Ferrari apresenta SF-26 em busca de redenção na F1 com mudança de regulamento em 2026
A Ferrari largou o desenvolvimento do carro do ano passado cedo para focar no novo ciclo de regras da F1. Mas o desejo maior é que o casamento com Lewis Hamilton enfim engrene
Determinada a deixar para trás a campanha ruim de 2025 na Fórmula 1, a Ferrari apresentou nesta sexta-feira (23) a SF-26, carro de Lewis Hamilton e Charles Leclerc para a temporada 2026, em evento na pista de Fiorano, na Itália. A tradicional escuderia de Maranello ainda seguiu para o primeiro shakedown na pista particular que possui.
Pontualmente às 7h30 (de Brasília), 11h no horário italiano, a Ferrari revelou ao mundo as linhas do novo carro e a pintura de 2026, quase uma homenagem ao clássico modelo 312 T de Niki Lauda. A esquadra apostou no branco na combinação com o icônico vermelho, mas, desta vez, um pouco mais de intensidade. Também companhando o desenho do macacão dos pilotos, as laterais na altura do capacete e boa parte da cobertura do motor ganhou a cor branca, mesclado com marcas de patrocinadores.
A Ferrari também optou por deixar a fibra de carbono à mostra na cor preta, que aparece ainda nas asas dianteiras e traseiras, bem como em elementos laterais, à frente das entradas de ar e assoalho. Essa é uma solução costumeira para tentar equilibrar o peso do carro. Como parece ser uma tendência em 2026, os engenheiros de Maranello exploraram o conceito da suspensão push-rod, tanto na frente quanto na traseira. O desenho das entradas de ar também são mais arredondados.

“A SF-26 marca o início de uma nova era tanto para a Fórmula 1 quanto para a Ferrari, com novos regulamentos introduzidos no mesmo ano para o chassi e a unidade de potência, além de novos combustíveis e novos tamanhos de pneus”, começou o chefão Frédéric Vasseur. “Este carro é o resultado de um tremendo esforço de equipe e representa o início de uma jornada completamente nova, construída em torno de um conjunto diferente de regras que inevitavelmente traz consigo uma série de incógnitas.”
“A equipe está alinhada e mais unida do que nunca enquanto olhamos para a temporada. A partir da próxima semana, em Barcelona, iniciaremos o processo de compreensão e validação do carro. Nesta fase inicial, a prioridade será aprender o máximo possível e começar a construir bases sólidas antes da corrida de abertura”, completou o francês.
Durante o lançamento, a Ferrari também destacou os elementos novos, porque 2026 trará profundas mudanças no regulamento técnico da F1, a começar pelas novas unidades de potência, com a parte elétrica ampliada para responder por 50% da potência. O combustível, por sua vez, será 100% sustentável, e ainda haverá alterações significativas na aerodinâmica, com o fim do efeito solo e a possibilidade de os pilotos alterarem a angulação das asas — a chamada aerodinâmica ativa.
Todo esse pacote exigiu um intenso trabalho, e a Ferrari optou por voltar o foco para o novo ciclo de regras cedo. Mas a decisão também foi motivada pelo fracasso que foi a SF-25, que trouxe mudanças em relação ao bom projeto que brigou pelo Mundial de Construtores no ano anterior.
Leclerc falou um pouco sobre as decisões do time e o impacto das novas regras. “O regulamento de 2026 exige um nível de preparação ainda maior, principalmente para nós, pilotos. Há muitos sistemas novos para entender e otimizar, e é por isso que estivemos fortemente envolvidos desde os estágios iniciais do desenvolvimento do projeto. Durante meu tempo na Ferrari, já vivenciamos juntos grandes mudanças no regulamento, então sabemos o quão complexo esse desafio pode ser, mas estamos trabalhando com muita motivação para chegar à pista o mais bem preparados possível.”
“O gerenciamento de energia e a unidade de potência estarão entre os aspectos mais importantes — um desafio fascinante que exigirá que nós, pilotos, nos adaptemos rapidamente, confiando mais no instinto no início e, depois, cada vez mais em dados precisos. O apoio dos fãs será especialmente importante nesta temporada. É o que torna a Ferrari tão única e nos impulsiona a dar o nosso melhor”, emendou o monegasco, que vai para a oitava temporada com os italianos.
(Vídeo: Ferrari)
Hamilton também destacou o impacto da nova temporada e entende ser a maior alteração de regras já vivida na longa carreira que tem na F1. “A temporada 2026 representa um enorme desafio para todos, provavelmente a maior mudança de regulamento que já vivenciei na minha carreira. Quando uma nova era começa, tudo gira em torno do desenvolvimento, do crescimento da equipe e de seguir em frente na mesma direção. Como piloto, estar envolvido desde o início no desenvolvimento de um carro tão diferente tem sido um desafio particularmente fascinante, trabalhando em estreita colaboração com os engenheiros para ajudar a definir uma direção clara.”
“Será um ano extremamente importante do ponto de vista técnico, com o piloto desempenhando um papel central na gestão de energia, compreendendo os novos sistemas e contribuindo para o desenvolvimento do carro. É um desafio que enfrentamos juntos como equipe, apoiados pela extraordinária paixão dos tifosi da Ferrari, que significa tanto para todos nós”, acrescentou.
Lewis, aliás, foi um dos pontos negativos no 2025 da Ferrari. Apanhou muito da dirigibilidade do carro e ainda protagonizou alguns desentendimentos com o então engenheiro de corrida, Riccardo Adami, expondo ruídos na comunicação. Em vários momentos ao longo do ano, o heptacampeão cobrou melhorias e insinuou que havia um problema interno maior.
Ele ainda contou que estava preparando um dossiê com informações sobre o que deveria constar no carro de 2026. O que sobressaiu, porém, foi o abatimento diante da falta de resultados. Hamilton acumulou marcas negativas na carreira no primeiro ano de Ferrari, sendo a mais notável ter ficado fora do pódio pela primeira vez no ano desde a estreia na F1, em 2007.
Vasseur também chegou a ver o cargo ameaçado diante da inércia da Ferrari na temporada 2025, mas ganhou voto de confiança e segue na chefia para a nova era da F1. Há, contudo, muita incerteza por conta de recentes especulações que surgiram na imprensa italiana apontando atraso no trabalho com o novo motor. Ralf Schumacher, ex-piloto e hoje comentarista, ainda contou que a Ferrari flerta com o “desastre” por decidir produzir dois carros distintos, atendendo às preferências de Hamilton e Leclerc.
Enquanto os carros não vão à pista para valer, nos testes privados em Barcelona, na próxima semana, a Ferrari dá o pontapé inicial para deixar de vez para trás o quarto lugar no Mundial de Construtores de 2025. E torce para que o casamento com Hamilton enfim encontre estabilidade.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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