5 coisas que aprendemos com dia 4 dos testes da F1 2026 no Bahrein
A Fórmula 1 está volta ao Bahrein, para a segunda semana da pré-temporada 2026. E a quarta-feira de cinzas viu a Mercedes pular à frente com George Russell já na hora final das atividades. Mas o dia foi marcado também por muitos erros e escapadas, além de decisões da FIA para a polêmica do motor e os procedimentos de largada. Confira os cinco pontos de atenção do quarto dia de testes
Depois da folia, o trabalho. A Fórmula 1 nem esperou a quarta-feira de cinzas passar para retomar as atividades no Bahrein. A segunda e última semana de testes antes do início da temporada, na Austrália, começou com a Mercedes na frente. George Russell cresceu na hora final e pulou para a ponta da tabela, apenas 0s010 mais rápido que Oscar Piastri, que liderou grande parte da sessão. Charles Leclerc também foi destaque com a Ferrari, enquanto Gabriel Bortoleto foi capaz de colocar a Audi no top-10.
Mas o dia em Sakhir foi marcada ainda pelas decisões da Comissão de F1 em relação à controvérsia envolvendo a brecha encontrada pela Mercedes com relação aos motores de 2026, bem como a atenção no que diz respeito aos procedimentos de largada. Inclusive, os minutos finais foram dedicados a uma simulação de largada, algo que deve acontecer mais vezes durante essa semana.
Portanto, o GRANDE PRÊMIO lista abaixo cinco pontos de destaque do quarto dia de testes.
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Largada perigosa?
O procedimento de largada ganhou atenção especial da F1 dentro do novo regulamento. A questão toda gira em torno do gerenciamento da parte elétrica para o momento do apagar das luzes no grid. Isso porque as mudanças feitas na arquitetura da unidade de potência de 2026, incluindo a remoção do MGU-H, que ajudava a encher o turbo em conjunto com o motor de combustão interna, fazem com que os pilotos levem muito mais tempo para colocar os carros na configuração ideal para começar a prova.
E é exatamente esse tempo que preocupa. Por isso, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) decidiu promover experimentos para minimizar os problemas. Esse ponto foi discutido com as equipes durante a reunião da Comissão de F1 e ficou acordado que algumas mudanças serão necessárias. “Houve conversas construtivas e propostas centradas no procedimento de largadas durante a reunião da Comissão da F1. Como resultado, serão avaliadas atualizações nos sistemas de prova e dos carros ao longo dos testes no Bahrein”, disse o comunicado da entidade que rege o esporte.
De fato, a F1 utilizou os minutos finais da sessão desta quarta-feira para testar os procedimentos. Agora, há um sinal luminoso azul que será acionado 5s antes do início da sequência de luzes no grid. Essa é uma das soluções para que todos tenham tempo de deixar o motor dentro da janela correta de operação.
Gabriel Bortoleto falou sobre o ensaio de largada e resumiu como “uma bagunça”. Para o piloto brasileiro, essas alterações complicam ainda mais a adaptação ao novo regulamento. “Se eu tiver que resumir em poucas palavras: é uma bagunça. Essas largadas são muito difíceis”, afirmou.
“É um procedimento muito complexo e, para ser sincero, não é dos mais fáceis. Antes era mais simples e agradável, porque você engatava a primeira e largava. Agora é um pouco arriscado, porque há muito o que fazer”, completou Gabriel.
(Vídeo: Reprodução/F1 TV)
Fim da polêmica do motor?
Outro ponto de discussão desta pré-temporada ainda fala sobre o novo motor e da brecha encontrada pela Mercedes com relação à taxa de compressão, mas talvez uma solução pacífica tenha sido encontrada. A Comissão de F1 também abordou o assunto e já há uma proposta para alterar o sistema de medição. Apesar do regulamento atual verificar a taxa de compressão com os carros parados em temperatura ambiente, a oferta da FIA de agora é mudar essa avaliação.
Ou seja, um novo sistema em que a medição pode ser feita com o motor em temperatura de funcionamento. A FIA enviou a proposta para aprovação das fabricantes. Uma vez aceita, o protocolo passará a valer a partir da metade da temporada.
