Antonelli faz barba, cabelo e bigode e vence GP de Mônaco tumultuado por falha no asfalto

Se faltava uma vitória graúda para confirmar o domínio neste início de temporada, não falta mais. Andrea Kimi Antonelli destruiu os rivais ao fazer Grand Chelem no GP de Mônaco. Gabriel Bortoleto teve problemas ainda antes da largada

Andrea Kimi Antonelli ainda tem cara de menino, mas fez barba, cabelo e bigode no tumultuado GP de Mônaco deste domingo (7) ao vencer de ponta a ponta. O italiano evitou o ataque das Ferrari na largada, viu Max Verstappen ficar parado no grid por problemas na unidade de potência e ainda escapou das armadilhas no asfalto que paralisaram a prova a dez voltas do fim. Lewis Hamilton e Isack Hadjar completaram o pódio, mas o piloto da Red Bull ainda corre risco por estar na mira dos comissários.

Como é de costume nas charmosas e estreitas ruas de Monte Carlo, a largada foi decisiva, e isso por si só já trazia inúmeras possibilidades, considerando o histórico recente dos quatro primeiros. De um lado, na pole, um Antonelli ainda sob a lente da dúvida por largadas ruins nas primeiras corridas. Do outro, uma Ferrari mordida após a classificação e naturalmente favorita para ganhar posições justamente pelo melhor sistema de partida do grid.

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No meio, Verstappen, em segundo, o penetra da festa em condição real de aprontar para cima de Kimi, Charles e Lewis, mas eis que o elogiado motor Red Bull Ford deixou o neerlandês na mão. A frustração pelo abandono na primeira volta foi tanta que ele simplesmente cumpriu o compromisso de imprensa e foi terminar de ver a prova em casa.

E Verstappen, indiscutivelmente um dos melhores pilotos da atualidade, acompanhou de camarote a vitória que talvez coloque Antonelli de vez no controle do campeonato. Se as vitórias na China e no Canadá, por exemplo, contaram com aquela dose de sorte e expuseram ainda arestas a serem aparadas, Mônaco esteve nas mãos do prodígio da Mercedes desde a classificação. De quebra, o triunfo deste domingo ainda representou o primeiro Grand Chelem da carreira, uma vez que também ficou com a melhor volta. Antonelli sai, portanto, com 156 pontos, absoluto na liderança.

Baile de Antonelli à parte, o final do GP de Mônaco foi mais bagunçado que o normal. Primeiro, Lance Stroll bateu na Anthony Noghes na volta 62, em lance que parecia uma simples travada de rodas. Mas quando a relargada foi autorizada, eis que Charles Leclerc bateu no mesmo ponto, o que acendeu o alerta na direção de prova para um possível problema relacionado ao asfalto, comprovado depois em inspeção.

Lewis Hamilton brilhou e ficou em segundo (Foto: Ferrari)

Foram 40 minutos de paralisação até a relargada parada ainda servir de prova final para Antonelli, que se impôs e rumou tranquilo até a bandeirada. E se Antonelli foi não mais que perfeito, George Russell teve um domingo desastroso. Primeiro, tomou 5s por exceder o limite de velocidade nos boxes. Mas a bobeada da Mercedes em não cumprir a punição na parada do safety-car rendeu ao #63 um drive-through.

Desastre também para a McLaren, que viu Lando Norris abandonar por problema na bateria salva para a corrida. Mas o domingo pode ser salvo por Oscar Piastri, quarto colocado, caso Hadjar, sob investigação, perca o pódio.

Gabriel Bortoleto completou a prova em 12º, mas teve problemas antes mesmo da largada, ao ficar parado na saída dos boxes. Precisou começar a corrida do pit-lane, arriscou uma parada precoce, mas ficou muito tempo preso atrás dos carros da Cadillac e viu a estratégia comprometida.

A Fórmula 1 volta de 12 a 14 de junho com o GP de Barcelona, sétimo da temporada 2026.

Confira como foi o GP de Mônaco da F1:

Antes mesmo da largada, Bortoleto se viu forçado a largar dos boxes quando o carro da Audi simplesmente apagou na saída do pit-lane. Sem alternativa, a equipe decidiu calçá-lo com os pneus macios, assim como os carros da Cadillac, enquanto todos os demais optaram pela estratégia mais convencional, com o primeiro stint de médios no asfalto que já atingia os 40°C, com a temperatura ambiente na casa dos 24°C e umidade relativa do ar em 62%.

