GUIA 2026: Favoritos, azarões e incógnitas — o raio-x da temporada da Indy
Álex Palou inicia o ano como referência, mas rivais tradicionais e equipes em ascensão prometem esquentar briga da Indy 2026
A temporada 2026 da Indy começa neste fim de semana, com o GP de St. Pete, circuito de rua montado na Flórida, tendo um grande favorito: Álex Palou, que dominou a categoria nos últimos anos. Mas não é por ter um nome na prateleira mais alta que não exista concorrência — a lista de competidores com capacidade para destronar o espanhol da Ganassi é enorme.
Penske, Andretti e McLaren seguem à caça de Palou, com importantes reforços na estrutura — seja de pilotos, diretores ou até mesmo no próprio espaço físico. Só entre essas três equipes, são nove carros na perseguição.
Além disso, equipes médias — como Meyer Shank e Foyt, por exemplo — seguem a preparação para beliscar vitórias, o que é bom para um brasileiro nessa história: Caio Collet, novo reforço da Foyt, que estreia na Indy após dois bons anos no automobilismo norte-americano. Ele briga pelo Novato do Ano, mas pode surpreender.
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Além dos candidatos ao título, a Indy conta com muitos nomes que podem surpreender, além de algumas incógnitas. Confira quem é quem no grid da temporada 2026 da principal categoria de monopostos do automobilismo norte-americano.
Ganassi é favoritaça
A Ganassi é a equipe a ser batida na Indy. Depois da ‘Era Dixon’, o time comanda o campeonato com um piloto ainda mais dominante, que é Álex Palou — campeão de quatro das últimas cinco temporadas, além de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis de 2025. Parte como favorita, com certa margem para as rivais. Caso leve o título, se tornará a maior campeã da história de modo isolado, desbancando a poderosa Penske.
Kyffin Simpson #8 – para deixar de ser só piloto pagante: piloto com poucos resultados nas categorias de base, entrou em um quinto carro da Ganassi em 2024, muito graças ao forte aporte financeiro da família. No primeiro ano, mostrou pouco para garantir a renovação, mas fez com que Linus Lundqvist, novato daquele ano, fosse demitido e Marcus Armstrong realocado na Meyer Shank, após a Indy determinar três charters por equipe. Mesmo sem um ano brilhante em 2025, Simpson deu um salto considerável, com alguns top-5 e pódio no GP de Toronto. É o patinho feio do trio, mas terá uma nova oportunidade de provar que não é apenas pagante.

Scott Dixon #9 – briga por título: nunca duvide do multicampeão da Indy. Quando menos se espera, o neozelandês aparece e vence. É assim há 21 temporadas, com o piloto vencendo ao menos uma etapa. É bem verdade que tem terminado atrás de Palou após a chegada do espanhol à Ganassi, mas a história prova que nunca se pode descartar Dixon na Indy.
Álex Palou #10 – favoritaço: nos últimos cinco anos, Palou foi campeão em quatro. O único em que ficou fora da disputa foi em 2022, quando o interesse em ir para a McLaren e o impasse jurídico com a Ganassi tiveram um peso enorme no desempenho. Fora isso, dominou os rivais como quis. Mais do que isso: em 2025, simplesmente esmagou a concorrência com oito vitórias — entre elas, as 500 Milhas de Indianápolis — e título garantido na 15ª de 17 etapas. Para 2026, nenhum elemento novo será adicionado ao calendário, que mantém carro e motor do ano passado.
Penske vai para briga
Para inglês ver ou não, a Penske completou uma reformulação após a demissão da alta cúpula — Tim Cindric, presidente, e os diretores Kyle Moyer e Ron Ruzewski — com a exposição do escândalo dos atenuadores modificados ilegalmente. Como último ato dessas mudanças, Cindric voltou ao time como estrategista de Scott McLaughlin. Tudo isso para retornar ao caminho dos títulos, que ficou bem distante em 2025, com apenas duas vitórias, já na reta final da temporada.

