada. Depois de se classificar em terceiro, Fraga fazia uma boa corrida sprint e tudo indicava que terminaria entre os dez primeiros, o que não seria de todo ruim. Porém, acertou na estratégia ao parar nos boxes instantes antes de o safety-car entrar na pista após um acidente envolvendo Enzo Elias, Rafael Suzuki e Casagrande.

Felipe Fraga e Gaetano di Mauro brigaram pelo título na Stock Car 2025 (Foto: Ricardo Saibro)

A intervenção mudou os rumos da corrida, já que não houve tempo hábil para a prova ser retomada. Com isso, os nove pilotos que cruzaram a linha de chegada à frente do #88 não conseguiram cumprir a parada obrigatória sob bandeira verde e acabaram desclassificados. Além de herdar a vitória, Felipe viu Di Mauro enfrentar problemas na largada, mesmo partindo da pole-position. Na corrida principal, Fraga concluiu em segundo e somou expressivos 129 pontos em Brasília.

Assim, Fraga deixou Brasília com o título bem encaminhado. Após a aplicação dos descartes, os pilotos da Eurofarma RC eram os únicos com chances de conquista na etapa final, em Interlagos. O #88 chegava à decisão com 856 pontos, enquanto o #11 somava 742. Dessa forma, Felipe precisava apenas de um 12º lugar na sprint para assegurar o bicampeonato de maneira antecipada.

Na classificação, os postulantes ao título apresentaram ritmo semelhante, e Fraga foi 12º, logo atrás de Di Mauro. Na corrida sprint, ambos foram beneficiados pelo grid invertido, e Felipe controlou a vantagem na dianteira. Porém, momentos antes de a chuva apertar, Gaetano foi o primeiro a parar nos boxes, herdou a liderança e viu o rival cair para quarto. Ainda assim, o resultado era suficiente para garantir a taça ao #88.

A situação ficou ainda mais favorável depois de Hélio Castroneves, Marcos Regadas e Daniel Serra se envolverem em um forte acidente na entrada dos boxes, o que levou à interrupção da prova com bandeira vermelha. No momento da paralisação, a corrida estava na décima volta, com Di Mauro na liderança. Entretanto, ao organizar o grid para a relargada, a direção de prova considerou as posições da oitava volta, fazendo com que o #11 caísse para a 25ª posição.

O forte acidente durante a sprint em Interlagos (Vídeo: Reprodução/Stock Car)

No fim, Gaetano ainda conseguiu recuperar algumas posições e fechou a sprint em 12º. Fraga, por sua vez, venceu a corrida e assegurou o bicampeonato. No domingo, o #88 deu mais uma demonstração de força ao terminar em sétimo, reforçando que tinha o necessário para conquistar o título independentemente da polêmica da prova curta.

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