FIA admite ajustar regulamento da F1 2026 após chuva de reclamações no Bahrein

Diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis disse que pacote atual da Fórmula 1 já está "90% satisfatório", mas admitiu que sistema de recuperação e implantação de energia pode sofrer ajustes após primeiras reações aos novos carros

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reconheceu que pode promover ajustes no regulamento técnico da Fórmula 1 após as primeiras críticas dos pilotos aos novos carros durante os testes de pré-temporada no Bahrein. Quem admitiu a possibilidade foi Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, que, embora a entidade considere que o pacote esteja “90% satisfatório”, assumiu que o modelo atual de gerenciamento de energia ainda gera preocupações.

As reclamações vieram de nomes como Max Verstappen, que tem sido bastante crítico à questão de gerenciamento e chegou a pedir para a F1 “se livrar das baterias”. Lando Norris, apesar de menos incisivo, também reconheceu que o novo conceito não representa, na visão dele, a forma “mais pura” de competir. Figuras como Lewis Hamilton e Fernando Alonso também teceram críticas aos novos carros.

Tombazis afirmou que a entidade já esperava questionamentos desde as primeiras simulações feitas no ano passado e que a FIA está disposta a fazer ajustes. Apesar disso, destacou que o cenário real na pista é menos alarmante do que indicavam os dados de simuladores.

“Os carros são novos. Entre o verão e outono passados, muita gente testou nos simuladores e expressou grandes preocupações. Os comentários feitos em Barcelona e no Bahrein são certamente melhores do que o que vínhamos ouvindo com base apenas nas simulações. Mas ainda há observações, como as de Max”, afirmou.

Nikolas Tombazis admitiu que FIA pode ajustar regulamento da F1 (Foto: Planet F1)

“Temos consciência que talvez seja necessário fazer ajustes. Estamos abertos a esse debate com equipes e fornecedoras de motores há bastante tempo. Também ouvimos os pilotos. Acredito haver formas de ajustar as regras”, admitiu.

Nos bastidores, o principal foco das conversas gira em torno do sistema de recuperação e implantação de energia elétrica, elemento central do novo regulamento que prevê divisão de 50% entre motor a combustão e parte elétrica. Tombazis indicou que mudanças podem ocorrer justamente na forma como a energia é recuperada e distribuída ao longo da volta, explicando que eventuais alterações estariam mais relacionadas a software e à forma de operação da unidade de potência.

“Se compararmos com os comentários de novembro ou do verão passado, estamos muito melhor agora. Sabíamos desde 2022 que a divisão 50-50 de potência teria desafios. Não é surpresa. Fizemos um enorme trabalho na forma como a energia é distribuída. Estamos 90% em um lugar satisfatório. Mas, se precisarmos fazer ajustes, estamos totalmente abertos”, disse.

“Não haveria necessidade de mudar o sistema em si. Seria mais uma questão de como operá-lo. Claro que, para um engenheiro de unidade de potência, isso altera um pouco o ciclo de trabalho, e poderia dizer que teria feito algo diferente se soubesse antes. Mas, fundamentalmente, não é uma mudança de hardware”, explicou Tombazis.

Novos motores estão no centro da insatisfação dos pilotos da F1 (Foto: Honda)

Apesar da abertura para ajustes, a entidade reforça que não pretende agir precipitadamente. A primeira corrida do campeonato, na Austrália, será considerada o verdadeiro teste do conceito, já que os testes coletivos não reproduzem integralmente as condições de disputa roda a roda. Segundo Tombazis, é improvável que qualquer alteração ocorra até a etapa da China, mas também não se trata de algo que levará muito tempo para ser resolvido.

“Estamos aprendendo conforme avançamos. A primeira corrida será o primeiro teste real, porque aqui eles não estão competindo diretamente entre si. Mudanças exigem discussão e também passam pelo processo de governança. É improvável que algo seja feito entre Austrália e China, por exemplo. Mas também não levará meses”, ponderou.

“Tomaremos a melhor decisão para o esporte. Isso é uma maratona, não um tiro curto. Espero que o GP da Austrália seja empolgante, mas também não acredito que será a sentença definitiva. Temos cinco anos de regulamento pela frente e temos todas as ferramentas para atuar. Veremos onde estamos e, como falei, discutiremos de forma aberta e transparente”, concluiu o diretor da FIA.

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