Ex-Ferrari defende Mercedes e Red Bull em polêmica sobre motor da F1 2026

Luigi Mazzola, ex-engenheiro da Ferrari, afirmou que explorar áreas cinzentas do regulamento faz parte da natureza competitiva da Fórmula 1 e parabenizou Mercedes e Red Bull por solução que vem levantando questionamento de rivais

Mercedes e Red Bull estão no centro de uma polêmica envolvendo uma brecha relacionada ao limite da taxa de compressão dos novos motores para 2026. Mas, segundo Luigi Mazzola, ex-engenheiro da Ferrari, a solução encontrada pelas equipes para a unidade de potência é legal, mesmo explorando uma área cinzenta do regulamento técnico da Fórmula 1. Para ele, a interpretação adotada está nas regras e faz parte da essência competitiva da categoria.

A discussão gira em torno do Artigo C 5.4.3 do regulamento técnico, que define o procedimento de verificação da taxa de compressão do motor. O texto estabelece que a taxa de compressão em um cilindro não pode ser superior a 16:1, representando uma redução em relação ao limite de 18:1 previsto no regulamento anterior.

No entanto, a medição será feita quando o motor não está na temperatura ideal de funcionamento na pista. Há indícios de que componentes mais complexos estejam sendo utilizados para se expandirem deliberadamente em altas temperaturas, reduzindo o volume da câmara de combustão no ponto morto superior e, assim, aumentando efetivamente a taxa de compressão durante o funcionamento do motor.

Segundo relatos do paddock, Mercedes e Red Bull conseguiram explorar esse ponto do regulamento ao desenvolver uma solução que explora essa brecha. Ambas as unidades de potências já foram homologadas, e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) considerou o conceito compatível com as regras vigentes.

Red Bull encontrou solução semelhante à da Mercedes para motor de 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Ao comentar o tema em entrevista ao site F1news, Mazzola defendeu a legitimidade da abordagem adotada pelas equipes. O ex-engenheiro da Ferrari destacou que o próprio texto do regulamento permite esse tipo de interpretação e rejeitou qualquer discurso de escândalo envolvendo a solução.

“Na Fórmula 1, se você é Ferrari, Red Bull, McLaren, existe apenas um objetivo: vencer. Tudo o que for necessário para ganhar, você aplica, caso esteja nas regras. Essa área cinzenta é legal. Se algo é ilegal, você é desclassificado e passa vergonha. Uma área cinzenta, por definição, ainda é uma área legal”, afirmou.

“Quando se fala em temperatura ambiente, você está na regra. Desse ponto de vista, o regulamento é bastante restritivo, ponto final. E quanto mais regras você empilha sobre outras, mais cria uma situação quase impossível, em que ninguém consegue se mover. Não chamo isso de escândalo, muito pelo contrário. Dou parabéns se alguém conseguiu fazer isso. Seja Mercedes, Red Bull ou Ferrari, mérito para todos”, completou.

Informações indicam que a solução pode render uma vantagem de até 0s4 por volta em relação aos concorrentes, colocando Mercedes e Red Bull em posição privilegiada antes mesmo da estreia dos novos carros de 2026. A expectativa é que os primeiros testes de inverno, em Barcelona, ofereçam uma visão mais clara do impacto real da inovação, enquanto o restante do grid avalia possíveis respostas técnicas.

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