“Nas últimas semanas e meses, a FIA e os fabricantes de motores desenvolveram em conjunto uma metodologia para quantificar como a taxa de compressão muda das condições ambientais para as condições operacionais. Após a validação dessa abordagem, foi apresentada uma proposta segundo a qual, a partir de 1º de agosto de 2026, a conformidade com o limite da taxa de compressão deverá ser demonstrada não apenas em condições ambientais, mas também a uma temperatura operacional representativa de 130°C”, disse a entidade em nota.
“A votação foi submetida aos fabricantes de unidades de potência, e o resultado é esperado nos próximos 10 dias e será comunicado no momento oportuno. Como em todas as mudanças regulatórias da Fórmula 1, qualquer alteração permanece sujeita à aprovação final do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA”, completou.

Erros e escapadas
Ainda no campo do novo regulamento, a segunda semana de testes teve início com diversos erros e escapadas dos pilotos. Está muito claro que a nova geração de carros exige muito não só do gerenciamento da unidade de potência, mas também do comportamento dos freios e pneus, além do drible do menor downforce.
Tem sido um desafio compreender as implicações entre o gasto e a reserva de energia, o trabalho da transmissão e o equilíbrio geral do carro no momento da frenagem. Será interessante entender a dinâmica de tudo isso em corrida.
Mercedes atualizada e na liderança
A Mercedes também apareceu no circuito de Sakhir com mudanças importantes no carro, que incluíram atualizações na asa dianteira, no assoalho, no duto dos freios dianteiros, no retrovisor, na parte traseira do sidepod e na tampa do motor. Foi um conjunto parrudo de novidades, na tentativa de ampliar as possibilidade de performance, bem como o teste de confiabilidade. Por isso, o programa técnico foi dividindo em stints longos e curtos, no trabalho em cima dos pneus médios na parte maior parte do tempo. Não à toa, a esquadra liderou o dia com George Russell.
“Foi bom voltar à pista aqui no Bahrein. Com apenas três dias de testes de pré-temporada restantes antes de irmos para Melbourne, cada volta é preciosa. Não tivemos a melhor confiabilidade no primeiro teste, mas começamos esta semana com o pé direito, completando 147 voltas entre mim e Kimi (Antonelli) começou Russell.
“Trouxemos várias atualizações para o W17 esta semana, então nosso programa foi focado em avaliá-las e garantir que não encontraríamos nenhuma surpresa desagradável. Conseguimos completar a maior parte do trabalho que havíamos planejado e agora podemos continuar a desenvolver nosso aprendizado ao longo dos dois dias finais de testes”, emendou.
A Mercedes, de novo, foi o time que mais andou nesta quarta-feira, com 145 voltas e nenhuma falha.

Inovadora Ferrari
Como a Mercedes e a Red Bull, a Ferrari também retomou os trabalhos, trazendo na mala uma atualização das mais intrigantes. A equipe italiana instalou uma pequena asa posicionada logo atrás do exaustor. O elemento rapidamente chamou a atenção do paddock e foi amplamente testado por Charles Leclerc pela manhã e Lewis Hamilton à tarde.
O novo componente tem aparência semelhante a uma pequena “beam wing” — pequena asa localizada na traseira do carro, entre a asa principal e o difusor, com função de melhorar o fluxo de ar e aumentar a pressão aerodinâmica. A peça foi bastante comum na geração anterior de carros e está localizada em uma área da parte traseira onde a carroceria é, em teoria, fortemente limitada pelas regras.
A expectativa é que a Ferrari tenha explorado permissões relacionadas aos suportes da asa traseira para manter a solução dentro dos limites estabelecidos pela FIA. Outra corrente de pensamento diz que o elemento é tão curioso que dificilmente será copiado. Veremos.
A Fórmula 1 retorna nesta quinta-feira (19), às 4h (de Brasília, GMT-3), para o quinto dia de testes coletivos da pré-temporada, no Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO e EM TEMPO REAL e traz a análise completa após a sessão no BRIEFING.
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