Ganassi e McLaren chegam a acordo final em Caso Palou: “Feliz que esse assunto acabou”

Nesta sexta-feira (27), McLaren e Ganassi anunciaram um acordo para encerrar caso envolvendo a contratação de Álex Palou, em 2022. Valores finais e forma de pagamento não foram confirmados pelas partes

McLaren e Ganassi anunciaram nesta sexta-feira (27) que chegaram a um acordo referente à disputa judicial envolvendo a contratação de Álex Palou por parte da equipe papaia. Em janeiro, a justiça britânica deu ganho ao time de Woking e condenou o espanhol a pagar indenização de US$ 12 milhões (mais de R$ 63 milhões) por não cumprir o acordo assinado em 2022. As partes não fizeram menção a valores nas manifestações, mas o acordo encerra a longa novela envolvendo o tetracampeão da Indy.

Esse é o ponto final na longa polêmica iniciada ainda durante a temporada 2022 da Indy, quando Palou contrariou a interpretação da Ganassi sobre a extensão de seu vínculo contratual e anunciou que se transferiria para a McLaren no ano seguinte. A equipe de Chip Ganassi chegou a abrir uma ação judicial em Indianápolis, mas, após um acordo entre as partes, foi garantida a permanência do espanhol em 2023, adiando a mudança por um ano.

Palou competiu pela Ganassi em 2023 e também exerceu a função de piloto reserva da McLaren nos finais de semana em que a Indy não coincidiu com a Fórmula 1. No entanto, ao longo da temporada, o espanhol anunciou que não cumpriria o acordo com o time de Woking a partir de 2024, fato que deu origem à disputa judicial.

A justiça britânica definiu que a McLaren receba pouco mais da metade dos cerca de US$ 20 milhões (R$ 105,75 milhões) solicitados inicialmente na ação. O juiz definiu a composição da multa da seguinte forma: US$ 5,38 milhões (R$ 28,44 milhões) referentes às temporadas de 2024 a 2026, além de US$ 950 mil (R$ 5,02 milhões) relativos a 2027.

Álex Palou voltou atrás em acordo firmado com a McLaren, iniciando longa briga jurídica (Foto: McLaren)

Outros US$ 1,3 milhão (R$ 6,87 milhões) serão indenizados pelo aumento salarial concedido a Pato O’Ward, sob a alegação de que a McLaren precisou manter um piloto de ponta na equipe, além de US$ 500 mil (R$ 2,64 milhões) referentes a um pagamento recebido da GM por contar com um “piloto nível A” em seu carro.

Por fim, a McLaren também será ressarcida pelo encerramento da parceria com a NTT, empresa que patrocina a equipe até o fim deste ano e que se juntou ao projeto no período em que o espanhol deveria assumir o contrato. O piloto deverá pagar US$ 2 milhões (R$ 10,58 milhões) por perda de receita baseada em desempenho, além de um valor estimado entre US$ 2 milhões e US$ 2,5 milhões (entre R$ 10,58 milhões e R$ 13,22 milhões) pela perda do patrocínio — a empresa antecipou o fim do acordo, que seria em 2028.

Com o envolvimento oficial na causa, a expectativa é de que a Ganassi auxilie Palou no pagamento desses valores. Porém, nos comunicados divulgados nesta sexta-feira, não foi divulgado como — ou até se – foi feita a divisão entre as partes, nem a forma de quitação dos débitos.

Zak Brown celebrou o entendimento entre as partes. O CEO da McLaren elogiou o trabalho feito pelo time jurídico da equipe e aproveitou para já voltar as atenções à estreia na temporada 2026 da Indy, neste fim de semana.

Zak Brown comemorou acordo com Ganassi por fim do Caso Palou (Foto: IndyCar)

“Estou muito satisfeito por termos chegado a um acordo final com a Ganassi, após decisão de um juiz do Reino Unido ao nosso favor em janeiro. Gostaria de agradecer à equipe que trabalhou diretamente no caso durante tantos meses e a todos que nos apoiaram ao longo do processo. Estou feliz por podermos agora voltar a competir na pista e focar no que promete ser uma temporada emocionante da Indy”, declarou.

Do lado da Ganassi, Chip Ganassi também confirmou o encerramento do imbróglio e deixou claro o descontentamento com a forma como a situação se desenrolou nos bastidores.

“Feliz que chegamos a um acordo final com a McLaren após decisão do juiz do Reino Unido em janeiro. Não posso tolerar o que aconteceu e estou feliz que o assunto tenha acabado. Olhando para trás, espero que Álex tenha aprendido que é importante manter pessoas boas ao redor, algo que agora sabe, então os eventos de 2023 nunca vão se repetir. Quero agradecer a Zak e à McLaren por nos dar agora a chance de deixar esse assunto para trás e focar totalmente na animadora temporada da Indy que teremos pela frente”, afirmou.

Por fim, Palou fez uma reflexão sobre toda a situação. Reconheceu que tomou decisões erradas, impulsionado por “pessoas erradas”. Na época, o espanhol assinou com a Monaco Increase Management, deixando de lado Roger Yasukawa, responsável por levá-lo à Indy. O representante do #10 agradeceu tanto McLaren quanto Ganassi pela resolução do caso.

Chip Ganassi e Álex Palou celebram título de 2025 em Portland (Foto: IndyCar)

“Nos últimos meses, tive tempo para refletir sobre aquele que foi um período incrivelmente desafiador para mim e quero abordar isso diretamente. Primeiramente, quero agradecer a Zak Brown e a Chip Ganassi. Ambos estavam em uma situação muito difícil e lamento ter ficado no meio disso. Além disso, em janeiro, um juiz do Reino Unido decidiu a favor da McLaren em relação à minha quebra de contrato na Indy, uma decisão que respeito”, começou.

“Também reconheço que a forma como as coisas se desenrolaram no verão de 2023 poderia ter sido diferente. Embora pouco disso seja de conhecimento público, eu me vi à deriva em várias direções e com as pessoas erradas ao meu redor na época, que, acredito, não estavam agindo em meu melhor interesse. Acredito que recebi conselhos ruins, ou nenhum conselho. Olhando para trás, se eu tivesse contatado Zak diretamente, talvez as coisas tivessem sido diferentes. A McLaren e Zak me apoiaram de muitas maneiras e honraram todas as obrigações contratuais. Nunca fui explorado pela McLaren e respeito profundamente a organização”, seguiu.

“Reconheço também que a McLaren e a organização têm um profundo respeito por mim. Também quero agradecer a Chip, aos meus companheiros de equipe e a todos da Ganassi pela dedicação e apoio durante todo esse processo. Aprendi muito com essa experiência. Estou satisfeito por essa questão ter sido resolvida e quero agradecer a todos os envolvidos por chegarem a uma solução amigável. Meu foco agora é seguir em frente, onde duas grandes organizações que respeito profundamente competirão exclusivamente nas pistas”, finalizou.

A temporada 2026 da Indy começa neste fim de semana, entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, com o GP de St. Pete. O GRANDE PRÊMIO faz cobertura completa dos eventos no circuito urbano da Flórida.

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