Josef Newgarden #2 – luta pelo título: apesar de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 2023 e 2024, Newgarden não disputa o título de fato desde a temporada 2022. Com uma Penske em reformulação, que mostrou recuperação no fim do ano passado, não se pode descartar o piloto, principalmente nas corridas em ovais.
Scott McLaughlin #3 – deve surpreender: depois de duas temporadas sólidas na Penske, Scott decepcionou em 2025 — assim como toda a equipe, é verdade, mas foi o único a não subir no topo do pódio. Precisa recuperar terreno dentro da própria estrutura e terá um aliado forte: Tim Cindric, que retorna à Penske como estrategista do #3.
David Malukas #12 – para virar grande: enfim, chegou a oportunidade de Malukas competir em uma grande equipe. A chance havia pintado em 2024, quando foi contratado pela McLaren, mas uma fratura na mão, em decorrência de uma queda de bicicleta antes do início da temporada, atrapalhou tudo. Uma recuperação lenta, com informações desencontradas em relação à lesão, gerou a demissão do norte-americano, que foi se reencontrar na Meyer Shank e, posteriormente, na Foyt, que foi o trampolim para Malukas chegar à Penske. A cobrança passa a ser por vitórias, que serão necessárias se o piloto quiser permanecer em uma grande equipe.
McLaren também é candidata ao título

Definitivamente, a McLaren possui todos os ingredientes para levar o título da Indy. Tem uma grande liderança com Tony Kanaan, um ótimo piloto em Pato O’Ward, um Christian Lundgaard extremamente promissor e, agora, uma nova sede, que era um investimento necessário para o time. Em 2025, o mexicano foi vice-campeão, com uma campanha que lhe renderia o troféu se não fosse a exuberância de Palou.
Pato O’Ward #5 – vai para o embate: para muitos, ainda falta algo para ser campeão, mas o fato é que O’Ward tem como rival uma das parcerias mais eficientes da história da categoria, que é Palou-Ganassi. Então, é verdade que o mexicano precisa dar um passo adiante se quiser colocar o nome na história da Indy — ou até mesmo pleitear um lugar na McLaren da F1.
Nolan Siegel #6 – precisa justificar o emprego: surpreendentemente, enquanto disputava a Indy NXT 2024 e fazia provas pela Dale Coyne na Indy — estas sem brilho —, foi contratado pela McLaren para substituir Théo Pourchaire, que havia sido confirmado para o lugar de David Malukas. Desde então, nada fez para demonstrar que merece a vaga e entra na temporada derradeira do contrato com pressão por resultados. Se ficar longe do top-10, como tem acontecido, não deve aparecer na McLaren em 2027, a não ser que os fatores financeiros sejam preponderantes na equipe.
Christian Lundgaard #7 – pode surpreender: em circuitos mistos e de rua, já provou que está entre os principais pilotos da Indy. Mostrou grande progresso em ovais, mas ainda falta experiência e malícia nesse tipo de traçado para se tornar um dos candidatos ao título. Está no caminho.
Andretti se prepara para voltar ao topo

O Grupo TWG mostra que os olhos não estão somente na Cadillac na F1. Apesar de ser a prioridade no momento, a organização também investiu pesado na estrutura da Andretti na Indy. O chefe de operações, Rob Edwards, terá ao lado Ron Ruzewski, que chega da Penske junto de Will Power, na transferência mais bombástica para a temporada 2026. Ingredientes que sinalizam que uma Andretti empenhada em voltar à briga por títulos, que acabou ficando distante para Kyle Kirkwood em 2025, mesmo vencendo três corridas.
Will Power #26 – candidato ao título: apesar de deixar a desejar nas últimas edições das 500 Milhas de Indianápolis, Will se mostrou melhor piloto da Penske nas temporadas passadas, mas o fim do casamento de 16 anos com a equipe foi atribulado: no início de 2025, o time não queria mais o australiano. Quando se decidiu pela renovação, a Penske viu Power já ter um acerto com a Andretti. Chega com pompas de campeão, algo que a Andretti não tinha desde 2021, quando encerrou a parceria com Ryan Hunter-Reay. A missão do atual #26 é liderar um time que falhou bastante nos últimos campeonatos da Indy.
Kyle Kirkwood #27 – deve surpreender: o norte-americano foi o primeiro piloto a chegar à Indy com títulos na USF2000, Pro 2000 e Indy Lights — atual NXT. Toda a expectativa em cima de Kirkwood começou a desabrochar em 2025, tendo sido o único piloto a vencer na categoria que não fosse Álex Palou até a nona etapa do campeonato. Porém, depois disso, não voltou ao pódio. É essa constância que falta para brigar pelo título. Um pouco mais de maturidade e a adição de Power à equipe podem fazer o norte-americano dar esse salto.
Marcus Ericsson #28 – luta para manter emprego: na Ganassi, mostrou que entendeu o jogo da Indy, brigando por vitórias — levou a Indy 500 de 2022 com desempenho exuberante no final — e figurando entre os candidatos ao título. No entanto, rejeitou continuar como piloto pagante e preferiu ir à Andretti, onde ainda está devendo muito. Em duas temporadas, Ericsson pouco mostrou. Continua na equipe muito mais pelo bom desempenho nas 500 Milhas de Indianápolis do ano passado, quando emocionou muita gente na Andretti ao cruzar na segunda posição — desclassificado posteriormente por irregularidade técnica no carro. 2026 é crucial, ainda mais com a equipe apoiando Dennis Hauger, emprestado à Dale Coyne.
RLL tenta sair do limbo

