Gasly recorda morte de Hubert e admite: “Levei anos para aceitar”
Pierre Gasly recordou fim de semana do GP da Bélgica de 2019 — que contou com a morte de Anthoine Hubert — e admitiu que se arrepende de não ter se despedido do amigo quando o viu pela última vez
Apesar de a segurança ter aumentado consideravelmente nos últimos anos, o automobilismo ainda é um esporte muito perigoso. Pierre Gasly viu o amigo Anthoine Hubert morrer em um acidente na etapa da Bélgica na Fórmula 2 2019 e disse que levou anos para aceitar a perda. O francês também admitiu que tem um certo arrependimento por não ter parado para falar com o compatriota enquanto saía de uma festa semanas antes da batida.
No dia 31 de agosto de 2019, enquanto competia na etapa belga da F2, Anthoine perdeu o controle do carro da Arden no momento em que saía da sequência de curvas Raidillon/Eau Rouge e foi atingido lateralmente por Juan Manuel Correa. Embora transportado urgentemente ao centro médico, o jovem de então 22 anos não resistiu aos ferimentos.
Gasly e Hubert eram muito próximos desde a época do kart, quando corriam juntos. Desde o acidente fatal, o piloto do #10 sempre fez questão de prestar homenagens ao amigo, incluindo uma corrida e caminhada ao longo do traçado de Spa-Francorchamps, onde os participantes aproveitam para deixar buquês de flores próximos ao local da batida.
Em entrevista ao site oficial da Fórmula 1, Pierre admitiu que se arrepende de não ter se despedido adequadamente de Anthoine na última vez que o viu.

“Uma coisa que me arrependo é que, em Budapeste, depois da corrida, fomos para uma festa com Anthoine. Não queria ir embora muito tarde, então saí mais cedo. Não consegui encontrá-lo na boate. Enquanto saía de lá, o vi no terraço. Acenei para ele e disse: ‘tchau, boas férias e nos vemos em Spa’”, relembrou.
“Nunca tive a chance de vê-lo novamente antes do acidente. Só gostaria de ter esperado um pouco mais na boate para abraçá-lo ou me despedir de uma maneira diferente. Isso me ensinou a valorizar os momentos que vivemos com as pessoas que amamos e nunca fazer pouco caso dessas ocasiões”, reconheceu.
Gasly refletiu sobre a tragédia que ocorreu poucos dias após o rebaixamento para a Toro Rosso (atual Racing Bulls) e disse que demorou anos para aprender a conviver com o luto.
“Sempre tentava assistir à F2, e vi o acidente, a bandeira vermelha, e inicialmente não sabia quem estava envolvido e parecia grave. Meu chefe de equipe me disse que Anthoine estava envolvido. Assim que o briefing terminou, corri para a área de hospitalidade para tentar obter mais informações. E enquanto descia as escadas, vi ao longe meus pais em prantos. Infelizmente, entendi imediatamente o que tinha acontecido”, salientou.

“É uma dor enorme. Não foi a primeira vez que passei por essas emoções com um dos meus amigos mais próximos. Dois anos antes, havia perdido um amigo da minha cidade natal, e dois anos depois, acontece com Hubert, de quem eu era extremamente próximo”, lamentou.
“18 horas depois, vou para o GP. A única coisa que as pessoas conseguiam me perguntar durante todo o fim de semana era o quão mal eu me sentia em relação ao rebaixamento, etc, e meu pensamento era: ‘É preciso olhar para o panorama geral’. Foi extremamente difícil lidar com as emoções. Acho que levei anos para realmente processar o que tinha acontecido e aceitar a vida como ela é”, admitiu.
“Você aprende muitas coisas na escola e com seus pais, mas nunca aprende como lidar consigo mesmo nesse tipo de situação”, finalizou Gasly.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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