Alonso critica carro “sem riscos” da F1 2026: “Até nosso chef de cozinha consegue pilotar”
Assim como Lewis Hamilton e Max Verstappen já fizeram, agora foi a vez de Fernando Alonso tecer críticas aos carros do novo regulamento da Fórmula 1. De acordo com o espanhol, os pilotos não precisam mais correr tantos riscos como era no passado
Fernando Alonso destacou que o papel do piloto “está desaparecendo” na Fórmula 1, já que, de acordo com ele, os carros estão se tornando cada vez mais fáceis de guiar. Além disso, ao destacar a dependência excessiva das baterias, o espanhol criticou a perda de velocidade nas curvas, algo que ficou ainda mais nítido durante a primeira semana dos testes de pré-temporada no Bahrein.
O bicampeão mundial, no entanto, não foi o primeiro a tecer duras críticas ao novo regulamento. Enquanto Lewis Hamilton falou contra a complexidade dos novos modelos, comparando-os até mesmo aos utilizados na Fórmula 2, Max Verstappen foi além e disse que o monoposto “parece um Fórmula E com esteroides”, fazendo uma ligação clara com a necessidade de economizar energia o tempo todo.
“Esta é uma F1 sem riscos. O papel do piloto está desaparecendo”, começou Alonso em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no circuito de Sakhir. “[Os carros] são diferentes. Toda essa energia tira um pouco do desafio do piloto”, continuou.
“Nos anos 1990 e início dos anos 2000, eram os melhores carros para pilotar: leves, com muito som, em que você ganhava tempo arriscando mais, passando por uma curva rápida em aceleração total e no limite. Assumíamos riscos como pilotos. Agora não precisamos assumir riscos; trata-se de ter mais energia, porque todos nós a usamos nas retas e, nas curvas, não queremos desperdiçá-la”, criticou.

“Isso significa que fazemos as curvas bem mais devagar, enquanto nas retas temos toda a energia disponível. Mas ir devagar nas curvas — que é a principal função do piloto, arriscar tudo nelas — está meio que desaparecendo. Hoje não fazemos muita coisa nas curvas”, pontuou o titular da Aston Martin, que explicou ainda como “qualquer um” consegue pilotar os novos carros da categoria.
“Aqui no Bahrein, a curva 12 sempre foi muito desafiadora. Antigamente escolhíamos o nível de downforce para poder fazê-la de pé embaixo. Era a sensibilidade do piloto que fazia a diferença na volta. Agora, na curva 12, estamos cerca de 50 km/h mais lentos porque não queremos gastar energia ali: queremos tê-la toda nas retas”, sublinhou.
“Então, em vez de fazê-la a 260 km/h, você faz a 200 km/h — e nessa velocidade qualquer um consegue pilotar o carro, até o nosso chef de cozinha consegue fazer isso. Mas não queremos desperdiçar energia, porque precisamos dela na próxima reta”, completou.
“Ainda amamos correr, ainda amamos competir e, no que diz respeito às regras, entendo que há menos contribuição da pilotagem. Mas acho que depois de três ou quatro corridas teremos uma ideia mais clara”, encerrou Alonso.
A Fórmula 1 volta de 18 a 20 de fevereiro, também no Bahrein, com a segunda e última bateria de testes coletivos da pré-temporada 2026. Depois, segue para a Austrália, palco da abertura do campeonato, em 8 de março.
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