McLaren surge das cinzas, desafia Ferrari e tenta embate firme com Mercedes no Japão
A McLaren foi a grande surpresa do dia em Suzuka, onde a F1 está para a terceira etapa da temporada 2026. Oscar Piastri liderou o TL2, superando os dois carros da Mercedes. A velocidade e o equilíbrio foram as principais notas da equipe laranja, mas as Flechas de Prata também têm lá seus segredos. Enquanto isso, a Ferrari luta para alcançar as rivais no Japão
Depois de um início de temporada dos mais desastrosos, a McLaren enfim entrou no radar das rivais em 2026. A atual campeã enfrentou problemas na estreia do campeonato, na Austrália, onde apenas Lando Norris completou a corrida, 50s atrás dos vencedores. Sete dias depois, na China, sequer largou. A frágil confiabilidade deixou a dupla de pilotos na mão, e isso impediu qualquer avanço dentro do novo regulamento. Agora, duas semanas depois, já com dados e as análises devidas, o time chefiado por Andrea Stella voltou a liderar a sexta-feira (27) de treinos livres no Japão, onde a Fórmula 1 está para a terceira etapa do ano. Mais que isso, a esquadra papaia exibiu velocidade e deu um passo interessante na tentativa de reduzir a diferença para as ponteiras.
Necessário destacar, no entanto, que a Mercedes segue fortíssima e é a equipe a ser batida também em Suzuka. O caso é que a McLaren apresentou um desempenho mais consistente ao longo do dia, muito embora tenha sofrido com a confiabilidade — Norris perdeu um tempo importante de pista após um vazamento hidráulico no MCL40, mas, mesmo assim, o time conseguiu reparar a falha, e o inglês teve a chance de completar algumas voltas no TL2, terminando o dia em uma significativa quarta colocação. Já Oscar Piastri foi o responsável por estabelecer a marca mais rápida do dia, em 1min30s133 — 0s092 à frente de Kimi Antonelli e 0s2 melhor que o líder da F1, George Russell.
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“No geral, foi um dia razoável para nós. Houve um bom progresso, especialmente no segundo treino livre, o que foi encorajador. A sensação é positiva, e coletamos dados valiosos que nos colocam em uma posição sólida”, refletiu Piastri.
“Sabemos que ainda há trabalho a ser feito, e está claro que alguns dos concorrentes, especialmente a Mercedes, estão muito fortes. No entanto, o foco está no nosso próprio desempenho. Esperamos construir sobre o progresso de hoje e levar esse embalo adiante para sermos ainda mais competitivos.”
A pista japonesa também ajudou a McLaren a extrair o melhor de si. O carro papaia se mostrou equilibrado em trechos críticos, como o setor final, e foi capaz de exibir velocidade nas partes mais rápidas. As curvas de baixa velocidade também são um ponto a favor. Então, há uma chance de uma surpresa em ritmo de classificação neste sábado — até pelas diferenças mais estreitas desta vez.
O problema da esquadra inglesa em relação à disputa com a Mercedes está mesmo no desempenho em condições de corrida. Neste cenário, os atuais líderes sustentam uma vantagem considerável. As simulações desta sexta-feira mostraram que os carros alemães andam, em média, mais de 1s melhor. E isso é muita coisa. Só que, para o deleite da concorrência, a própria marca da estrela de três pontas têm questões a resolver.
“Estamos perdendo um pouco de terreno na saída da última chicane”, admitiu o chefe de engenharia da Mercedes, Andrew Shovlin. “Já em termos de ritmo de corrida, parece que estamos numa posição razoável. Mas a McLaren e a Ferrari mostraram um desempenho muito competitivo ao longo do dia, por isso não podemos dar nada como garantido. Conseguimos ainda completar pelo menos uma simulação de corrida longa com os três compostos de pneus, e isso nos fornece informações úteis para a corrida. Há algumas coisas em que podemos trabalhar durante a noite para tentar melhorar a velocidade e o equilíbrio do carro, mas, no geral, tivemos um bom começo”, completou.

Portanto, a Mercedes tem novamente o comando das ações. A ressalva está realmente na performance da volta única e como isso pode interferir em corrida. Com uma McLaren mais próxima em ritmo de classificação, a definição do grid será fundamental — importante destacar que Suzuka, além de ser um dos traçados mais difíceis do calendário em termos de gerenciamento da energia, também é um dos mais complicados em termos de ultrapassagem, com o agravante de que o GP do Japão deve ser mesmo disputado com apenas um pit-stop. A eficiência neste ponto será crucial, uma vez que há pouquíssimos trechos de disputa aberta. Neste sentido, além dos papaias, dá para colocar no roteiro o papel da Ferrari.
Embora não tenha tido a melhor das sextas-feiras em 2026, a escuderia italiana tem muito o que explorar em termos de performance e não dá para descartar da equação o fato de que ninguém larga tão bem quanto a SF-26. E é aqui que reside o ponto chave para Mercedes e McLaren. Ou seja, impedir o avanço do time vermelho no apagar das luzes. A boa notícia para as duas rivais é que a esquadra de Maranello enfrenta percalços maiores.
Os treinos livres revelaram uma Ferrari mais arisca, impulsionada por um enorme desequilíbrio da parte traseira. Lewis Hamilton se queixou da falta de confiança no carro por essa razão. Por isso, neste momento, os ferraristas parecem ocupar o posto de terceira força do fim de semana. Será interessante acompanhar o trabalho para reverte esse cenário.
Hamilton fechou o dia com o sexto melhor tempo, atrás da dupla da Mercedes, da McLaren e do companheiro de equipe, Charles Leclerc. Aos jornalistas, disse que vai trabalhar ao lado da Ferrari para reencontrar a competitividade. “Acho que é da natureza deste circuito”, argumentou o inglês. “É uma pista extremamente exigente. É um verdadeiro prazer pilotar aqui. Mas encontrar o equilíbrio certo, e, curiosamente, há algo aí, porque acredito que esteja relacionado à configuração do carro. Há semelhanças com o que senti no ano passado, então estamos trabalhando nisso.”

“Vamos analisar a situação minuciosamente esta noite. O simulador nos dará algumas informações interessantes. Tenho uma ideia bastante clara da estratégia a adotar. É apenas uma questão de descobrir como alcançá-la. Então, vamos tentar encontrar a solução”, garantiu.
Dessa forma, a sexta-feira de treinos em Suzuka chega ao fim com uma McLaren tentando entrar na briga e tendo a Ferrari como principal desafiante, mas com uma Mercedes não tão distante e também com problemas a resolver. Cenário dos mais surpreendentes — ao menos para o sábado.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 23:30 | 01:30 | 03:30 | 04:30 |
| Classificação | 03:00 | 05:30 | 07:00 | 08:00 |
| Corrida | 02:00 | 04:30 | 06:00 | 07:00 |
*Horário de Brasília
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