Drugovich erra e perde oportunidade em Miami, mas batida não pode ser único recorte
Felipe Drugovich jogou fora a chance do primeiro pódio — e possivelmente a vitória — ao errar e bater em António Félix da Costa no eP de Miami. No entanto, análise sobre a corrida precisa ir além do acidente, em um fim de semana no qual o brasileiro desbloqueou rendimento e mostrou versão esperada pela Andretti
Brigando pelos primeiros pontos na temporada 2025/26 da Fórmula E, Felipe Drugovich tinha uma chance real de vitória no eP de Miami, disputado no último sábado (31), antes de errar e bater em António Félix da Costa. E sim, o equívoco foi o maior em uma sequência de erros do brasileiro nas três primeiras corridas do calendário, mas também aconteceu no momento de maior desempenho. É algo que não pode se repetir, obviamente, mas que também não pode ser visto como o único recorte do piloto da Andretti na corrida. Afinal, a atuação foi muito além disso.
Porque a verdade é que o eP de Miami representou o melhor fim de semana de Drugovich na Fórmula E, ao menos em termos de competitividade. Os treinos livres não trouxeram muito destaque, mas um pequeno ajuste encontrado pela Andretti no acerto do carro deu confiança ao brasileiro — e o resultado veio na classificação. Enfileirando voltas rápidas, Felipe passou aos duelos pela primeira vez e foi direto à final, com direito ao tempo mais rápido do fim de semana — 55s393, registrado na semifinal, contra o próprio Da Costa.
A vitória na decisão não veio, já que a volta contra Nico Müller não esteve no mesmo nível da anterior, mas foi o suficiente para um belo segundo lugar no grid de largada. E o início da corrida foi ainda melhor, com ativação do Modo Ataque logo na primeira volta e a liderança momentânea da prova. O brasileiro cedeu a ponta tempos depois, até para cuidar da energia do carro, mas se manteve na briga pela vitória a todo momento.
Na 26ª de 39 voltas, porém, todo esse trabalho foi pelo ralo. Na freada da problemática curva 13, a penúltima do traçado da Fórmula E em Miami, Drugovich teve problemas com a aderência no asfalto molhado e não conseguiu reduzir a velocidade a tempo de evitar a traseira de Da Costa. O forte impacto destruiu a dianteira do brasileiro, forçou uma ida aos boxes para o conserto e rendeu 10s de punição. Em resumo, jogou Felipe de quarto para 18º.
Por mais que análises simplistas e rasas se amontoem nesses momentos, o erro precisa ser analisado com calma e de dois lados distintos. O negativo é que, de fato, não é o primeiro. Drugovich foi punido duas vezes no eP de São Paulo por infrações em bandeira amarela e errou uma das ativações do Modo Ataque no eP da Cidade do México, o que comprometeu de vez a corrida. Em Miami, abalroou Da Costa e viu mais uma chance de pódio se perder.
Não há sinal de alerta e o retrato não é catastrófico, até porque o brasileiro vive a primeira temporada na Fórmula E — mas são erros consideráveis em três corridas. Há de se pesar também o fato de ser um novato em um carro que pode brigar por vitórias, já que andar ofuscado no fim do grid esconderia alguns desses problemas.
Mas Drugovich foi contratado pela Andretti justamente por não ser um novato comum — tem experiência comprovada, título da Fórmula 2 e uma adaptação ao carro da Fórmula E que chamou atenção desde o início. Os erros, porém, precisam cessar para que o primeiro grande resultado — que claramente já se mostrou possível — venha de uma vez.

Por outro lado, o Drugovich da maior parte do eP de Miami é exatamente o que a Andretti foi buscar. Há de se notar as dificuldades do companheiro do brasileiro, Jake Dennis, que falhou na classificação e lutou para entrar no top-10 durante a corrida. Ainda saiu com um ponto, comprovando habilidade mais uma vez, mas viveu dias bem difíceis e abaixo da média.
Felipe, por outro lado, brilhou na classificação e brigava metro a metro pela vitória na corrida. Ter alguém para dar conta do recado — principalmente nos dias ruins do britânico, campeão mundial na primeira temporada da era Gen3 — era exatamente o que o time americano procurava.
O automobilismo é um esporte que permite exatamente isso: momentos de êxtase intercalados com surpresas, nem sempre positivas. Drugovich não é o primeiro e nem será o último piloto a bater enquanto fazia grande apresentação; a questão é como lidar com isso. E, tanto para o piloto quanto para a Andretti, passando pelo público, a lição que precisa ficar é que o rendimento foi muito além da batida. Pela primeira vez, Felipe deu mostras na Fórmula E do piloto que foi contratado para ser; a partir de agora, pode transformar a pancada em apenas mais uma anedota do campeonato.
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