Horner na Audi? Por que ideia é dor de cabeça totalmente dispensável para equipe alemã

Partiu de Juan Pablo Montoya a ideia que, de fato, tem fundamento, mas pensar em Christian Horner para assumir o posto de chefe da Audi esbarra justamente no que levou Jonathan Wheatley a deixar o time alemão

Já está tomando conta do imaginário coletivo tentar adivinhar qual será o destino de Christian Horner desde que o mundo da Fórmula 1 acompanhou atônito a demissão por muito tempo cantada, mas completamente inesperada do dirigente britânico do posto de chefe de equipe da Red Bull. É mais ou menos como aquele famoso meme, “só acredito vendo”, e, depois de ver, continuar incrédulo. Pois bem, entre tantas especulações aqui e ali que já ligaram o ex-taurino até à Ferrari, eis que a sugestão da vez pega carona na vaga mais recente a ser aberta no grid: a Audi.

A sugestão foi levantada por Juan Pablo Montoya, ex-piloto da F1 sempre pronto a lançar pitacos sobre os assuntos que permeiam a categoria. O da vez colocou Horner no patamar de “resolvedor de problemas”, quer gostem dele ou não. Para sustentar a opinião de que seria o nome certo para ocupar o posto deixado por Jonathan Wheatley, citou os resultados conquistados na Red Bull e o fato de o atual chefe, Mattia Binotto, ter um perfil muito mais voltado para a fábrica do que para o pit-wall.

Bem, a passagem de Binotto como chefe da Ferrari corrobora essa última parte, porém é um assunto que traz camadas mais profundas. Realmente não era desejo de Mattia estar no comando da equipe das quatro argolas, mas a permanência de Wheatley de repente se mostrou insustentável, ainda que as declarações tenham sido muito polidas. Oficialmente, Jonathan deixou o posto por “questões pessoais”, mas partiu de Nico Hülkenberg a reação mais reveladora ao afirmar que o acontecimento “resolvia um problema fundamental”.

O “problema”, no caso, era justamente a relação com Binotto, então líder do projeto na F1. E por mais que falte ao ítalo-suíço algumas nuances do que se espera de um chefe de equipe, não há como ignorar a posição de liderança que ele possui. Atritos, portanto, foram inevitáveis, como pontuou o portal inglês PlanetF1, e quando isso acontece, acaba sobrando para algum lado.

É justamente por esse ponto que é muito, muito difícil imaginar um cenário que coloque Binotto e Horner lado a lado. Pior: Christian atuando tão somente para auxiliar o comando de Mattia, uma vez que ele deixou claro na passagem da F1 pelo Japão que é exatamente isso que procura: alguém para ajudá-lo quando não estiver presente em um fim de semana — afinal, o que se espera de um engenheiro com o know-how de Binotto é a contribuição nos bastidores.

MATTIA BINOTTO; CHRISTIAN HORNER; FÓRMULA 1;
Christian Horner e Mattia Binotto lado a lado na Audi é cenário impossível de se imaginar (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Acontece que nem mesmo se o ítalo-suíço decidisse deixar por completo o comando da Audi no pit-wall, Horner seria uma opção realista. Claro, por mais que os últimos anos de Red Bull tenham sido marcados por polêmicas (a maior, sem dúvida, as acusações de conduta inapropriada com uma funcionária), não há como ignorar o tato para o negócio que Christian possui, fora o fato de entender perfeitamente como funciona o jogo político da Fórmula 1. Nesse ponto, não haveria nome melhor para conduzir uma marca do tamanho da montadora alemã. Não por acaso ele é sempre o oponente que vem à mente quando Toto Wolff, chefe da Mercedes, é posto do outro lado.

No entanto, estaria mesmo a Audi disposta a colocar tanto poder assim nas mãos de Horner? Ora, a simples alcunha de chefe de equipe não parece ser o que o britânico no momento procura, vide a revelação feita por Flavio Briatore de que ele negocia a aquisição de ações da Alpine. Qualquer que seja o lugar que iniciar diálogo com Horner terá de saber que ele não vai aceitar nada menos que ser CEO.

Se essa fosse a aspiração da Audi, apostando em toda a trajetória construída na Red Bull que rendeu oito títulos no Mundial de Pilotos e seis de Construtores, Horner realmente seria um nome para entrar no radar, mas não é o caso. A verdade é que chegar à F1 não é tão simples assim, e o time que herdou o espólio da Sauber também enfrenta a dor do crescimento. Nada surpreendente, diga-se, portanto não há razão para crer que há desespero a ponto de querer arriscar essa dor de cabeça.

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