Depois que venceu as 500 Milhas de Indianápolis de 2020 com Takuma Sato, a RLL se tornou uma das equipes mais inconsistentes da Indy. Embora apareça com destaque em algumas corridas, como no circuito misto de Indianápolis, sucumbe na maioria, andando no fundo do grid. Tenta com Mick Schumacher, Graham Rahal e Louis Foster dar um passo rumo à consistência.
Graham Rahal #15 – para sair da seca: sem vencer desde 2017, Rahal busca essa vitória para encerrar um dos mais longos jejuns da categoria. Mas, mais do que pensar somente na incômoda seca, o norte-americano é o piloto mais experiente da equipe e precisa liderar a estrutura em busca do fim da oscilação constante dos últimos anos.
Louis Foster #45 – busca consolidar espaço na Indy: impressionou muita gente com o modo como ganhou o título da Indy NXT em 2024. Foi apontado como possível surpresa para 2025. Chegou a fazer a pole-position do GP de Road America e foi Novato do Ano, mas decepcionou ao completar a temporada sem nenhum top-10.
Mick Schumacher #47 – tenta entrar na briga para ser Novato do Ano: a chegada à RLL foi repentina e surpreendente, porque Mick definitivamente vinha firmando caminho no endurance. Vai ter um desafio enorme em uma equipe que parece estar em constante reconstrução. Terá pela frente a adaptação às pistas, geralmente com muito mais ondulações que na Europa, sem contar os ovais, além do estilo norte-americano de fazer automobilismo.
Meyer Shank sai em busca de uma segunda vitória

A equipe conhece bem o sabor da glória: em 2021, com Helio Castroneves, venceu as 500 Milhas de Indianápolis, quando era uma nanica. Fruto da parceria com o brasileiro, que se tornou sócio, o time progrediu bem na estrutura, que agora tem o departamento técnico alinhado com a Ganassi. A Meyer Shank teve resultados sólidos em 2025, mas ainda falta aquela vitória para começar a pensar em ser grande na Indy.
Felix Rosenqvist #60 – para sair do muro: no fim de 2020, a Ganassi queria renovar com o sueco. Porém, Rosenqvist optou por assinar com a McLaren, em uma movimentação que abriu caminho para Palou ir à equipe de Chip Ganassi. O fato é que Rosenqvist, apesar de uma vitória, pódios e poles na categoria, ainda está devendo na Indy. Por enquanto, não tem a vaga ameaçada na Meyer Shank, mas a temporada de 2026 pode ser uma quebra de paradigma para o #60, que precisa mostrar algo para se desvincular do rótulo de piloto mediano.
Marcus Armstrong #66 – tem de evoluir: o neozelandês está na Meyer Shank por conta da parceria com a Ganassi, que alocou toda a estrutura técnica do antigo carro #11 na equipe de Mike Shank. Marcus tem evoluído na Indy, mas o progresso é tímido. Se deseja voltar a uma grande, como a própria Ganassi, precisa evoluir ainda mais em 2026.
Foyt mira vitórias

Caio Collet #4 — também entra na briga pelo posto de Novato do Ano: levar o título de melhor estreante da temporada seria um baita apresentação para a estreia da Indy, ainda mais se conseguir andar próximo a Santino Ferrucci e encontrar os bons resultados que a Foyt exibiu com o carro em 2025. Teve dois anos de adaptação ao automobilismo norte-americano, onde se mostrou competitivo — em que pese ainda necessitar de melhor adaptação aos ovais. A briga vai ser contra Mick Schumacher, que tem a experiência de F1 e Mundial de Endurance (WEC), mas está em uma equipe que parece correr atrás no rabo no quesito evolução, e vai reencontrar Dennis Hauger, que o superou na temporada 2025 da Indy NXT. Desta vez, a vantagem é de Collet, que está em uma equipe melhor que o norueguês.
Santino Ferrucci #14 – tenta entrar na galeria de vencedores: pode não ter o carro de David Malukas, mas Ferrucci alcançou um degrau de maturidade que pode colocá-lo entre os vencedores da Indy. Ainda não é como a Penske, mas a Foyt progrediu muito com a parceria técnica e bateu na trave em algumas ocasiões. Santino tem potencial para subir ao lugar mais alto do pódio neste ano.
Carpenter tenta deixar o limbo

