MotoGP mira reduzir dependência da Europa e diz que crescimento virá de “fora da pista”
Diretor-esportivo da MotoGP, Carlos Ezpeleta defendeu que o público precisa conhecer os pilotos sem o capacete e reconheceu que é preciso ter um calendário mais global, com um esporte menos dependente da Europa
Diretor-esportivo da MotoGP, Carlos Ezpeleta reconheceu que o campeonato precisa reduzir a dependência da Europa, não apenas em termos de calendário, mas também de receita. Além disso, o dirigente defendeu a importância de que o público conheça os pilotos “sem capacete” e pregou que o crescimento do esporte virá do que acontece “fora da pista”.
De acordo com o Financial Times, ¾ da receita da MotoGP com patrocínio vem de parceiros considerados endêmicos, incluindo a indústria automobilística, energia, bebidas energéticas e outras companhias relacionadas ao esporte a motor. A publicação aponta, também, que o lucro da MotoGP caiu quase 5% em 2024 por causa do cancelamento de corridas, indo de € 179 milhões (cerca de R$ 1.1 bilhão) em 2023 para € 161 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) no ano seguinte.
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Cerca de 83% da receita do campeonato com direitos de mídia foi gerada na Europa em 2024 mesmo que a categoria seja transmitida para mais de 200 países. A Ásia, que é o segundo maior mercado, representa só 9%. As Américas e o resto do mundo contribuem igualmente com os 8% restantes.
“Estamos cientes e conscientes de que, por exemplo, nossa composição de corridas é fortemente baseada na Europa no momento, quase 2/3, e prevemos ser mais global no futuro”, disse Ezpeleta em entrevista ao Financial Times.

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Ano passado, a União Europeia concedeu a autorização final para a conclusão de um negócio bilionário no qual o Liberty Media adquiriu a fatia majoritária das ações da Dorna, a promotora não só do Mundial de Motovelocidade, mas também do Mundial de Superbike e muitas categorias de base, como Rookies Cup e Mundial Júnior, por exemplo. Com a transação, MotoGP e Fórmula 1 agora têm o mesmo proprietário.
O Financial Times aponta o efeito do Liberty Media na F1, já que, desde a chegada do grupo norte-americano, em 2017, as receitas quase dobraram, chegando a US$ 3.4 bilhões (aproximadamente R$ 18.3 bilhões) em 2024. A categoria foi capaz de conquistar um novo público graças a parcerias com Netflix e Apple, mas também se aliou a marcas de artigos de luxo, operadoras de cartão de crédito e empresas de tecnologia.
A MotoGP aposta nos pilotos como trunfo, mas reconhece que precisa apresentá-los de forma mais humana para o público. No ano passado, a categoria conseguiu crescer, superando a marca de 3,6 milhões de espectadores nos autódromos ao longo do ano.
“Nossos pilotos são mais gladiadores do que qualquer outro atleta, e acho que é uma questão de contar a história de como super-heróis vêm em todos os formatos e tamanhos… As pessoas precisam conhece-los fora da moto, sem o capacete”, defendeu Carlos.
Ezpeleta explicou que a ideia é levar a MotoGP a “lugares onde as pessoas não esperam que estejamos” e, para isso, a categoria busca patrocinadores ligados a serviços financeiros, produtos de cuidados pessoais e tecnologia, por exemplo. O objetivo é marcar presença em supermercados, aeroportos, na indústria da moda e da música.
No momento, a MotoGP negocia a renovação dos contratos com as 11 equipes participantes, já que os atuais acordos de participação chegam ao fim em 2026. Carlos garante, porém, que o Mundial de Motovelocidade não vai adotar o formato da F1 e passar a compartilhar a receita com base em performance, mas manter um modelo de taxa fixa, já que entende que pagamentos baseados em desempenho podem “agravar problemas”.
Além de novos acordos de participação, a MotoGP se prepara para a adoção de um novo regulamento em 2027, com a substituição dos atuais motores de 1000cc por protótipos de 850cc, com menos aerodinâmica e sem os dispositivos de rebaixamento de suspensão.
“Motos mais seguras, mais entretenimento, mas o maior crescimento virá de coisas que acontecem fora da pista”, completou Ezpeleta.
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
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