Na pole, Antonelli tomou a posição de honra, com Verstappen ao lado e uma Ferrari atrevida logo atrás, apostando alto no eficiente sistema de largada para tentar entrar na briga pela vitória. Hadjar e Russell, por sua vez, dividiam a terceira fila, só à espreita da oportunidade que surgisse.

Quando as luzes se apagaram, Hamilton e Leclerc realmente partiram melhor, só que Max ficou parado no grid e despencou posições. Sem entender o que havia acontecido, foi instruído por Gianpiero Lambiase a recolher aos boxes, uma vez que o problema era no motor.

Gasly também se valeu bem do início da prova e ganhou duas posições, fechando a volta 1 em sétimo, logo à frente de Norris. Mais à frente, Russell era o quinto colocado, mas sob risco de punição por uma possível queima de largada.

Lando Norris abandonou com problema na bateria (Foto: McLaren)

Felizmente para o #63 da Mercedes, os comissários consideraram que não houve irregularidades, apesar de Lando ter acusado a posição do colega fora do colchete. E de cara para o vento, Antonelli começou a construir vantagem sobre os carros da Ferrari, Hamilton à frente de Leclerc.

Logo depois da largada, Bortoleto retornou aos boxes para colocar um jogo de pneus duros e ir até o fim. A primeira janela de paradas, na verdade, não demorou, com Alonso e Stroll colocando um jogo de macios, Bottas e Pérez trocando para médios e Bearman calçando os duros antes da volta 10. No pelotão dianteiro, contudo, nenhuma sinalização de troca antecipada, com Antonelli já colocando mais de 4s sobre Hamilton.

Leclerc, por sua vez, vinha a 4s do companheiro de equipe e levava 3s9 de vantagem sobre Hadjar. Russell, Piastri, Gasly, Norris, Lawson e Albon completavam o grupo dos que pontuavam até então, com 13 giros completados.

A Audi, então, chamou Hülkenberg e colocou pneus duros, devolvendo-o à pista em 14º, mas o alemão não gostou da chamada precoce. Bortoleto, por exemplo, perdeu a vantagem do pit-stop ao se ver preso atrás dos carros da Cadillac, calçados de médios e também já com a parada obrigatória cumprida. Ele vinha a somente 0s5 de Bottas, mas sem arriscar uma manobra.

Gabriel Bortoleto teve problemas ainda nos boxes (Foto: Audi)

Volta 16, a borracha começou a querer roubar o protagonismo. O primeiro a acusar alto desgaste foi Hamilton, preocupado ainda com o superaquecimento dos pneus traseiros. Russell também avistava uma degradação excessiva no carro de Hadjar, confirmada pelo francês à Red Bull instantes depois.

Na volta 18, a distância entre Hamilton e Antonelli caiu para 3s6, mas a impressão era de que o italiano administrava os pneus para não sofrer do mesmo problema que os adversários até a primeira parada. Leclerc, em contrapartida, estava a 6s de Lewis, enquanto Hadjar, em quinto, já se defendia dos ataques frenéticos de Russell.

“Meu Deus, o freio-motor é uma piada! Tem alguma coisa errada, a marcha não funciona!”, bradava Hadjar pelo rádio. “Alguma coisa vai explodir! O motor não está em boas condições agora”, resmungou, mas a única coisa que a Red Bull pôde fazer foi pedir a ele para focar a pilotagem, já que não havia ainda solução.

Volta 22, Antonelli passou a abrir consideravelmente distância para Hamilton. Três giros depois, a diferença já era em 8s8, e subindo a cada trecho. Paralelo a isso, Hadjar se arrastava na pista e só conseguia manter Russell atrás por ser Mônaco. Nem mesmo a escapada na chicane no final do túnel colocou George à frente.

Volta 29, a Ferrari chamou Hamilton aos boxes. O #44 foi de médios para os duros em uma troca de 2s1, retornando em terceiro. Leclerc, então, assumiu a segunda colocação, 15s atrás de Antonelli.

Volta 30, a Haas chamou Bearman para abandonar de vez. Bortoleto, portanto, passou a ser o último colocado, a 9s de distância de Pérez. Já Hülkenberg, até então ileso aos problemas da Audi, aparecia em interessante 14ª posição já com a troca feita e atrás de pilotos que ainda teriam de parar nos boxes.

Volta 32, Russell partiu para o undercut. Sem sucesso na tentativa de ultrapassagem sobre Hadjar, parou primeiro e aproveitou a pista limpa para concluir a manobra quando a Red Bull chamou o francês aos boxes, ganhando a virtual quarta colocação.