A temporada de 2025 foi a primeira, em muitas, em que a Carpenter não precisou vender o almoço para pagar o jantar. Com a entrada de um novo sócio, o magnata da indústria alimentícia Ted Gelov, o time pôde investir em estrutura — algo que continua fazendo para 2026 — e na aquisição do experiente Alexander Rossi, que forma uma dupla interessante com Christian Rasmussen. O dinamarquês se mostra um talento promissor em circuitos ovais — venceu o GP de Milwaukee no ano passado, aliando estratégia e arrojo. Não deve aparecer como protagonista na maioria das etapas, mas também deve ficar distante do fundo do pelotão.
Alexander Rossi #20 – quer deixar o meio de tabela: já faz uma década desde a vitória de Rossi nas 500 Milhas de Indianápolis. Pela Andretti, brigou por títulos na Indy, mas esse recorte é pequeno dentro da passagem do norte-americano pela categoria. Parece ter deixado o auge, mas tem na regularidade um grande trunfo para conquistar resultados além das expectativas.
Christian Rasmussen #21 – tenta deixar de ser promessa: estreou na temporada 2024 da Indy sem muito destaque, mas conseguiu a renovação após assumir o lugar do chefe na reta final e colocar o carro #20 no Leaders Circle, garantindo uma premiação de US$ 1 milhão ao time. Com isso, em 2025, passou a disputar o campeonato completo e mostrou enorme potencial em ovais — nesse tipo de traçado, não ficou fora do top-10 apenas na etapa derradeira, em Nashville, quando bateu logo no início, ainda “de ressaca” pela vitória na semana anterior, em Milwaukee. Tem a chance de colocar o nome entre os melhores do grid nos ovais e, quem sabe, com evolução nos mistos, tornar-se alvo das grandes equipes.
Juncos corre atrás de pódios

Em dificuldades financeiras, deixou claro que optaria por pilotos pagantes em 2025 e assinou com Sting Ray Robb e Conor Daly. Para 2026, ao menos na dupla, deu um salto: manteve Robb e os milhões de dólares no #77 e trouxe Rinus VeeKay, uma das sensações do ano passado pelo bom trabalho na Dale Coyne. Agora, resta saber se o pacote financeiro está completo para a Juncos dar um salto competitivo.
Rinus VeeKay #76 – luta por pódios: para quem subiu ao pódio com a Dale Coyne em 2025 — equipe que viveu situação financeira complicada e precisou recorrer a um rodízio de pilotos em 2024 —, repetir o feito pela Juncos não parece missão impossível. Talento, o neerlandês tem até para mais; vai depender do que o time oferecer. Se o carro for competitivo, VeeKay pode pensar em voos maiores para 2027.
Sting Ray Robb #77 – é piloto pagante: ainda não mostrou a que veio na Indy. Até aqui, sustenta-se pelos volumosos cheques dos patrocinadores. Luta para não ser o último do grid.
Dale Coyne busca o pelotão intermediário

Com um pacote de patrocínio e parceria com a Andretti, a Dale Coyne, ao que tudo indica, deve se estabelecer no meio do pelotão. Conta com Romain Grosjean, que já demonstrou velocidade na Indy, apesar da inconstância, e também com Dennis Hauger, que impressionou na Indy NXT, para cumprir a missão.
Romain Grosjean #18 – briga por pódios: o francês sempre subiu ao pódio, com exceção da temporada 2024, quando competiu pela Juncos — bateu na trave com um quarto lugar. Foi na Dale Coyne, em 2021, que Grosjean encontrou o melhor equilíbrio entre desempenho e ambiente na Indy.
Dennis Hauger #19 – vai para a disputa de Novato do Ano: chega com certa badalação após impressionar no título da Indy NXT em 2025, mas sabe que terá missão mais dura para ser o Novato do Ano em 2026. A Andretti conta com o melhor acerto da categoria de base, enquanto a Dale Coyne, mesmo com a parceria com o time de Dan Towriss, precisará de algo a mais para alcançar a Foyt — de Caio Collet.
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