5 coisas que aprendemos no domingo do GP de Mônaco da Fórmula 1 2026

O GP de Mônaco mostrou que Andrea Kimi Antonelli caminha livre, leve e solto rumo ao título da temporada 2026 da Fórmula 1. Com uma postura para lá de madura, o titular da Mercedes não sentiu pressão em nenhum momento e ampliou para 66 pontos a vantagem na liderança do campeonato

Até que o monótono GP de Mônaco deste domingo (7) trouxe desdobramentos interessantes para a temporada 2026 da Fórmula 1. Na briga pelo título, a impressão é a de que Andrea Kimi Antonelli realmente não tem nenhum adversário à altura neste momento para impedi-lo de acumular uma vitória atrás da outra — já foram cinco desde o GP da China, e a contagem continua.

George Russell, por sua vez, ainda procura respostas para mais um desempenho pífio, que o fez, inclusive, ser superado por Lewis Hamilton na classificação do campeonato. E por falar no heptacampeão, o segundo lugar nas ruas de Monte Carlo serviu como um prêmio de consolação para a Ferrari, que terminou as primeiras atividades do fim de semana como grande favorita ao triunfo.

No pelotão intermediário, a Racing Bulls inesperadamente dominou as ações, com Liam Lawson e Arvid Lindblad superando outras favoritas que existiam naquela região do grid. E na Série C da categoria, Fernando Alonso tomou o décimo lugar de Sergio Pérez na prorrogração para garantir o primeiro ponto da Aston Martin em 2026.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do domingo da Fórmula 1 em Mônaco.

Livre, leve e solto na busca pelo título

A impressão é a de que Andrea Kimi Antonelli não está realmente brigando pelo título da Fórmula 1. Isso porque o único piloto com totais condições de brecar o ímpeto do italiano até aqui na temporada mais uma vez não compareceu. O que dizer de George Russell? Falhou miseravelmente na classificação, ficou preso atrás de Isack Hadjar na corrida, levou duas punições — uma por culpa da Mercedes, é verdade — e nem sequer pontuou no Principado. Inacreditável. E de quebra perdeu a vice-liderança do Mundial de Pilotos para Lewis Hamilton, que só agora está pegando nos trancos com a Ferrari.

Em outras palavras, o britânico estendeu o tapete vermelho para que o companheiro de equipe desfilasse — e foi exatamente isso que ele fez em Monte Carlo. Mais uma vitória incontestável do italiano de 19 anos, que se tornou o mais jovem da história a marcar um Grand Chelem. E embora o abandono de Max Verstappen tenha facilitado bastante a vida na primeira largada, a postura do #12 quando as luzes se apagaram foi brilhante nos dois momentos, uma vez que os carros se reposicionaram no grid após a bandeira vermelha já na reta final da prova.

Como destacado na análise de ontem: Antonelli é diferenciado. Ainda é muito cedo, claro, mas ele tem tudo para se colocar na prateleira dos grandes da história da F1. E conta com uma equipe que o tem ajudado muito, e esse suporte realmente é importante — um ponto frisado, inclusive, por Lewis Hamilton nas coletivas de imprensa lá no Canadá. Toto Wolff e companhia sabem como lapidar esse diamante precioso que possuem em mãos.

Em uma pista em que a unidade de potência não é o grande diferencial, os prateados esperavam ter dificuldades. A Mercedes até começou com problemas na sexta-feira, é verdade, mas destravou alguma coisa no W17 que deixou Kimi completamente à vontade para os dias seguintes. Há a sensação de que o time realmente entende o projeto atual e sabe como evoluí-lo, diferentemente do que aconteceu nos últimos quatros anos, com a geração dos carros de efeito-solo.

Agora, porém, precisa descobrir como deixar Russell tão confortável quanto o italiano. Bem, a questão, no entanto, é que o britânico mesmo disse que o problema pode estar no próprio estilo de pilotagem. E se realmente for esse o caso, talvez nem exista luz nesse túnel sem fim.

