Brilho de Bearman é promessa de dilema para Câmara na Ferrari. E pode sobrar para Ocon

Oliver Bearman sabe que é o primeiro na linha sucessória da Ferrari, ainda que uma subida ano que vem seja muito improvável. Acontece que paralelo a isso há Rafael Câmara, que mostrou em uma etapa da Fórmula 2 que tem potencial para causar uma bela dor de cabeça ao time de Maranello — e, de quebra, a Esteban Ocon

Ainda é cedo para falar de mercado de pilotos para a temporada 2027 da Fórmula 1, mas não há como negar que Oliver Bearman surge como a bola da vez diante dos expressivos resultados tanto em classificação quanto em corrida que tem conquistado ao volante da Haas desde a estreia, no ano passado. Integrante da safra revelada em 2024 pela Fórmula 2 e que também trouxe Gabriel Bortoleto, Kimi Antonelli e Isack Hadjar, o jovem britânico de 20 anos é hoje visto como o primeiro na linha sucessória da Ferrari, que também conta com outra pequena joia pronta para ser lapidada e que pode dar dor de cabeça para Maranello mais cedo do que se espera: Rafael Câmara.

Primeiro, é importante frisar nesta análise que a dupla titular da Ferrari tem contratos assegurados para, no mínimo, 2027, e por mais que especulações sempre surjam na imprensa revelando cláusulas de saída e insatisfações aqui e ali, é muito difícil crer que Charles Leclerc e Lewis Hamilton deixem a escuderia italiana ao final desta temporada. Primeiro pela Fórmula 1 ter entrado em um novo ciclo de regras, e a Ferrari, ao contrário dos anos anteriores, realmente ter um projeto dos mais interessantes nas mãos, com muito potencial de crescimento. Segundo, porque tanto Leclerc quanto Hamilton parecem mais confortáveis e felizes ao volante da SF-26. E isso é muita coisa.

Claro que sempre que se fala em mercado de pilotos envolvendo a Ferrari, é para o assento do heptacampeão que se olha. Aos 41 anos, Lewis está muito mais perto do término da carreira na Fórmula 1 do que Leclerc, que nem sequer chegou os 30, só que não é somente uma questão de idade, ainda mais se tratando do maior vencedor da história da categoria, e essa renovação de ânimo é importante para recolocar a equipe no caminho da briga por vitórias e títulos. Qualquer mudança seria mais suscetível de acontecer em 2028 do que no ano que vem, considerando o curso normal do mercado.

Portanto, se isso de fato se confirmar, a tendência é que Bearman permaneça na Haas por mais esse período até que a vaga na Ferrari finalmente se abra — isso se abrir, caso contrário, outras equipes podem dar lances para arrematar o ‘menino urso’. Mas partindo do pressuposto que a rota seja mesmo Maranello, é o caminho de Câmara que começará a ver interrogações surgindo, pois uma substituição pode não ser tão simples assim.

A verdade é que a Ferrari se encontra em cenário semelhante ao que a Red Bull se viu no ano passado, com Hadjar pronto para assumir o assento nº 2 e Arvid Lindblad com a estreia na F1 praticamente assegurada na Racing Bulls. Só que havia ainda ali outros dois pilotos brigando por uma vaga: Liam Lawson e Yuki Tsunoda. Sobrou para o japonês, que não pôde mais contar com a voz ativa da Honda na equipe de Milton Keynes, uma vez findada a parceria.

Oliver Bearman e Esteban Ocon vivem realidades distintas na F1 atual (Foto: Haas F1 Team)

É mais ou menos o impasse que pode atravancar o caminho de Câmara, pois a Haas ampliou a parceria técnica com a Toyota na Fórmula 1 a ponto de a marca também aparecer na nomenclatura oficial da equipe de Kannapolis: TGR Haas F1 Team (o TGR de Toyota Gazoo Racing). A união tem rendido ao time chefiado por Ayao Komatsu necessária parceria técnica que já trouxe o desenvolvimento de um simulador próprio, com estreia prevista até maio ou junho e que vai acabar com a dependência do equipamento localizado em Maranello.

Só que pilotos japoneses também estão encontrando na Haas uma porta para testes na F1. Ano passado, o campeão de 2024 da Super Fórmula, Sho Tsuboi, participou do programa de testes com carros anteriores guiando o VF-23. Quem também esteve presente foi o piloto da Toyota Gazoo Racing no WEC, Ryo Hirakawa, que passou a integrar a reserva da Haas em 2025 e ainda participou de alguns treinos livres na F1.

Não há, evidente, uma certeza de que a Toyota vai fazer como a Honda na Red Bull e emplacar algum piloto do seu cercado em um dos assentos da Haas, mas não seria surpreendente se isso acontecesse em um futuro talvez não tão distante. Vale destacar que a equipe norte-americana é, em tese, a única cliente da Ferrari, uma vez que a Cadillac tem uma linha de trabalho totalmente diferente, inicialmente voltada para pilotos estadunidenses, e ainda se prepara para correr com motores fornecidos pela GM a partir de 2029. A Haas, portanto, ainda é o caminho de momento para fazer a roda da academia italiana girar.

Rafael Câmara é uma joia que a Ferrari não pode arriscar perder, mas vai precisar arrumar um lugar na F1 logo, logo (Foto: Fórmula 2)

Agora, é claro que a Ferrari já planeja turbinar a preparação de Câmara, como confirmado pelo próprio chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur. A expectativa para 2026 é que o brasileiro apareça não apenas em testes com carros anteriores (vitais para a adição de quilometragem ao volante de um F1 para o piloto) como também em treinos livres da F1. Câmara ainda é apontado como um dos candidatos ao título da F2, vide a forte estreia com a Invicta na Austrália. Isso sem contar que é o campeão vigente da F3, e se o título na classe que antecede a F1 se confirmar, será mais um piloto a repetir o feito de Leclerc, Oscar Piastri, George Russell e Bortoleto, e todos chegaram à categoria máxima do esporte a motor sem demora.

As recentes declarações de Bearman sobre estar pronto para correr na Ferrari não podem ser desconsideradas, mas talvez seja preciso ajustar um pouco mais os assentos na Haas para transformar Rafael em um natural sucessor. E tal qual aconteceu na Red Bull, a corda pode arrebentar para o lado mais fraco, que no momento parece realmente ser o de Esteban Ocon. O francês tem contrato até o final deste ano e não tem correspondido em pista o que se espera de um piloto com a experiência que possui. Ele próprio reconheceu que a passagem pela F1 num todo tem sido “decepcionante”. Não quer dizer que Ocon vai perder a vaga na Haas no ano que vem, pois isso envolve outros fatores, mas frente ao cenário que toma cada vez mais forma, é o rumo que a história parece tomar.

Fórmula 1 agora entra em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

 Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!