5 coisas que aprendemos com dia 6 dos testes da F1 2026 no Bahrein
Se na quinta-feira tomou os holofotes por conta da excentricidade da asa traseira, a Ferrari dominou o dia final de testes na base da performance no Bahrein. A escuderia decidiu calçar pneus macios e liderou a tabela com folga, pelas mãos de Charles Leclerc. O ritmo chamou a atenção e já coloca a fábrica de Maranello em posição de destaque em uma prévia da ordem de forças da F1 2026. Mas a sexta-feira (20) revelou outros detalhes da concorrência. Portanto, o GRANDE PRÊMIO lista aqui os cinco pontos de atenção da última sessão da pré-temporada
A pré-temporada 2026 é finita. Agora, a Fórmula 1 volta a se encontrar apenas em Melbourne, na Austrália, daqui a duas semanas, mas os testes do Bahrein deixaram um gostinho de quero mais e algumas respostas importantes, especialmente sobre o novo regulamento. Havia, claro, uma enorme curiosidade sobre o comportamento dos carros e das unidades de potência, e isso acabou sendo um dos pontos centrais dessas últimas duas semanas em Sakhir. Mas há também uma intensa busca para entender os resultados de pista, de performance, diante da tentação de se estabelecer a ordem de forças do grid.
De toda a maneira, dá para falar sobre a velocidade da Ferrari e as atualizações que os italianos pensaram para a SF-26. Charles Leclerc cravou o melhor tempo da pré-temporada em cima dos pneus macios e deixou no ar a sensação de que dava para forçar um pouco mais. Essa impressão também pode ser aplicada à McLaren e à Red Bull. Ambas buscaram trabalhar longe dos holofotes, mas é inegável que têm mais a oferecer. Neste ponto, também é importante mencionar a Mercedes, que, apesar dos problemas de confiabilidade, construiu um carro consistente e é a principal aposta do paddock.
Mais uma vez, a Audi apareceu bem. Gabriel Bortoleto conduziu uma simulação de classificação na parte final e foi capaz de cravar o sétimo melhor tempo do dia. Há um progresso grande e que já coloca a fábrica alemã em um patamar diferente. Entretanto, houve quem viveu um pesadelo. A Aston Martin seguiu com problemas e fechou a sessão com apenas seis voltas.
Diante disso, é hora de lista cinco pontos importantes da pré-temporada da F1 2026.
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FERRARI MORDE E ASSOPRA
A Ferrari foi o grande nome da pré-temporada da Fórmula 1 em 2026. A escuderia bem que tentou passar ao largo dos espiões, mas as excêntricas atualizações que colocou em pista e a decisão de buscar velocidade tornaram a tarefa mais difícil. A verdade é que a esquadra vermelha apresentou um desempenho sólido ao longo de todos os dias de atividades e foi capaz de testar tudo que era possível, explorando ao máximo as facetas do regulamento. No fim, terminou com o melhor tempo das duas semanas de trabalho no Bahrein e com muita coisa para pensar até a Austrália. Curiosamente, a Ferrari também fechou o shakedown de Barcelona, no fim de janeiro, com as marcas mais rápidas.
É importante destacar ainda que o engenheiros de Maranello souberam como inovar. Primeiro, com uma pequena aleta, posicionada em frente ao escapamento, numa tentativa de usar os gases quentes para melhorar a eficiência aerodinâmica. Mas foi a asa macarena que chamou a atenção. O dispositivo invertido ganhou as manchetes não só pela criatividade, mas principalmente pela ousadia — que, inclusive, teve aprovação da FIA. De fato, a SF-26 trabalha bem nas retas e em largada — Lewis Hamilton saltou como um foguete no ensaio de quinta-feira, ratificando as soluções encontradas para o problema do gerenciamento de energia do turbo.
No fim das contas, a Ferrari impressionou pelo ritmo de classificação — Leclerc foi o mais veloz do dia final, andando em 1min31s992, com pneus C4 (macios) e deixou a impressão que poderia ter feito mais. O desempenho em trechos mais longos também foi interessante, embora ligeiramente abaixo do que a Mercedes conseguiu fazer. Ainda assim, os italianos deixam o Bahrein com a justa sensação de dever cumprido.
E nunca é demais a precaução, como bem pontuou o monegasco. “Cumprimos nosso programa e testamos tudo o que havíamos planejado. Em termos de performance, ainda é difícil entender onde realmente estamos, porque as equipes estão escondendo seu verdadeiro ritmo.”

