Honda fala em “colaboração entre MotoGP e Aston Martin F1” para recuperar prejuízo

Presidente da divisão esportiva da Honda, Koji Watanabe disse que estão avaliando como unir os programas da MotoGP e da F1 para recuperar o terreno perdido com a Aston Martin

O motor Honda foi o que mais apresentou problemas durante a pré-temporada da Fórmula 1 e deve ter uma desvantagem considerável para as rivais no GP da Austrália, primeira etapa do campeonato. Koji Watanabe, presidente da divisão esportiva da montadora, afirmou que está buscando uma colaboração com o programa da marca na MotoGP e a Aston Martin para recuperar o terreno perdido. Ele também ressaltou que a permanência na categoria não depende apenas do desempenho da unidade de potência, mas também do rumo que o regulamento tomar no futuro.

Depois de uma parceria de sucesso com a Red Bull, entre 2019 e 2025, a Honda se uniu à Aston Martin a partir da temporada 2026. Porém, tiveram inúmeras dificuldades antes mesmo da primeira corrida. A equipe foi a que menos obteve quilometragem na pré-temporada, ficando atrás até das novatas Audi e Cadillac. Inclusive, encerraram as atividades antes mesmo do turno da tarde no último dia de testes.

“Acho que está claro que não estamos satisfeitos com o nosso desempenho atual”, afirmou o presidente da divisão esportiva da Honda ao portal italiano FormulaPassion.

“Identificamos muitas áreas que precisam de muito trabalho antes da primeira corrida. Idealmente, gostaríamos de ter realizado mais testes e coletado mais dados, mas infelizmente encontramos alguns problemas inesperados nos quais estamos trabalhando”, reconheceu.

Para 2026, a FIA introduziu o conceito de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, sigla do inglês). Agora, a entidade realizará avaliações com 25%, 50% e 75% da temporada completados e, se forem identificados déficits consideráveis de algum fabricante, concederá oportunidades extras de desenvolvimento para equilibrar a performance. Com isso, não será possível fazer alterações no motor a partir da próxima semana, até que se tenha a permissão do órgão regulador do esporte.

“Devemos homologar o motor no final deste mês, portanto o hardware será congelado. Com base nisso, otimizaremos a maneira como podemos fazer a unidade de potência funcionar”, destacou Watanabe.

“Tivemos de desenvolver um motor de combustão diferente do anterior, mas a abordagem é a mesma. Agora, a eletrificação é muito mais importante, como gerar energia elétrica e como distribuí-la. A divisão de potência 50/50 é claramente o principal aspecto em que devemos nos concentrar. O combustível sustentável é um desafio adicional e algo que tivemos de integrar este ano”, salientou.

Para recuperar o terreno perdido, a Honda deve recorrer à experiência adquirida ao longo dos anos até em outras categorias, como a MotoGP.

Koji Watanabe afirma que Honda estuda como programas da MotoGP e da F1 podem colaborar entre si (Foto: Honda)

“Procedemos com determinação para estabelecer uma colaboração entre os programas de Fórmula 1 e MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. Estamos avaliando como podemos unir os dois programas para transferir e compartilhar habilidades entre os projetos e prosperar nos respectivos campeonatos”, pontuou.

E apesar do início complicado com as novas regras, Watanabe assegurou que a permanência da Honda na F1 não depende apenas do desempenho dentro das pistas, mas de como o regulamento vai se desenrolar ao longo dos anos. Caso os motores de aspiração natural retornarem, a montadora deve deixar o esporte.

“É preferível que eles estejam alinhados com a direção futura das tecnologias automotivas da Honda, que são a eletrificação e a hibridização. Portanto, a unidade de potência precisará ter algum grau de hibridização. Este é o requisito para a Honda estar presente na Fórmula 1”, sublinhou.

Fórmula 1 retorna de 5 a 8 de março em Melbourne, palco do GP da Austrália, abertura da temporada 2026.

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