McLaren admite interesse em copiar soluções de Audi e Ferrari: “Mas é preciso entendê-las”
Projetista chefe da McLaren, Rob Marshall elegeu o sidepod da Audi como a novidade aerodinâmica mais interessante do grid em 2026, mas explicou que reproduzi-los no MCL40, assim como a asa Macarena da Ferrari, exige muita análise
Que as mudanças na unidade de potência ganharam o centro das atenções no começo da Fórmula 1 2026, não há dúvidas, mas há quem se atente para as inovações que a aerodinâmica ativa pôde proporcionar aos carros dentro do atual regulamento. A McLaren, por exemplo, admitiu que tem olhado com bastante atenção para o que Audi, Aston Martin e Ferrari já apresentaram até aqui.
O novo conceito aerodinâmico foi introduzido nos carros de 2026 para complementar a revolução técnica que trouxe motores com 50% da potência provenientes da parte elétrica. Asas traseiras e dianteiras agora variam a angulação em retas e curvas para otimizar o downforce, porém o que se viu de novo desde a pré-temporada também engloba sidepods e suspensões, tudo para aprimorar o fluxo de ar.
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Projetista chefe da McLaren e responsável pelo sistema de arrefecimento que deixou as rivais inquietas no ano passado, Rob Marshall afirmou que tem analisado com bastante atenção cada novidade. “Acho que uma das mais interessantes, olhando para todo o grid, são os sidepods da Audi. Eles são bem únicos”, explicou ao Motorsport Itália.
“É evidente que eles escolheram um caminho diferente, e ninguém tem nada realmente semelhante. Talvez lembre vagamente a Williams de alguns anos atrás, mas acho que todos esperavam algo mais convencional, o que claramente não é o caso”, salientou.
Em seguida, Marshall destacou a geometria da suspensão do carro da Aston Martin, classificada como “bastante interessante”. Ele ainda listou outros pontos desenvolvidos pelo antigo colega de Red Bull, Adrian Newey, para os veículos guiados por Fernando Alonso e Lance Stroll.
“A Aston Martin tem uma geometria de suspensão bastante interessante. A traseira parece bem ambiciosa, muito singular. É fácil entender por que chamou a atenção. A suspensão dianteira também é, diria, muito interessante. Talvez inspirada em algo que fizemos no ano passado, é bastante similar em muitos aspectos”, acrescentou.

Agora, é claro que a Ferrari também não passou despercebida. Equipe que mais testou elementos aerodinâmicos desde a pré-temporada, os italianos despertaram a curiosidade do projetista da McLaren quando apresentaram ao mundo a asa traseira ‘Macarena’, que rotaciona em vez de apenas abrir, como o DRS fazia até o final de 2025.
“Todo mundo viu e pensou ‘Ok, isso é bom’. Temos certeza de que é legal? Sim, é. Ótimo, então, parabéns a eles, que também fizeram algo interessante com a saída do escapamento, que todo mundo olhou e pensou: ‘Nossa, isso é muito legal’. Foi um bom trabalho também”, avaliou.
Mas é possível copiar alguma das soluções listadas ainda para 2026? Marshall explicou que tudo depende das análises feitas, uma vez que é preciso primeiro entender o funcionamento de cada sistema antes de integrá-lo ao carro. Vale destacar que o que foi desenvolvido pelos adversários foi pensado para se adequar a um projeto criado por cada um mediante interpretação pessoal das regras.
“Acho que a resposta simples é que analisamos tudo. Algumas soluções são descartadas rapidamente quando se analisa o regulamento, outras permanecem em aberto, outras são limitadas por mudanças arquitetônicas que possam ter sido feitas em outras áreas, como o motor. Mas, no fim das contas, analisamos tudo, pelo menos até certo ponto”, começou.
“Algumas ideias chegam até os testes em túnel de vento ou simulações de CFD (dinâmica de fluído computacional, sigla em inglês), outras permanecem como exercícios teóricos que fazemos para entender se podem ser positivas ou negativas para nós. Considerando as soluções dos nossos rivais, precisamos entender como integrá-las”, ressaltou.

“Há soluções que podem ser copiadas diretamente, outras que exigem um estudo mais aprofundado para entendermos seus princípios. Analisamos praticamente tudo o que nossos rivais fazem em todo o grid, tentando entender se essas saídas também poderiam funcionar em nossos carros. Na Fórmula 1, costuma-se dizer que copiar não funciona, porque o que funciona bem em um carro não funciona em outro”, seguiu.
“Mas isso não é necessariamente verdade. Algumas soluções funcionam em carros de outras equipes: lembre-se dos difusores duplos, que funcionaram em um carro e todos copiaram, e de certa forma funcionaram no nosso também. Acho que copiar sempre fez parte da F1. Uma coisa é copiar, outra é realmente tentar entender o que está acontecendo, o que a outra equipe está tentando alcançar com o que criou”, complementou.
Por fim, o projetista da McLaren concluiu destacando que tentar reproduzir a engenhosidade de um adversário no carro é “reconhecimento do trabalho das outras equipes” e que essa prática sempre fez parte da Fórmula 1.
“Você pode copiar o que alguém fez, mas não terá o mesmo entendimento. Se fizer a pesquisa correta e eles, de certa forma, lhe derem uma vantagem mostrando o que fizeram, então poderá desenvolver o mesmo tipo de conhecimento que eles desenvolveram. Mas você pode fazer isso mais rápido, porque se inspirou neles”, prosseguiu.
“Sim, é um reconhecimento do trabalho das outras escuderias, mas todo mundo faz isso. É simplesmente parte da F1. Algumas coisas são criadas por conta própria e você se orgulha mais delas do que das que são copiadas; outras, no entanto, você desenvolve ou inventa… na banheira. Ninguém quer copiar essas”, finalizou.
A Fórmula 1 retorna no próximo fim de semana, de 1º a 3 de maio, com o GP de Miami.
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