Enquanto isso, a McLaren voltou a ser assombrada pela confiabilidade do motor. Norris pediu a equipe para checá-lo, pois estava “sem potência, sem bateria, sem tudo”. E, de fato, a McLaren confirmou o problema, deixando o #1 por um fio na corrida.

Enquanto isso, volta 36, foi a vez de Leclerc ir para a troca obrigatória, mais lenta que a de Hamilton — o inglês já com 5s na conta por excesso de velocidade no pit-lane. O monegasco retornou a 13s de distância de Lewis, em terceiro, e 14s à frente de Piastri.

Na Mercedes, a chamada para os boxes foi dada a Antonelli na volta 38, mesmo instante em que Russell foi pego pela direção de prova também por exceder o limite de velocidade no pit-lane. Nesse caso, no entanto, os 5s não fariam tanta diferença, uma vez que levava 11s de frente para Hadjar.

Na volta 45, Norris deu adeus à corrida quando a bateria foi para o saco de vez. Isso fez Russell ganhar mais uma posição, só que não o impediu de tomar uma volta de Antonelli alguns giros depois.

Kimi, aliás, vinha seguro na ponta, tanto que Peter Bonnington chegou a dizer que ele não precisava acelerar tanto após fazer novamente a melhor volta da prova. Mas, de certa forma, a enorme vantagem foi mais do que providencial, pois o safety-car deu o ar da graça na volta 60, quando Lance Stroll bateu na última curva.

Como de costume, o carro de segurança abriu mais uma janela de paradas, e a Ferrari correu para chamar Hamilton e Leclerc, mas o monegasco ficou inconformado com a decisão. Já do lado da Mercedes, a sorte de Antonelli foi ter mais de 1min de vantagem sobre os carros vermelhos, conseguindo dar mais um giro em velocidade baixa antes de parar para colocar um jogo de pneus macios. Só que Russell, logo atrás, foi vítima de uma patacoada sem fim, pois a equipe simplesmente se enrolou e não cumpriu a punição de 5s, gerando a ele depois um drive-through.

Kimi Antonelli caminha firme rumo ao título da F1 2026 (Foto: Reprodução/F1)

A relargada veio na volta 66, mas não deu tempo de Hamilton tentar absolutamente nada: Leclerc bateu no mesmo ponto de Stroll, a Anthony Noghes, e trouxe novamente o carro de segurança à pista. Incrédulo, Leclerc culpou os freios sob gritos e xingamentos, mas a razão poderia ser mais complexa, pois a direção de prova acionou a bandeira vermelha.

Corrida, portanto, paralisada na volta 68, com dez giros para o fim, e a FIA continuou contabilizando investigações e outras posições. Hamilton e Hadjar foram um dos que ficaram na mira dos comissários.

Após cerca de 40 minutos, os carros retornaram a pista para a largada parada, como de costume, com um Lewis Hamilton sedento para acabar com o Grand Chelem de Antonelli e já livre de ameaçadas, uma vez que a FIA foi rápida para julgá-lo inocente em caso de possível infração no safety-car.

Carros alinhados, luzes apagadas, Antonelli partiu com segurança, não dando qualquer chances ao heptacampeão. Mas a largada parada trouxe, claro, confusão no meio do pelotão, com Hülkenberg e Sainz se achando na Loews e o espanhol levando a pior, deixando a disputa. Nico tomou 10s pelo incidente, enterrando de vez a corrida da Audi.

F1 2026: resultado do GP de Mônaco

POSPilotoEquipeDiffPunição
1A K ANTONELLIMercedes78 voltas
2L HAMILTONFerrari+6.271
3I HADJARRed Bull RBPT Ford+23.394
4O PIASTRIMcLaren Mercedes+24.251
5L LAWSONRacing Bulls RBPT Ford+26.553
6A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford+29.010
7P GASLYAlpine Mercedes+30.369+10s
8A ALBONWilliams Mercedes+33.413
9E OCONHaas Ferrari+37.140
10S PÉREZCadillac Ferrari+39.153
11F ALONSOAston Martin Honda+41.899
12G BORTOLETOAudi+42.748
13G RUSSELLMercedes+43.353
14N HÜLKENBERGAudi+44.102+10s
15F COLAPINTOAlpine Mercedes+48.965+5
16C SAINZWilliams MercedesAbandonou
17C LECLERCFerrariAbandonou
18L STROLLAston Martin HondaAbandonou
19L NORRISMcLaren MercedesAbandonou
20O BEARMANHaas FerrariAbandonou

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