GUIA 2026: Antonelli se livra de holofotes e mira em Russell para provar valor à Mercedes
Após uma temporada difícil e marcada pela pressão e inexperiência em 2025, Andrea Kimi Antonelli precisa dar passo à frente e mostrar que pode ser tão competitivo quanto George Russell na Fórmula 1
Andrea Kimi Antonelli começa um novo capítulo na Fórmula 1 em 2026 não apenas porque a categoria traz novidades no regulamento de chassi e motores, mas também porque precisa dar um passo além em relação ao que apresentou em 2025. Em uma temporada marcada por muitos altos e baixos, o italiano teve alguns lampejos de brilhantismo, principalmente pelos pódios que conquistou, mas ainda ficou abaixo das grandes expectativas depositadas pela Mercedes. Para este ano, está menos em evidência e precisa, portanto, mostrar que é mais do que uma aposta e precisa andar ao menos próximo do experiente companheiro George Russell.
Com a saída de Lewis Hamilton para a Ferrari, a Mercedes se viu obrigada a pular etapas com Antonelli e colocou o jovem prodígio na Fórmula 1 após ele ter saltado a Fórmula 3 e feito apenas um ano de Fórmula 2. Desde que se juntou ao programa de jovens pilotos da equipe alemã, ainda nos tempos de kart, Kimi mostrou ser um piloto fora de série e, com exceção da F2, venceu todos os campeonatos que disputou.
Porém, o começo da trajetória na F1 não foi tão bom quanto muitos esperavam, e o italiano enfrentou algumas dificuldades. É preciso, no entanto, levar em consideração todo o contexto em que estava inserido e a forma como teve a carreira conduzida pela Mercedes.
Ao pular a F3 para disputar a F2 em 2024, além de perder uma importante etapa na formação como piloto, Antonelli viu todos os holofotes se voltarem para si e, com apenas 17 anos, passou a ser tratado como o sucessor de Hamilton. Assim, a pressão por resultados tornou-se intensa já nas categorias de base, mas pioraria ainda mais quando se juntasse à Mercedes como titular em 2025.

A estreia na principal categoria do automobilismo até que foi interessante: fez uma corrida de recuperação no chuvoso GP da Austrália e cruzou a linha de chegada em quinto após largar em 16º, aproveitando-se do caos instaurado pelo traçado molhado. Os resultados nas cinco etapas seguintes também foram satisfatórios: conseguiu quatro sextos lugares convincentes, considerando que a Mercedes não dispunha do melhor equipamento.
No entanto, a fragilidade de Antonelli ficou clara a partir da sétima etapa, no GP da Emília-Romanha, que deu início à perna europeia. Em um período de dez corridas, o italiano terminou no top-10 em apenas três oportunidades, marcando somente 18 pontos. É importante ressaltar que, nesse intervalo, a Mercedes promoveu mudanças na suspensão traseira, o que resultou em uma espiral de problemas. Ainda assim, Russell conseguiu extrair alguns resultados interessantes e até venceu uma corrida no período — embora também tenha oscilado bastante.
Como era de se esperar, Antonelli sentiu a pressão pela falta de resultados e não conseguiu conter o choro durante a entrevista coletiva após uma classificação ruim no GP da Bélgica.
“Não tenho confiança no carro desde o início da perna europeia e sinto que regredi nesse período. É um momento difícil para mim; sinto que não tenho confiança para acelerar. Quando forcei um pouco mais ontem, rodei, e isso prejudica ainda mais as coisas. Sabemos das limitações que temos desde sempre, mas, do jeito que estou guiando, estou apenas piorando a situação. Há muito trabalho a ser feito da minha parte, e tento encontrar a luz no fim do túnel o mais rápido possível”, disse Antonelli.
Antonelli conseguiu reagir de forma interessante a partir do GP do Azerbaijão. Desde então, com exceção das etapas nos Estados Unidos e em Abu Dhabi, ficou no top-6 em todas as corridas e conquistou um pódio no Brasil e outro em Las Vegas, o que, de certa forma, ajudou a encerrar a temporada com a moral elevada.
O ganho de confiança foi reforçado pelo próprio Antonelli durante o lançamento do W17. De acordo com o italiano, parte dos problemas no ano de estreia na F1 ocorreu por causa da rotina diferente e intensa.
“Tive algum tempo para refletir sobre a última temporada; foi uma análise muito útil. As razões pelas quais algumas coisas não deram certo e outras deram estão claras para mim. Tracei alguns objetivos para a temporada 2026 e, em comparação com 12 meses atrás, sei o que esperar e conheço melhor esse mundo. Estou muito animado”, afirmou.
A evolução de Antonelli também pôde ser notada durante os testes de pré-temporada. Embora os tempos de volta sejam pouco representativos, o italiano fechou a bateria de testes como segundo mais rápido no Bahrein, atrás apenas de Charles Leclerc. Além disso, acumulou um número expressivo de voltas.

Portanto, para 2026, é possível esperar um Antonelli mais consistente e preparado para os desafios da Fórmula 1. No entanto, ainda é difícil imaginar que o jovem será capaz de superar George Russell em uma eventual disputa interna na Mercedes. Afinal, além de ser consideravelmente mais experiente, o britânico mostrou ao longo do ano passado que tem o que é necessário para brigar pelo título e sabe aproveitar as oportunidades quando elas surgem.
Além disso, é importante lembrar que a situação de nenhum dos pilotos está garantida no futuro da Mercedes. Ao longo de 2025, Toto Wolff não escondeu o desejo de contar com Max Verstappen e demorou a confirmar a renovação de contrato de Antonelli e Russell. A duração do novo acordo, no entanto, não foi anunciada e o neerlandês segue como objeto de desejo do dirigente. Portanto, mais do que se provar contra o companheiro de equipe, a demonstração de evolução é uma necessidade para Antonelli se assegurar com a Mercedes na F1.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Treino livre 2 | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
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