Kimi Antonelli caminha livre, leve e solto até o título mundial de F1 (Foto: Rodrigo Ruiz/Grande Prêmio)

Os Trapalhões

Apesar do céu aberto e do forte sol em Mônaco neste domingo, a corrida foi palco de uma chuva de trapalhadas. E se engana quem pensa que as protagonistas desse show de horrores estavam na parte de baixo do pelotão. Nada disso. Na verdade, nenhuma equipe do grid da Fórmula 1 deveria ser capaz de, por exemplo, esquecer de cumprir a punição do próprio piloto quando este parasse para trocar os pneus. Algo tão simples e óbvio. Mas aconteceu com a Mercedes, que já foi analisada no tópico anterior.

Por isso, partimos para a próxima vergonha: a Ferrari. Se não bastasse deixar Charles Leclerc sofrendo com os freios o fim de semana inteiro, a escuderia ainda fez o monegasco pagar uma punição que nem era dele. Isso porque, durante o primeiro safety-car, eles decidiram chamar os dois pilotos aos boxes ao mesmo tempo, mas com Lewis Hamilton na frente, que tinha uma sanção de 5s a pagar por exceder a velocidade máxima permitida no pit-lane. Como resultado, o #16 teve de esperar pacientemente o britânico parar, esperar pelo tempo necessário, trocar os pneus e ir embora. Que situação.

Mas em relação ao desempenho de pista, o segundo lugar do heptacampeão foi um prêmio de consolação para a equipe italiana, que se colocou como grande favorita à pole e à vitória após os treinos de sexta-feira. Por incompetência, mais uma vez, perdeu os dois. E sinceramente, foi um golpe duro para a Red Bull ter perdido Max Verstappen tão cedo, uma vez que os taurinos tinham tudo para dar muito mais trabalho a Andrea Kimi Antonelli, que de certa forma parecia imbatível. A rápida evolução do time de Milton Keynes desde Miami é louvável, por isso mereceram o terceiro lugar com Isack Hadjar.

Quem não merecia nada mesmo era a McLaren, que por algum tipo de milagre saiu de Mônaco com o quarto lugar de Oscar Piastri. Os papaias voltaram a ter problemas de confiabilidade, e mais uma vez com Lando Norris. É curioso como a esquadra vive um cenário oposto ao da Red Bull: era a segunda força lá no Hard Rock Stadium e subitamente despencou. Tudo bem que, tirando o bizarro erro de estratégia, o GP do Canadá não foi ruim, e a expectativa é que o time melhore em Barcelona.

Lewis Hamilton terminou em segundo lugar com a Ferrari em Mônaco (Rodrigo Ruiz/Grande Prêmio)

Racing Bulls te dá asas

Com base nos treinos de sexta-feira, era inconcebível a ideia de que a Racing Bulls terminaria o GP de Mônaco como a equipe que mais conquistou pontos no pelotão intermediário. Esse posto, na verdade, pertencia tranquilamente à Audi, que no fim das contas amarelou — assim como o próprio carro, diga-se de passagem — e viu Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg terem de ficar chupando dedo, zerados, enquanto Liam Lawson e Arvid Lindblad mostravam uma competência muito maior nesse fim de semana.

Sim, a irmã caçula da Red Bull não tinha o melhor carro da chamada ‘F1 B’ e mesmo assim fechou o dia na quinta e sexta posições. Mas a disputa ali na parte de trás foi das mais interessantes, com Pierre Gasly, inclusive, voltando à boa forma e levando a Alpine novamente ao top-10, mesmo que tenha ficado revoltado com a dupla punição de 5s por infringir o limite de velocidade no pit-lane — algo que se mostrou um problema para uma parte considerável do pelotão.

Outro nome que merece destaque aqui é Sergio Pérez, que mais uma vez colocou Valtteri Bottas no chinelo ao quase alcançar o primeiro ponto da Cadillac na Fórmula 1. Uma pena, considerando que a novata merecia muito mais do que a Aston Martin, que possui uma estrutura bilionária e mesmo assim só anda para trás.

