Renault sofre instabilidade interna e analisa fim de programa da Alpine no WEC
De acordo com o portal The Race, a Alpine pode deixar o WEC ao fim da temporada 2026. Além de instabilidades na alta cúpula do Grupo Renault, o CEO François Provost não tem grande interesse pelo automobilismo
A Alpine pode estar de saída do Mundial de Endurance (WEC) após a temporada 2026, já que o novo CEO do Grupo Renault, François Provost, não tem tanto interesse pelo automobilismo. Além disso, mesmo com a crescente de resultados em 2025, o programa na categoria não agrada à alta cúpula da montadora, que analisa o fim da participação na categoria porque sofre com uma instabilidade interna. A histórica sede em Viry-Châtillon, que até pouco tempo produzia os motores da Fórmula 1, também pode ser fechada.
A informação é do portal The Race. A Alpine ainda não gera lucros como marca independente e o objetivo do Grupo Renault era alcançar o ponto de equilíbrio até 2026, com a A390 sendo peça-chave nesta missão. Porém, o que se viu até aqui não foi animador.
Ainda de acordo com a publicação, apesar do forte crescimento das vendas, os programas de automobilismo estão sob análise. Até mesmo a sede em Viry-Châtillon pode ser sacrificada na busca pela lucratividade.
Dentro das pistas, os resultados começaram a melhorar: na temporada 2025 do WEC, foram três pódios conquistados, incluindo a primeira vitória da montadora na categoria nas 6H de Fuji. Porém, a grande preocupação vai muito além do desempenho da A424, tratando-se da viabilidade a longo prazo da Alpine como marca.

Por esta razão, a lista de inscritos do WEC 2026 foi divulgada mais tarde do que o previsto. Além da incerteza sobre a possível participação da Proton utilizando dois Porsche 963, a divisão de automobilismo da Alpine ainda não tinha recebido aprovação total da alta cúpula.
O programa acabou sendo renovado por apenas uma temporada, e os sinais são claros. Ao que tudo indica, o projeto do Hipercarro da montadora francesa deve deixar o WEC ao fim deste ano. Sob a liderança de Luca de Meo, a participação não tinha uma data de término definida. Provost, que o substituiu em julho do ano passado, mudou a dinâmica — o novo CEO do Grupo Renault é amplamente conhecido por ter pouco interesse pelo automobilismo.
Além disso, mudanças no alto escalão também contribuem para o fim da participação nas corridas de longa duração, já que um pessoal importante está de saída, incluindo François Champond e Bruno Famin, atual vice-presidente de automobilismo e que chegou até a comandar a equipe na F1 entre 2023 e 2024.
Desde então, supervisionou todas as atividades automobilísticas do Grupo Renault fora da F1 incluindo corridas de resistência e rally-raid. E embora a Dacia tenha acabado de vencer o Rali Dakar 2026, espera-se que esse programa também tenha vida curta, apesar de o Sandrider só fazer a estreia competitiva em outubro de 2024.

Como a Alpine parou de fabricar os próprios motores para ser cliente da Mercedes na F1, a histórica sede Viry-Châtillon deve estar perto do fim. Base da Renault Sport desde 1976, o local foi berço dos motores turbo V6, dos dominantes V10 da década de 1990 e dos V8 que conquistaram títulos ao longo de três décadas no início do século. Com 12 títulos conquistados, a Renault continua sendo a segunda fabricante de motores mais bem-sucedida da Fórmula 1, empatada com a Mercedes e atrás apenas da Ferrari.
A mudança de nome da fábrica para Hypertech Alpine em 2024 pouco alterou a estrutura de fato. Embora a produção do motor V6 turbo do carro do WEC tenha sido internalizada após ter sido inicialmente atribuída à Mecachrome, a escala dessa atividade é mínima em comparação com o que uma produção completa de motores de F1 exigia antigamente. Principalmente porque as unidades de potência já estão projetadas e homologadas, o que está longe de ser suficiente para justificar a permanência de 300 a 350 funcionários em tempo integral.
De momento, o WEC está de férias. A primeira etapa da temporada 2026 está marcada para ser disputada entre os dias 26 e 28 de março, no Catar. Uma semana antes, também em Lusail, acontece o Prólogo.
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