Red Bull ameniza aumento de bateria em 2026 e vê combustão interna ponto chave em motor

Para o diretor da divisão de motores da Red Bull, as equipes já possuem um vasto conhecimento sobre o motor de combustão interna que ainda pode ser aprimorado

Embora as novas unidades de potência que entram em vigor na Fórmula 1 em 2026 tragam um foco maior no gerenciamento da parte elétrica, a Red Bull acredita que o motor de combustão interna ainda fará a diferença entre os projetos. A fala é do diretor da divisão de motores de Milton Keynes (Red Bull Powertrains), Ben Hodgkinson. Os taurinos entram na nova era da F1 contando com a parceria da Ford.

Nos motores de 2026, a parte elétrica responderá por 50% da potência, por isso há uma preocupação com o controle da bateria e como a recuperação de energia poderá ser usada nas estratégias durante as corridas. Além disso, as unidades de potência serão produzidas para receberem combustível 100% sustentável — ponto sensível também levantado por Hodgkinson.

Mas enquanto os carros aguardam para irem à pista a partir da próxima semana, nos testes privados em Barcelona, as equipes trabalham em ajustes finais e projetam o que, de fato, pode fazer um motor ser melhor que o outro. E para o diretor da Red Bull, a eletrificação será posta em segundo plano.

“Acredito que o motor de combustão interna pode representar o principal fator de diferenciação”, explicou Hodgkinson aos jornalistas após a apresentação do RB22. “No que diz respeito ao ERS (sistema de recuperação de energia, em tradução livre), espero que todos atinjam níveis de eficiência próximos de 99% em termos de potência elétrica”, acrescentou.

Laurent Mekies e Jim Farley, CEO da Ford, durante apresentação do RB22 (Foto: Red Bull Content Pool)

“Para a unidade endotérmica, por outro lado, sabemos que no ciclo técnico anterior os motores mais eficientes atingiam cerca de 50%, portanto ainda há uma margem significativa para melhorias. Outro aspecto determinante será o desenvolvimento que será realizado com o fornecedor de combustível: no nosso caso, a contribuição da ExxonMobil foi fundamental para extrair o máximo de desempenho possível do ICE (motor de combustão)”, completou.

Em seguida, o engenheiro da Red Bull explicou que as diferenças entre as unidades de potência serão menores que as vistas no começo da era híbrida, em 2014. Vale lembrar que a Mercedes dominou os primeiros anos, não dando chance às rivais.

Para Hodgkinson, esse domínio não vai se repetir “porque as unidades de combustão interna serão muito semelhantes entre si. Os combustíveis poderão fazer alguma diferença, mas, no geral, perdemos o MGU-H, a taxa de compressão foi limitada e a sobrealimentação também está restrita. O regulamento introduziu mudanças destinadas a ‘reiniciar’ a tecnologia de combustão, sem, no entanto, alterá-la radicalmente”, seguiu.

“Não estamos diante de uma mudança radical na arquitetura, ainda estamos falando de um V6, e os novos limites do regulamento reduziram as cargas, aliviando consequentemente também o estresse sobre os componentes. Portanto, espero um desempenho geral muito próximo”, continuou.

Por fim, o diretor lembrou que a divisão de motores da Red Bull, apesar de ser um projeto recente, conta com muitas pessoas com longa experiência na Fórmula 1. “Talvez por isso eu esteja otimista”, frisou.

“Claro, será muito interessante entender o nível dos outros fabricantes, mas se tivesse de indicar uma área com maior risco potencial de diferenças de desempenho, diria que é a aerodinâmica. Dito isso, não é minha área: é apenas uma sensação pessoal”, encerrou.

Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.

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