Por fim, a Williams, que tem evoluído recentemente, ficou próxima de colocar tanto Alexander Albon quanto Carlos Sainz nos pontos, mas o espanhol acabou sendo atropelado por Franco Colapinto e precisou abandonar. Sorte de Esteban Ocon, pressionado na Haas, que foi presenteado em meio à toda confusão e colocou 2 tentos na conta de uma equipe que apenas sobreviveu no Principado.

A Racing Bulls fez um ótimo trabalho com Liam Lawson e Arvid Lindblad (Foto: Red Bull Content Pool)

A Aston Martin pontuou!

Não, você não leu errado. E por mais que pareça mentira, hoje também não é 1º de abril. A Aston Martin, de alguma forma, conseguiu o primeiro ponto na temporada 2026 da Fórmula 1. E como não poderia ser diferente, o responsável por essa façanha foi ninguém menos que Fernando Alonso, que na sexta-feira saiu esbravejando contra os carros atuais da categoria, classificando-os como “a pior geração” que ele já pilotou pelas ruas apertadas do Principado.

Convenhamos que estar a bordo do AMR26 não deve ser das sensações mais prazerosas, de fato. Isso porque o modelo projetado por Adrian Newey tem sofrido bastante nas mãos da unidade de potência da Honda. Mas a culpa não deve ficar apenas na conta da fabricante japonesa. Em uma pista onde a força do motor não tem tanta relevância assim como em outros lugares, os esmeraldinos não conseguiram render da maneira que esperavam, o que mostra que o chassi também tem falhas sérias. Além de outras questões também, como a trocha de marchas, que perturbou os pilotos o fim de semana inteiro.

Então como foi possível terminar na zona de pontos? Bem, Alonso largou da 21ª posição e simplesmente sobreviveu. Em meio ao grande número de abandonos e punições aos rivais, o espanhol cruzou a linha de chegada na 11ª posição, logo atrás de Sergio Pérez, que, até então, havia feito história ao colocar a estreante Cadillac no top-10 pela primeira vez. Contudo, a alegria durou pouco: a direção de prova aplicou uma sanção de 10s ao mexicano por uma infração na segunda largada do dia. Como resultado, o bicampeão mundial herdou o décimo lugar.

Por mais monótono que seja, esse é o tipo de coisa que só o GP de Mônaco pode proporcionar.

Fernando Alonso conquistou o primeiro ponto da Aston Martin na F1 2026 (Foto: Rodrigo Ruiz/Grande Prêmio)

Mônaco virou Goiânia

Quem diria que as riquíssimas ruas de Monte Carlo um dia se tornariam no Autódromo Internacional Ayrton Senna, hein? Por incrível — e mais bizarro — que pareça, foi exatamente isso que aconteceu no GP de Mônaco deste domingo. Assim como o circuito em Goiânia, que será fechado em julho para novas reformas, o asfalto no Principado esfarelou bastante no trecho entre as curvas 18 e 19, o que forçou o acionamento da bandeira vermelha já na reta final da corrida.

Embora a situação só tenha se tornado de conhecimento público devido aos incidentes de Lance Stroll e Charles Leclerc, que bateram quase que em sequência no mesmo lugar, Carlos Sainz afirmou, durante entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO, que já havia notado o problema desde a primeira volta e, por isso, tomou todo o cuidado do mundo para evitar passar pelo local. O que nem todos fizeram.

“Já estava daquele jeito desde a primeira volta. A pista estava se abrindo e isso estava jogando detritos na parte externa, então eu estava apenas tomando cuidado para manter a linha mais fechada na Curva 19. E alguns outros claramente não fizeram isso da melhor forma”, declarou o titular da Williams, que foi acertado por Franco Colapinto na Portier e sequer completou a corrida.

Situações assim não pode se repetir em nenhum lugar do mundo, principalmente quando se tratam de categorias como Fórmula 1 e MotoGP. E a função de um jornalismo competente é apontar as falhas e cobrar mudanças, diferentemente do que tentou fazer o diretor da pista, que pediu aos fiscais que trabalharam na corrida para que escondessem os pedaços de asfalto das câmeras. Até tu, Mônaco?

Asfalto começou a se despedaçar na última curva de Mônaco (Foto: Reprodução/F1)

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