AUDI PRONTA PARA BATALHA
A Audi enfrentou um começo de pré-temporada difícil. Sofreu com confiabilidade e se viu longe de performances mais expressivas. No entanto, a equipe deu um enorme salto durante as duas semanas no Bahrein. Assim como as concorrentes, a esquadra alemã também testou novidades, como os sidepods verticais e uma nova asa traseira, além de outros elementos aerodinâmicos. E apesar de alguns contratempos aqui e ali, o time chefiado por Jonathan Wheatley trabalhou muito nas garagens e foi capaz de virar tempos consistentes, especialmente nas simulações de corrida.
No último dia de atividades no circuito de Sakhir, Bortoleto completou um total de 71 voltas e anotou 1min33s755 como melhor tempo, ocupando o sétimo lugar na classificação geral. Nico Hülkenberg, por sua vez, acumulou 64 giros e cravou 1min36s019 no cronômetro, contentando-se com a 15ª posição. Independentemente do resultado, impressionou mesmo a forma como o alemão concluiu os trechos longos, em cima dos pneus C3.
“Se olhar para 2026 até agora, vejo um nível extraordinário de ambição em toda a equipe. Mas ainda há uma lista substancial de tarefas rumo ao início da temporada. Fizemos um progresso sólido nas últimas duas semanas, mas não temos ilusões quanto ao desafio à frente ou ao nível de competição que enfrentaremos em Melbourne. Dito isso, estamos motivados, focados e unidos. O espírito de equipe entre Hinwil, Neuburg e Bicester é do mais alto nível”, resumiu o chefão da Audi.
QUARTETO EQUILIBRADO
Claro que é preciso levar em consideração que teste é teste e que a real performance só deve mesmo aparecer após o sinal verde do primeiro treino livre em Melbourne, até porque as equipes evitam andar com o motor no melhor mapeamento ou com pouco combustível, mas já dá para entender que há uma divisão bem clara de desempenho no grid. Quer dizer, as quatro grandes — Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull — estão, sim, alguns passos à frente das demais. É uma questão lógica, diante do poder de desenvolvimento e de recursos humanos, só que não deixa de ser interessante tentar entender a ordem entre elas, não?
Pois bem, Andrea Stella, chefe da McLaren, entende que Mercedes e Ferrari são as equipes a serem batidas neste momento, enquanto os papaias ainda precisam de mais um tempo e já trabalham em atualizações para a corrida inicial. É um ponto interessante, porque, de fato, há uma sensação no paddock de que a esquadra alemã não só tem um desempenho mais forte, como tentou esconder ao longo dos dias no Bahrein. No entanto, foi possível notar uma performance apurada em termos de ritmo de corrida, gerenciamento de energia e equilíbrio. é bem verdade que faltou uma simulação de classificação mais apurada, só que o time sequer tinha pneus macios para isso.

De toda a forma, ainda que tenha enfrentado problemas de confiabilidade — foram necessárias duas trocas de motor ao longo das duas sessões deste mês —, a Mercedes tem forte potencial. A Ferrari desperta quase a mesma sensação. O cenário só não é o mesmo, porque o desempenho em corrida não se mostrou tão consistente quanto da rival, muito embora os italianos tenham tido bem menos problemas. O ponto forte da fábrica de Maranello pareceu mesmo ser a velocidade de reta e uma gestão eficiente da parte híbrida.
A simulação de corrida feita por Hamilton na quinta-feira foi surpreendente e chegou muito perto dos tempos dos pilotos da Mercedes. Talvez o que se possa dizer é que há um equilíbrio entre as quatro, porque McLaren e Red Bull também imprimiram ritmo forte durante os testes e trabalharam muito na preparação de corrida — faltou um pouco de ensaio de volta única para ambas, muito embora Lando Norris tenha tentado na parte final deste último dia de atividades, mas sem grande sucesso.
PELOTÃO INTERMEDIÁRIO COMPACTO
Enquanto o grupo da frente parece mais homogêneo, o pelotão intermediário do grid se mostrou um pouco mais diverso e inusitado no Bahrein. A Alpine e sua parceria com a Mercedes parece um acerto enorme. O carro azul e rosa apresentou velocidade, apesar de um certo desequilíbrio em curvas. Ainda assim, Pierre Gasly, com pneus C5, foi capaz de colocar a equipe no top-5 da tabela. Outro time que impressionou, talvez até mais, é a Haas. Além da alta quilometragem durante os dias testes, a esquadra de Ayao Komatsu exibiu eficiência aerodinâmica e um ritmo de corrida dos mais interessantes.
Neste grupo, ainda é possível colocar a Racing Bulls, a Audi e a Williams. Ainda que em diferentes programas técnicos, as três foram capazes de superar problemas iniciais de confiabilidade e desempenho. Mas não dá para dizer que são carros ruins, apenas que parece ser necessário um pouco mais desenvolvimento.

FALHAS E DECEPÇÃO
A pré-temporada acaba tendo a Aston Martin como grande decepção. Isso porque existia uma enorme expectativa em torno da parceria Adrian Newey e Fernando Alonso, baseada em uma associação com a Honda e todo poder financeiro de Lawrence Stroll. O problema é que a falta de confiabilidade extrema arrancou qualquer chance de a equipe progredir no Bahrein. Falhas mecânicas e na unidade de potência limitaram o trabalho de pilotos e engenheiros. Neste dia final de atividades, o time sequer registrou tempo e finalizou a sessão com pífias seis voltas. Um fracasso retumbante.
Por fim, há a novata Cadillac. Apesar dos esforços de Sergio Pérez e Valtteri Bottas, ficou muito evidente que o primeiro carro da equipe americana ainda precisa de muito para alcançar o pelotão intermediário. Há questões relacionadas à confiabilidade, mas há uma ausência de performance geral que será dura de enfrentar, ao menos neste início de temporada.
A Fórmula 1 retorna de 5 a 8 de março em Melbourne, palco do GP da Austrália, abertura da temporada 2026.
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