5 coisas que aprendemos com o GP de Phoenix, 2ª etapa da temporada 2026 da Indy

Além de Penske mais forte do que parece na Indy, Palou e Ganassi deram sinais de que, sim, são humanos com erro em Phoenix

O movimentado GP de Phoenix, disputado neste sábado (7), foi bastante agitado e agradou quem acompanhou. A corrida mexeu com o campeonato da mesma forma e trouxe alguns pontos interessantes para a temporada 2026 da Indy, como evidenciou uma Penske mais forte do que parece, apesar da vitória suada de Josef Newgarden, bem como a convicção de que Álex Palou é humano, com um erro compartilhado com a Ganassi — um duo até então com um nível de execução que parecia difícil de igualar.

A Andretti e Kyle Kirkwood tiveram muito a comemorar em Phoenix. Apesar de perder a vitória nas voltas finais, o segundo lugar tem gosto de primeiro quando o assunto é campeonato da Indy. O norte-americano teve a precisão que faltou a Christian Rasmussen, que deu show na pista, mas acabou jogando fora aquele que seria o segundo triunfo da carreira.

A etapa também trouxe alguns questionamentos à parceria da Penske com a Foyt. Enquanto um time comemorava, o outro sofreu com um desempenho bem distinto na Indy. Confira as cinco coisas que aprendemos com o GP de Phoenix:

Penske mais forte do que parece

Josef Newgarden comemora vitória em Phoenix, que teve churrasco no pódio (Foto: IndyCar)

A vitória foi suada, mas teve toque de genialidade dentro e fora da pista na Penske. Primeiro, a equipe fez a chamada correta na última bandeira amarela, chamando Josef Newgarden para colocar pneus novos. Depois, no braço, o norte-americano superou quem estava com compostos antigos e também adversários com pneus novos, como Pato O’Ward, para vencer.

Não é apenas a conquista ou as duas poles alcançadas na temporada 2026 — com Scott McLaughlin e David Malukas —, mas o fato de ver Newgarden na liderança do campeonato e o trio da equipe no top-6 depois de uma corrida em circuito de rua e outra em oval. Nenhuma outra concorrente conseguiu colocar dois pilotos entre os seis primeiros, por exemplo. É verdade que Palou bateu, mas a Penske capitalizou muito bem o erro do espanhol — algo que o tetracampeão fez com maestria em suas campanhas de título na Indy.

Palou e Ganassi mostram pingo de humanidade

Álex Palou bateu logo no início da corrida, ainda na primeira relargada da prova de 250 voltas. O espanhol não viu Rinus VeeKay pelo lado de fora e ambos se tocaram, o que causou o abandono do carro #10 da Ganassi — algo raríssimo na Indy. A última vez que o tetracampeão não completou uma etapa foi no GP de Detroit do ano passado, quando foi vítima de um contato de David Malukas.

Desta vez, Palou e Ganassi têm culpa compartilhada. O espanhol admitiu que não viu VeeKay na linha externa, o que levanta questionamentos sobre o spotter da equipe, que não avisou o piloto que o representante da Juncos Hollinger vinha lançado. Um erro crasso em circuito oval, algo que não é habitual na trajetória dessa parceria, que tem executado com perfeição os GPs da Indy nos últimos anos. O acidente traz um tempero à disputa da temporada 2026 e mostra que, sim, até as duplas mais eficientes são humanas.

Kirkwood e Andretti tiram coelho da cartola — e 2º lugar tem gosto de vitória

Kyle Kirkwood (Foto: Indycar)

Durante todo o fim de semana, a Andretti não mostrou que estaria entre os candidatos à vitória. Nem mesmo durante a corrida. Ainda assim, Kyle Kirkwood aproveitou a estratégia da equipe e apareceu entre os primeiros colocados na reta final.

O norte-americano chegou a liderar nas voltas finais, mas, com pneus gastos, não conseguiu segurar Josef Newgarden. Ainda assim, o segundo lugar precisa ter gosto de vitória: foram 41 pontos somados no campeonato, uma pontuação muito mais alta do que se imaginava para o fim de semana.

Kirkwood subiu para o segundo lugar no campeonato, com 73 pontos, apenas cinco atrás de Newgarden, e vai para o GP de Arlington com boas expectativas — afinal, a Andretti é tradicionalmente uma das principais equipes em circuitos de rua.

Rasmussen comprova: precisão é superior ao arrojo em ovais

Christian Rasmussen foi o protagonista do GP de Phoenix, com um show de ultrapassagens e habilidade no oval de 1 milha em Avondale. Mostrou que já é um dos principais talentos da Indy nesse tipo de circuito e que tem um verdadeiro canhão nas mãos com a Carpenter, com capacidade de ultrapassar por dentro e por fora.

Poderia facilmente ser apontado como o piloto do dia. Porém, em circuito oval, a precisão costuma ser mais valiosa do que o arrojo. De líder, com a vitória encaminhada após largar em 18º, terminou apenas em 14º depois de cometer alguns erros — o mais visível foi o toque com Will Power. O australiano chegou a dizer que não viu o dinamarquês, mas quem poderia evitar o contato era o carro #21.

Com um carro muito superior, Rasmussen poderia ter tido mais calma — outra virtude essencial em ovais — para executar a ultrapassagem. Depois disso, continuou raspando no muro na reta final da corrida até perder totalmente o acerto do carro, despencando no pelotão. Segurou as lágrimas após a prova, num retrato claro de como se pode perder uma corrida em oval.

Christian Rasmussen (Foto: Indycar)

Penske e Foyt: que parceria é essa?

As expectativas em torno da Foyt eram maiores do que nunca para a temporada 2026. Além da estreia de Caio Collet, Santino Ferrucci trouxe os holofotes para a equipe ao afirmar que terá a maior chance de vencer as Indianapolis 500. Em St. Pete, no entanto, a dupla ficou distante da Penske, com quem mantém parceria técnica.

Em Phoenix, esperava-se ver a Foyt mais próxima, mas o que se viu foi o trio da Penske andando nas primeiras colocações, enquanto Ferrucci lutava para se manter no top-10 e Collet buscava competitividade.

É verdade que a reorganização interna da equipe de Roger Penske provocou algumas baixas na própria Foyt, que perdeu membros que estavam emprestados e retornaram à matriz — se assim podemos dizer. Ainda assim, já começam a surgir no paddock da Indy questionamentos sobre se algumas informações estariam sendo retidas. Situações semelhantes já ocorreram em parcerias desse tipo, como no acordo entre Andretti e Meyer Shank, que terminou com o time de Mike Shank alegando não receber dados considerados essenciais.

Indy retorna no próximo fim de semana, entre os dias 13 e 15 de março, com a primeira edição do GP de Arlington, um circuito de rua montado nos arredores do estádio do Dallas Cowboys, time da NFL, e do Texas Rangers, equipe da MLB.

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