Ganassi e Andretti detonam critério da Indy em Detroit e temem Road America “ser piada”

Mike Hull, diretor da Ganassi, e Ron Ruzewski, chefe da Andretti, pedem que direção de prova adote meio-termo no acionamento das bandeiras amarelas na Indy

O GP de Detroit mostrou que a Comissão Independente de Arbitragem (IOB) da Indy tomou um caminho bem diferente da postura que vinha adotando em relação às bandeiras amarelas em circuitos mistos e de rua, promovendo a neutralização da prova quase de forma imediata ao identificar um carro lento ou rodado, mesmo em situações nas quais os pilotos conseguiram retornar à corrida sem auxílio externo. Essa mudança radical tem gerado bastante discussão nos bastidores, a ponto de Mike Hull, diretor da Ganassi, e Ron Ruzewski, chefe de equipe da Andretti, defenderem que haja um meio-termo. Do contrário, o GP de Road America, que será realizado no fim do mês, pode ser “uma piada”.

O estopim para a mudança na abordagem da direção de prova veio no GP de Indianápolis, realizado em 8 de maio. Alexander Rossi, com problemas no carro, parou na reta principal. O incidente ocorreu em meio à janela de pit-stops e a direção de prova da Indy optou por manter apenas uma bandeira amarela local, aguardando que os demais pilotos realizassem suas paradas nos boxes — uma postura que vinha sendo adotada nos últimos anos. O norte-americano, impossibilitado de deixar o carro #20 da Carpenter, retirou o volante e apontou para o fiscal responsável pela bandeira amarela, que acabou acionando a entrada do safety-car.

Em Detroit, porém, a postura foi completamente diferente, o que também gerou reclamações. Durante a transmissão, Bryan Herta, estrategista de Kyle Kirkwood, ironizou a situação ao afirmar que “agora vai ter bandeira amarela até se cair uma embalagem de cachorro-quente na pista”. As maiores críticas surgiram após a amarela provocada pelo toque de Kyffin Simpson em Graham Rahal e pelo contato entre Santino Ferrucci e Rinus VeeKay, já que, em ambos os casos, os carros conseguiram prosseguir com recursos próprios na oitava etapa da temporada 2026 da Indy.

O pedido agora é por equilíbrio entre as duas abordagens. “Precisamos de um meio-termo. Era isso que Bryan Herta estava tentando dizer”, declarou Hull à revista Racer. “Parece que as pessoas responsáveis por tomar as decisões durante as corridas estão agindo assim porque têm medo de perder o emprego se não o fizerem e, se essa é a situação, elas deveriam receber mais apoio para desempenhar suas funções”, completou.

“Trabalhamos muito ao longo dos anos para chegar a um ponto razoavelmente bom. Também acho que, na maior parte do tempo, a Indy toma a decisão correta. Mas Detroit foi um pouco além da conta, e não acredito que isso seja necessariamente algo positivo para ninguém. Acho que existe um meio-termo ideal em algum lugar”, comentou Ruzewski, também à Racer. O dirigente ainda ironizou algumas das neutralizações, afirmando que “houve momentos em que mal dava tempo de ligar o carro e a corrida já estava em bandeira amarela”.

Ron Ruzewski (Foto: IndyCar)

Envolvido na neutralização mais polêmica de Detroit, que ainda teve outras cinco voltas com o safety-car na pista, Rahal também comentou a situação. “Não é uma questão de preto no branco; depende da situação. Esse é o problema. A postura foi muito diferente daquela adotada no caso do Rossi. Eles seguiram por um caminho completamente distinto”, destacou.

Inegavelmente, a Ganassi tem dominado a Indy nos últimos anos, principalmente graças ao talento de Álex Palou e ao excelente trabalho da equipe, tanto na preparação dos carros quanto nas estratégias de corrida. Hull destacou que, caso a postura do IOB siga o padrão estabelecido em Detroit, as estratégias poderão mudar significativamente nas próximas etapas e prevê que o GP de Road America pode se tornar um exemplo negativo.

“Vamos ter que passar a pensar as corridas de outra forma. Depois de Gateway, iremos para Road America, mas, se eles decidirem conduzir a corrida em Road America da mesma forma que conduziram em Detroit, com os carros tão espalhados pela pista, vamos acabar tendo dez interrupções. Vai virar uma piada. A cada duas voltas haverá uma bandeira amarela para toda a pista se todo piloto que tiver um problema menor for tratado da mesma forma que foi na semana passada”, afirmou o dirigente da Ganassi.

“Só vão sobrar umas dez voltas de corrida de verdade, por causa do tamanho do circuito e do tempo necessário para reagrupar todo mundo e reorganizar o pelotão. Pense nisso. Não se pode administrar uma corrida em um circuito misto permanente da mesma forma que se administra uma corrida em circuito de rua. Mas vamos esperar para ver o que eles vão — ou não vão — propor”, concluiu.

Indy retorna neste fim de semana, entre os dias 6 e 7 de junho, para o GP de Gateway, o terceiro oval da temporada. A largada está marcada para domingo (7), às 22h (de Brasília, GMT-3).

Indy 2026, programação completa do GP de Gateway:

SessãoBRA*CBVPOR | ANGMOZ
TL1 (06/06)13:3015:3017:3018:30
Classificação (06/06)17:3019:3021:3022:30
TL2 (06/05)21:0023:0001:00 (DOM)02:00 (DOM)
Corrida (07/06)22:0000:00 (SEG)02:00 (SEG)03:00 (SEG)

* horário de Brasília [GMT -3]

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